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Boehringer Ingelheim: após fusões, empresa quer alcançar liderança mundial

Boehringer Ingelheim: após fusões, empresa quer alcançar liderança mundial

São Paulo, 6/4 – Após adquirir a Merial no início deste ano, a Boehringer Ingelheim quer se tornar a líder mundial no segmento de saúde animal. Com a fusão, concluída em 1º de janeiro, a companhia se tornou a segunda do mercado global, com um faturamento líquido de 4,1 bilhões de euros, atrás apenas da norte-americana Zoetis (4,25 bilhões de euros). No Brasil, a nova empresa se manterá como a quinta no mercado, posição que já era ocupada pela Merial. Antes da fusão, a Boehringer Ingelheim não tinha fábricas no País e, em saúde animal, contava com distribuição apenas para o segmento de suínos. Já a Merial faturava anualmente cerca de R$ 750 milhões, contabilizando as vendas de subsidiárias, com um complexo fabril em Paulínia (SP).

Atualmente, a empresa está em processo de troca de marca, “se despedindo” do nome “Merial”, que estava como marca no Brasil há mais de 18 anos. Esta mudança deve ocorrer até o fim do ano.

Em evento em São Paulo, na manhã desta quinta-feira, 6, o novo head de saúde animal no Brasil da Boehringer Ingelheim, o peruano Francisco Escudero, afirmou que, agora, o portfólio da companhia terá 35% de produtos voltados ao setor de bovinos, 25% para pets, 20% para avicultura e de 10% a 15% para suínos. Neste último segmento, a Merial tinha não mais de 5% antes da fusão. “Até 2018, a empresa fará 20 lançamentos no mercado brasileiro para os segmentos de pets, avicultura e para bovinos”, afirmou Escudero.

A empresa aguarda liberação do Ministério da Agricultura para iniciar a produção de vacinas contras febre aftosa na fábrica construída em Paulínia, no interior de São Paulo. A unidade recebeu investimentos de R$ 154 milhões e deve chegar a 110 milhões de doses por ano. Segundo Escudero, a expectativa é que a comercialização do produto tenha início no segundo semestre de 2018.

A data coincide com o plano do governo brasileiro de iniciar a retirada gradual da obrigatoriedade desta vacinação em bovinos no País. O governo já sinalizou que pretende autorizar a retirada na campanha de vacinação de novembro de 2018 para cerca de 80 milhões, dos 220 milhões de cabeças do rebanho bovino brasileiro.

Para Escudero, esta decisão do governo não altera os planos para a fábrica de Paulínia. “Nada muda. Estamos fazendo tudo com a melhor tecnologia que existe. Apoiamos fortemente a vacinação, mas vamos apoiar qualquer decisão do governo”, afirmou.

Ainda sobre o mercado brasileiro, Escudero minimizou os impactos da Operação Carne Fraca para o setor de proteína animal e disse que esta ação não vai influenciar para a área de saúde. “Ainda não vimos impactos e achamos que as autoridades estão tomando as decisões corretas”, afirmou.

Na fusão entre as empresas, a francesa Sanofi passou sua Divisão de Saúde Animal (Merial) para a alemã Boehringer Ingelheim, recebendo em troca sua unidade de produtos de saúde humana (CHC).