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Fiscais agropecuários protestam por recomposição de quadro

São Paulo, 17/07 – Auditores fiscais federais agropecuários entraram nesta segunda-feira, 17, em estado de mobilização, com uma paralisação temporária de 24 horas, segundo o Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários (Anffa Sindical).

A categoria reivindica a autorização de concurso público para recomposição do quadro funcional e protesta contra uma série de medidas adotadas pelo Ministério da Agricultura. Caso suas reivindicações não sejam atendidas, na próxima semana a paralisação será de 48 horas, nos dias 24 e 25, informa o sindicato.

O Anffa recomendou que nenhum fiscal acesse os sistemas do ministério para realizar suas atividades. Se houver a adesão de fato, cargas para exportação não serão inspecionadas e o trabalho nos frigoríficos não será fiscalizado. Segundo o sindicato, a adesão nesta segunda chega a quase 100% no Rio Grande do Sul e no Paraná e está em torno de 80% na média do País.

O sindicato reivindica a realização de concurso público para o preenchimento de 1.600 vagas. “Nos últimos 20 anos, o mercado agropecuário brasileiro cresceu mais de 200%, e o número de fiscais federais agropecuários diminuiu mais de 35%”, diz, em nota, o presidente do Anffa Sindical, Maurício Porto.

Entre as iniciativas do governo criticadas, está a contratação temporária de veterinários para atuar na inspeção agropecuária em caráter emergencial. Outra medida é a redução das escalas nos postos de vigilância agropecuária nos portos, aeroportos e postos localizados nas fronteiras que têm de funcionar ininterruptamente. O Ministério da Agricultura ainda não se manifestou sobre a mobilização.

Recentemente, o sindicato atribui a suspensão das importações de carne bovina in natura pelos Estados Unidos à falta de medidas do Ministério da Agricultura para garantir “a correta fiscalização”. Além disso, a categoria também se viu envolvida em escândalos do setor. Em delação feita ao Ministério Público Federal, o presidente da JBS, Wesley Batista, afirmou que a empresa teria pago um “mensalinho” que chegava a R$ 20 mil, a 200 fiscais, na esperança de reduzir os entraves no exame de sua produção.