As melhores da Dinheiro Rural 2016

Investir no hoje

Com educação, André Bartocci conseguiu transformar sua fazenda em um modelo de bem-estar social e ambiental

Investir no hoje

"Precisamos dar oportunidades para reter os bons trabalhadores” Bartocci, da fazenda Nossa Senhora das Graças

Fazenda  | Sustentável

André Ribeiro Bartocci tem 45 anos e praticamente nasceu numa fazenda. Desde os seis anos de idade, vive na Nossa Senhora das Graças, propriedade de três mil hectares, no município de Caarapó (MS). Chegou a ficar um tempo na cidade, para estudar, mas abandonou o curso pela metade. Mais tarde formou-se em direito, sem nunca ter exercido a profissão, porque na época já queria se dedicar apenas à pecuária. Sua meta sempre foi fazer da propriedade um negócio sustentável. Ele acredita que é preciso buscar um mundo melhor para a sociedade atual e não apenas para as gerações futuras. Aliás, essa é uma das ideias que nortearam a 22ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP22), ocorrida no Marrocos, no mês passado. Pelo trabalho realizado, a fazenda Nossa Senhora das Graças é Ouro na categoria Fazenda Sustentável, entre os Destaques da Pecuária no prêmio AS MELHORES DA DINHEIRO RURAL 2016.

Atuante na recria e na engorda, Bartocci abate quatro mil bovinos por safra. A meta é produzir 500 quilos por hectare ao ano, de animais habilitados para a exportação. “Preciso ser muito eficiente, porque estou em uma região agrícola e de alta tecnologia”, afirma Bartocci. Não por acaso, ele investe na integração da agricultura com a pecuária e diz que não revolve o solo com grade há 15 anos. Com rotação de culturas, produz milho, soja e capim. “Hoje, a prática é uma unanimidade, mas já foi bem diferente.”

Para manter a base de seu equilíbrio econômico, o pecuarista investe no social. “O que gastamos é pouco se comparado ao retorno”, afirma. “Temos um maior ganho de atenção no trabalho, auto estima e comprometimento da equipe.” Em contrapartida, Bartocci transformou um barracão em um espaço para educação, e contratou professores. No chamado Centro Cultural, há reforço escolar para as crianças, as mulheres e os funcionários. O centro também conta com uma biblioteca e sala uma de computadores. Cerca de 20 famílias frequentam o lugar, entre as que residem na fazenda e as vizinhas. “A educação no campo piora cada dia”, diz Bartocci. “Precisamos dar oportunidades para reter os bons trabalhadores.” Com isso, Bartocci conseguiu também disseminar a ideia de um maior cuidado ambiental e de bem-estar animal. “As boas práticas são facilmente entendidas por todos”, afirma. Por exemplo, há mais de dez anos não há registro de foco de incêndio na fazenda. Para essa tarefa, o pecuarista conta com a orientação da Embrapa e da Aliança da Terra, organização não governamental que reúne 1,2 mil fazendas e que juntas ocupam uma área de cinco milhões de hectares. 62