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Setor pecuário, entidades de classe e autoridades unem forças para planejar 2020 o futuro do Brasil sem febre aftosa

Este foi o compromisso firmado durante o Fórum 2020, promovido pelo Conselho Nacional da Pecuária de Corte

Setor pecuário, entidades de classe e autoridades unem forças para planejar 2020 o futuro do Brasil sem febre aftosa

Analisar o fim da vacinação contra febre aftosa até 2020, a fim de alcançar o status de livre da doença sem vacinação e assim garantir melhor rentabilidade ao produto brasileiro. Este foi o compromisso firmado entre 65 representantes da cadeia produtiva da pecuária de corte durante o Fórum 2020 – o futuro do Brasil sem Febre Aftosa, promovido pelo Conselho Nacional da Pecuária de Corte (CNPC) e a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (FAESP).

A próxima fase será o desenvolvimento do plano para erradicar de forma responsável a vacinação contra aftosa. Estima-se que este passo vai abrir fatia significante do mercado internacional de carne bovina que o Brasil ainda não acessa, da ordem de US$ 15 bilhões.

“A questão da sanidade animal e vegetal é central. Estamos nos empenhando para manter os índices conquistados: há 19 anos e meio não temos caso de aftosa no Estado de São Paulo e saibam que por aqui circulam 70% da proteína animal exportada. Avanços na questão sanitária são muito bem vistos, por isto a questão da vacinação mais espaçada é muito bem colocada e por isso integramos esta agenda positiva” disse o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin na abertura do evento.

“Por que continuar controlando o controlado, elevando custos que já são desnecessários? Com prudência e responsabilidade é possível garantir não só a segurança alimentar, mas a sustentabilidade econômica e social advindas desta medida” afirmou Fábio de Salles Meirelles, Presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de S. Paulo- FAESP.

O Fórum: 2020 – O Futuro do Brasil sem Febre Aftosa, que teve o apoio da  Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), Fundo de Desenvolvimento Agropecuário (Fundepec) e do Sindicato dos Pecuaristas de Corte do Estado de São Paulo (Sindicortesp), foi realizado em 25 de novembro, em São Paulo, reuniu 70 pessoas entre autoridades, entidades internacionais, representantes da cadeia produtiva da carne, lideranças de pecuaristas, órgãos de classe, federações estaduais, secretarias de agricultura, indústrias frigorífica e veterinária.

A discussão da retirada segura da vacina contra aftosa é fundamental, uma vez que o Brasil assumiu uma importante posição no cenário mundial de proteínas, sendo o segundo maior produtor e o maior  exportador de carne bovina por diversos anos. Hoje é um respeitável participante no segmento pecuário mundial. “E podemos ir além, tirando do meio do caminho, de forma responsável, os obstáculos que ainda nos impedem de conquistar uma fatia de até US$ 15 bilhões no mercado internacional”, afirma Tirso de Salles Meirelles, presidente do CNPC.

 Também debateram o tema Ottorino Cosivi, diretor do PANAFTOSA/OPAS, Antonio Esteban Vasconsellos Portas, presidente da ACONASA/ARP – Paraguai e Carlos Peñaranda Bersatti, do Grupo Espiritu da Bolívia, ambos membros do Grupo Interamericano para Erradicação da Febre Aftosa – GIEFA.

No fórum definiu-se que o setor produtivo pretende apoiar o projeto e o trabalho das entidades internacionais que estão nesta luta há várias décadas: o Centro Panamericano de Febre Aftosa (PANAFTOSA) e o Grupo Interamericano para a Erradicação da Febre Aftosa (GIEFA). A ideia é estruturar e implementar um programa estratégico e amplo que envolva os elos da cadeia e com forte participação do setor privado, que é o principal financiador do atual Programa Nacional de Erradicação de Febre Aftosa – PNEFA.

“Planejar a parada da vacinação e solicitar o reconhecimento internacional é uma decisão difícil, principalmente na fase final da erradicação da doença, que necessita de um criterioso estudo e uma análise profunda sobre todos os quesitos da defesa sanitária animal, e requer principalmente uma discussão abrangente”, afirma Sebastião Costa Guedes, presidente do GIEFA, que apresentou em linhas gerais a proposta para discussão no evento.

Atualmente, a febre aftosa é sem dúvida a doença animal de maior impacto econômico nas relações comerciais da pecuária dos países em escala global. Apesar da doença não ser transmitida para os seres humanos, alguns países estabelecem sanções por preferirem a carne oriunda de nações ou extensas regiões onde não se pratica nem mesmo a vacinação. Segundo dados disponíveis, o território brasileiro não apresenta focos há praticamente uma década, graças ao importante trabalho conjunto entre setores público e privado.

O país, entretanto, enfrenta hoje algumas desconfianças no cenário internacional, principalmente advindas dos concorrentes diretos, isso porque não possui o status de livre de febre aftosa sem vacinação. “São frequentes os questionamentos de países do grupo sem vacinação sobre a razão de vacinarmos o gado mesmo em estados brasileiros que dizem não ter mais registros de casos da enfermidade”, acrescenta Otorrino Cosivi, Diretor do PANAFTOSA.

O fato é que a maioria do gado brasileiro ainda é vacinado contra a febre aftosa  e a carne destes animais sofre barreiras comerciais que dificultam a expansão da exportação da carne brasileira, impedindo que o país acesse  mercados mais atraentes e fazendo com que os produtores não recebam melhores remunerações por seu produto.

O encontro debateu de forma concreta e transparente o futuro do PNEFA, por parte do setor público (estados), do setor privado (federações e entidades de classe) e organismos internacionais (PANAFTOSA e GIEFA), além de contar com a presença de representantes privados de países com extensas fronteiras terrestres  com o Brasil, como a Bolívia e o Paraguai.

A partir deste evento, mecanismos serão criados para mapear o cenário atual nacional e propor soluções práticas de apoio ao programa como a retirada da vacinação por critérios geográficos ou grupos etários do rebanho, a criação de um fundo para permitir atividades complementares e contribuir para entidades internacionais, por exemplo. Após estas medidas o país poderá pleitear junto à entidade de sanidade animal no mundo, a OIE (Organização Internacional de Epizootias) o reconhecimento de livre sem vacinação. Isso abriria novos mercados para o negócio pecuário.

No site www.cnpc.org.br, no banner “2020-O futuro do Brasil sem Febre Aftosa” estão disponibilizadas detalhadas informações sobre as palestras e comentários das entidades durante o fórum. Fonte: Ascom