As melhores da Dinheiro Rural 2016

A Nova Zelândia goiana

A Nova Zelândia goiana

Conforto: as fêmeas cruzadas de holandês com jersey ficam em pasto de tifton irrigado

Gado leiteiro

Depois de trabalhar em fazendas de gado leiteiro por 25 anos em seu país, o neozelândês Owen Williams, 63 anos, cruzou o mundo em busca de terras para produzir leite. Viveu por seis anos no Equador, antes de se decidir pelo Brasil em 2006. A ideia era apostar as fichas em um projeto de criação em grande escala, com alimentação à base de pasto e expectativa de rentabilidade. Prestes a completar dez anos no Brasil, a fazenda Kiwi Brasil, em Silvânia (GO), que pertence a Williams e a um grupo de investidores de seu país e alguns brasileiros, é uma referência no setor. A Kiwi Brasil está entre os Destaques da Pecuária, no prêmio AS MELHORES DA DINHEIRO RURAL, na categoria Gado Leiteiro.

A produção é de 68 mil litros de leite por hectare ao ano, volume equivalente a uma receita de R$ 102 mil por hectare no período, tendo como referência o preço do leite a R$ 1,50 (cotação do mês passado, em Goiás, de acordo o Cepea-Esalq/USP). Só para comparação, a média no Estado é de cerca de 840 litros por hectare ao ano. “Apenas a produção do leite já garante rentabilidade”, diz Williams, que é casado com a brasileira Beatriz Reis, administradora dos negócios. “Mas, somado a isso, no Brasil ainda há a valorização da terra e a possibilidade de aumento do rebanho.” Na Nova Zelândia, o maior exportador global de produtos lácteos, o ganho do produtor está apenas na valorização da terra, em função do alto custo de produção.

A Kiwi produz 36 mil litros de leite por dia na safra e 20 mil litros na entressafra, em duas unidades. O total em 2015 foi de 9,8 milhões de litros, com previsão de chegar a dez milhões neste ano. Toda a produção é entregue à suíça Nestlé. A meta até 2025 são 80 mil litros diários, em cinco unidades. “Hoje, temos conhecimento do modelo de fazenda adequado ao Brasil, principalmente sobre dimensão das unidades de criação e da gestão do negócio”, diz Williams. O rebanho é de quatro mil animais da raça holandesa, cruzados com a raça jersey, dos quais 2,2 mil são vacas em produção. A lotação de animais é de 12 vacas por hectare, volume quatro vezes superior ao da Nova Zelândia.

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