As melhores da Dinheiro Rural 2016

Os campeões da pecuária

Conheça os produtores de carne e de leite que se destacam em um setor que movimenta R$ 400 bilhões por ano e que vai ajudar o País a mostrar ao mundo a sustentabilidade na produção de alimentos

Os campeões da pecuária

terra boa: nas próximas décadas, a criação de gado deve contribuir de forma sustentável para alimentar a população mundial e mitigar os desequilíbrios climáticos

Os destaques da pecuária

As riquezas geradas pela pecuária brasileira chegam a R$ 400 bilhões por ano. Esse é o saldo do Produto Interno Bruto da criação de gado no País, quase o dobro do que o setor movimentava há duas décadas, de acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea-Esalq/USP). O valor dessa cadeia de alimentos é maior que o PIB de 120 países, segundo dados do Fundo Monetário Internacional. Supera, por exemplo, a economia da Nova Zelândia, Bulgária, Guatemala e a de vizinhos como o Uruguai, país com um PIB de US$ 55 bilhões. Foi para mostrar quem são os personagens desse enredo de investimentos e de empreendedorismo no campo brasileiro que a DINHEIRO RURAL criou há quatro ano os Destaques da Pecuária, desenvolvendo uma metodologia para avaliá-los no prêmio AS MELHORES DA DINHEIRO RURAL.

Os pecuaristas que se dedicam ao segmento de corte, um setor responsável pela produção estimada de 8,4 milhões de toneladas de carne e que são donos de um rebanho de 209 milhões de animais, estão divididos nas categorias Genética Nelore, Genética Rebanho Nacional para as demais raças, Gado de Elite para os animais apresentados em exposições agropecuárias, Gado de Produção para animais comerciais, Fazenda Sustentável, Marca de Carne das iniciativas de empresas e de produtores e Confinamento. A partir desta edição entra em cena a categoria Gado Leiteiro. Para construir uma metodologia que chegasse aos indicados ao prêmio, como ocorre com as demais categorias, a DINHEIRO RURAL foi em busca de parcerias. E encontrou a Viva Lácteos, entidade que reúne 27 empresas líderes na produção de lácteos. Entre as associadas da Viva Lácteos estão nomes como Nestlé, Aurora Alimentos, Laticínios Gonçalves Salles, Piracanjuba, Danone, Lactalis, Catupiry, Vigor e Jussara. Elas são responsáveis pelo processamento de 70% da produção de leite e de seus derivados no País.

As empresas indicaram os seus melhores fornecedores para concorrer ao prêmio da DINHEIRO RURAL, tendo como parâmetro a quantidade entregue na indústria, aliada à qualidade do produto em termos de proteína e gordura, os dois principais ingredientes na fabricação de queijos, requeijões, iogurtes e manteiga. “A iniciativa ajuda a valorizar os pecuaristas que estão melhorando a produção de leite no País”, diz Marcelo Costa Martins, presidente-executivo da Viva Lácteos. “E a indústria precisa de bons parceiros.” A cadeia leiteira têm muitas tarefas a cumprir. Mas a principal é o aumento da produção regular de leite durante todo o ano, mesmo no período seco e de pouca oferta de comida aos animais. O Brasil está entre os cinco maiores produtores globais de leite, juntamente com União Europeia, Índia, Estados Unidos e China, com 35 bilhões de litros em 2015, porém ainda produz pouco por habitante. Isso porque, embora na última década tenha ocorrido um incremento do consumo de cerca de 30% no País, ele ainda é de 175 litros anuais por habitante. O volume está abaixo do consumo recomendado pela Organização Mundial de Saúde, que é de 230 litros per capita.

MISSÃO Pela grandiosidade de seus negócios, a pecuária que produz carne e leite está no centro das atenções em questões como meio ambiente e sustentabilidade. Não por acaso, a pecuária é a cadeia de proteína animal que mais deve contribuir nas próximas décadas para o equilíbrio de sistemas de produção de alimentos. Isso porque o setor pode dar respostas concretas sobre o sequestro de carbono da natureza, cumprindo o grande desafio do século 21, que é o de unir a ecologia com a economia. Os pecuaristas, com seus 170 milhões de hectares de pastagens, e que vêm adotando sistemas de produção cada vez mais intensivos, começam a ganhar escala ao cultivar capins nobres ou confinar os seus animais. O aperfeiçoamento dos métodos de criação vão libertar cerca de um terço das terras de pastos para a agricultura, que assim poderá dobrar a atual área de cultivo de 58 milhões de hectares, sem derrubar uma única árvore.

Os desafios dessa cadeia produtiva são gigantescos, mas possíveis de serem cumpridos. As grandes cidades do mundo, atoladas com seus problemas de infraestrutura urbana, e as indústrias poluentes, como a do petróleo, por exemplo, pouco devem contribuir para colocar em ação as decisões da Proclamação de Marrakeck sobre Clima e Desenvolvimento Sustentável, uma declaração elaborada em novembro, durante a 22ª Conferência Mundial Sobre o Clima (COP 22), no Marrocos. Nela, está elencado o que os 190 países signatários consideram prioridade para conter o aquecimento global nos próximos anos. À pecuária, de acordo com as metas assumidas pelo Brasil até 2030, caberá a recuperação de 15 milhões de hectares de pastagens, o aumento em cinco milhões de hectares de sistemas de Integração Lavoura-Pecuária e Floresta (ILPF), totalizando 16 milhões de hectares até lá, além de fornecer matérias primas para biocombustíveis como etanol e biodiesel, que deverão responder por 18% do consumo energético brasileiro nessa data. Ou seja, não há tempo a perder. A DINHEIRO RURAL, como ocorre há 13 anos, desde que a revista foi criada, vai acompanhar essa história para mostrar os caminhos trilhados pelos melhores empreendedores do setor.