As melhores da Dinheiro Rural 2016

Provados no pasto

A cabanha Touro Passo coloca seus animais em pista de julgamento, com um pé nos programas de melhoramento

Provados no pasto

Em casa: animais adaptados às condições do País garantem mercado certo para o hereford

GADO  |  ELITE

A cabanha Touro Passo, no município de Uruguaiana (RS), onde o Brasil faz divisa com a Argentina, possui dez touros em centrais de inseminação artificial. Por ano, Ricardo Pereira Duarte, 72 anos, selecionador de gado da raça de origem inglesa hereford desde 1966, vende cerca de dez mil doses de sêmen de cada reprodutor. O rebanho de 600 animais, criados na fazenda de 935 hectares, está inscrito no Programa de Melhoramento de Bovinos de Carne (Promebo), da Associação Nacional de Criadores. Mas não é somente isso. Duarte também não abre mão das pistas de julgamento em exposições agropecuárias, mesmo com foco de produção de gado no pasto. Em 2016, pelo quinto ano seguido, ele foi o melhor criador do ranking da Associação Bra­si­leira de Hereford e Braford (ABHB). “Ninguém ainda havia atingido es­sa marca”, diz. Por esse feito, a cabanha Touro Passo conquistou o primeiro lugar na categoria Gado de Elite, entre os Destaques da Pe­­cuá­ria, no prêmio AS MELHORES DA DINHEIRO RURAL.

Duarte é um grande conhecedor de hereford. No Brasil, é dele o primeiro trabalho de definição do padrão animal adequado ao País, feito em 1987 e válido até hoje. Na reprodução, o criador utiliza a inseminação artificial na base de 300 matrizes e faz transferência de embriões. 55

Para dar conta do serviço, des­de 1993, ele divide a lida com o filho Gui­lherme, que é agrônomo. “Por a­pre­­sentarmos um animal adaptado, nossos touros têm chamado a atenção de criadores de outros Es­­tados”, diz ele. A produção é de 60 reprodutores por ano, além das fêmeas. Não por acaso, para vendê-los, todos os anos são organizados dois leilões no Paraná, além de participar de outros três eventos como convidado. Duarte também faz parceria com criadores de Santa Catarina, proibidos de receberem animais de outros Estados, por ser área livre de febre aftosa sem vacinação. “Mandamos os embriões para os parceiros e de­pois dividimos os lucros”, afirma. Sua mais recente empreitada são os clones. Ele está replicando três matrizes, com nascimentos previstos para 2017.