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Rally da Safra: baixo prêmio desestimula interesse de produtor por Pepro

Primavera do Leste (MT), 17/5 – Os leilões de Prêmio Equalizador Pago ao Produtor (Pepro), da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), não estão atraindo o interesse de produtores de milho do sudeste de Mato Grosso. De acordo com agricultor Jorge Coradini, que cultiva 400 hectares do cereal em Primavera do Leste (MT), a cerca de 240 quilômetros de Cuiabá, “o prêmio oferecido é muito baixo” e não leva a saca de 60 quilos do produto a R$ 20, considerado por ele e demais produtores como o valor mínimo para a região.

No mais recente leilão de Pepro realizado pela Conab, no dia 11 de maio, o prêmio equalizador máximo variou R$ 3,216 a R$ 4,206 entre as regiões norte, centro-norte, centro-sul e nordeste do Estado, com a cotação mínima da saca de milho a R$ 16,50 – abaixo, portanto, dos R$ 20 mencionados por Coradini. Na ocasião, foi negociada subvenção equivalente a 302,6 mil toneladas, o equivalente a 60,5% da oferta total de 500 mil toneladas, sem ágio. O próximo leilão de Pepro será realizado pela Conab em 25 de maio.

Os baixos preços do milho, que no norte de Mato Grosso atingem R$ 12 a saca, são reflexo da segunda safra (safrinha) recorde. Neste ano, Coradini espera colher cerca de 100 sacas por hectare, bem acima das cerca de 75 sacas por hectare registradas no ano passado, marcado pela estiagem no Estado.

“No ano passado me pediam R$ 35, R$ 37 pela saca de milho, mas não tinha o produto. Agora tenho, mas ofertam R$ 18, R$ 19”, comparou o produtor, que veio do Rio Grande do Sul para Primavera do Leste há 34 anos. Ele foi visitado na terça-feira pela Equipe 10 do Rally da Safra, a qual o Broadcast Agro (serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado) acompanha.

Com 25% da produção comercializada antecipadamente, Coradini espera iniciar a colheita entre 15 e 20 de junho e prevê problemas com a armazenagem do milho. “A armazenagem está deixando a gente de cabelo em pé. Estou pensando em silos-bolsa”, comentou, acrescentando que muitas das instalações do Estado ainda estão tomadas pela soja colhida no primeiro trimestre.

Para o próximo ano, o plano já está traçado. “Ano que vem devo reduzir a área plantada”, afirmou Coradini. Em sua propriedade, o produtor também cultiva crotalária, leguminosa usada na rotação de culturas e que ajuda no controle de nematoides, além de contribuir para descompactação do solo, controle de erosão e fixação de nitrogênio.

*O jornalista viaja a convite da Agroconsult