Economia

O Brasil de olho na FAO

A receita de sucesso aplicada pelo governo Lula no combate à fome é o passaporte para que o País comande, pela primeira vez, o órgão de alimentação da ONU

Sucessão: Lula quer um brasileiro na presidência da FAO, ocupada por Jacques Diouf

Roberto Rodrigues: “O Brasil é o único País no mundo com sucesso recente no combate à fome”

Agora é oficial: o Brasil fará a indicação de um nome para a presidência da Organização das Nações Unidas para Agricultura e alimentação. A informação foi confirmada à DINHEIRO RURAL por meio da assessoria de imprensa do Ministério das Relações Exteriores. Há mais de um mês, cresciam os comentários sobre a possibilidade de o País, pela primeira vez, encabeçar o órgão ligado à ONU que faz a orientação das políticas agrícolas e de abastecimento, mundo afora. Há 16 anos, a entidade é presidida pelo senegalês Jacques Diouf, um homem cuja trajetória política é marcada pela luta contra a fome nos países da África e esse talvez seja o grande problema, de acordo com o ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues.

“Eles entendem profundamente a problemática da fome, mas não sabem como abastecer o mundo com alimentos. Isso é coisa para brasileiro”, diz. Rodrigues há meses trabalha nos bastidores do poder a fim de sensibilizar o governo brasileiro sobre a importância dessa oportunidade. “O Brasil hoje é o único país no mundo que tem uma história de sucesso recente no combate à fome, bem como na produção de alimentos”, destaca. Oficialmente, não há um candidato. Mas o nome indicado, segundo o que apurou nossa reportagem, será o de José Graziano da Silva, atual representante regional para América Latina e Caribe.

 

 

 

 

 

Porém, corre nos bastidores que o outro interessado é o atual ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, que se recusa a falar sobre o assunto abertamente. Assessores de Lula dizem que o presidente vê Cassel com um histórico bem-sucedido na condução de políticas para a agricultura familiar. Procurado, Graziano preferiu não comentar diretamente o assunto.Mas não são apenas os brasileiros que estão otimistas com a possibilidade. A própria diretora-executiva do Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas, a americana Josette Sheeran, tece elogios à forma como o Brasil combateu os seus próprios problemas.

 

 

FAO: entidade, em Roma, é responsável por induzir políticas para a alimentação em todo o mundo

 

 

“Os programas sociais do Brasil levam alimentação a quase 60 milhões de pessoas, o que é uma vitória fantástica”, diz. No dia 10 de maio, o presidente Lula inaugurou a Embrapa Estudos Estratégicos e Capacitação em Agricultura Tropical, com sede em Brasília. “A nova unidade da Embrapa será como uma chancelaria da agricultura brasileira com outros povos que travam a luta contra a fome e a pobreza”, disse o presidente para ministros da agricultura de 40 países africanos. Entre o Senegal e a África do Sul há mais de 400 milhões, uma reserva de terra quatro vezes superior à disponível no Brasil.

Não se sabe como esse acordo será costurado, uma vez que as eleições na FAO não costumam ser alvo de grandes disputas. E, caso o presidente Lula não consiga fazer seu sucessor na corrida presidencial, Rubens Ricupero aparece como um dos potenciais candidatos à vaga pelo lado tucano. Por enquanto, a China já demonstrou interesse em lançar um candidato pela Ásia. Mas fontes ligadas à FAO afirmam a existência do que chamam de “tácito reconhecimento” de que a América Latina será a futura comandante da instituição. Isso porque a África está no poder e a Turquia, representando a Ásia, foi a imediata antecessora. Basta esperar os próximos capítulos dessa tumultuada novela.