Economia

O celular vai ao campo

Operadoras terão de oferecer internet mais rápida e melhor cobertura de celular em áreas rurais. Pode ser a saída para um dos maiores obstáculos tecnológicos do agronegócio: a comunicação

O celular vai ao campo

Paulo Bernardo ministro das Comunicações

Duas boas notícias chegaram ao campo brasileiro em Junho deste ano. A primeira é que daqui a no máximo três anos quem vive em áreas rurais não precisará pendurar-se em cercas ou subir em árvores para captar sinal de celular. A segunda, talvez a melhor das novidades, é que o acesso à internet – seja por computador ou smartphones – terá mais velocidade e qualidade em comparação ao que existe hoje. Com isso, parte dos obstáculos de infraestrutura, que atualmente prejudicam o acesso à informação e o desenvolvimento econômico de regiões afastadas dos centros urbanos, será equacionada. Trata-se de um grande avanço. Para especialistas no setor, é consenso que a expansão da telefonia em sítios e fazendas reduzirá, em muito, a histórica defasagem tecnológica entre o campo e as grandes cidades. “Além do inegável benefício na área econômica, a nova telefonia rural garantirá acesso gratuito à internet para as escolas rurais”, diz Eduardo Tude, da consultoria Teleco.

As notícias positivas chegaram às propriedades rurais depois que a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) repartiu entre as operadoras brasileiras, em leilão no dia 12 de junho, a frequência de 450 MHz, que atenderá às áreas rurais do País. “Temos uma dívida antiga com a população rural brasileira, que não tem acesso a serviços de telefonia e internet de qualidade”, disse o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo. “O governo está empenhado em acabar com o isolamento de algumas regiões agrícolas, mostrando amigavelmente às operadoras o potencial do segmento.”

Na verdade, a divisão de frequência de telefonia rural não ocorreu de forma tão amigável assim. Nenhuma empresa participante do leilão fez oferta para operar o serviço. Com isso, as quatro vencedoras dos lotes nacionais do 4G – tecnologia de internet superveloz que será implementada nas principais cidades brasileiras, e que será ao menos 20 vezes mais rápida que a atual rede 3G – ficam obrigadas também a fazer os investimentos necessários para oferta da telefonia rural, conforme prevê o edital.

O lote “W”, vencido pela Claro, traz como obrigação investimento na telefonia móvel rural (tanto em voz como em banda larga) no Maranhão, na Bahia, na Grande SP (nos códigos de área 11 e 12) e em todos os Estados da região Norte, incluindo a Amazônia. Já o lote “X”, arrematado pela Vivo, traz como obrigação investimento na telefonia móvel rural no interior de São Paulo, Minas Gerais, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Sergipe e Alagoas. A Tim, por sua vez, deverá atender aos Estados do Rio de Janeiro, Paraná, Espírito Santo e Santa Catarina. Já a Oi será responsável pelo Centro-Oeste e Rio Grande do Sul.

Além das operadoras de telefonia, a empresa de tevê via satélite Sky arrematou mais de dez lotes regionais do leilão da Anatel. A Sunrise Telecomunicações, empresa que pertence ao megainvestidor húngaroamericano George Soros, arrematou lotes de frequência em áreas do interior paulista. Tecnicamente, as duas empresas terão condições de oferecer serviços de telecomunicações, especialmente internet via antena miniparabólica. “Essa é uma nova fase do setor de telefonia no País, tão importante para o avanço tecnológico quanto foi o processo de privatização há quase duas décadas”, afirma o consultor de telecomunicações, Reginaldo Azevedo.

Na prática, o aprimoramento dos serviços de telecomunicações nos mais distantes rincões do País tende a levar mais investimento para além dos centros urbanos. Para o presidente da Anatel, João Rezende, os novos investimentos do setor mostrarão resultado em breve. “O interesse das operadoras em telefonia 4G ficou acima do esperado e, em telefonia rural, irá superar as expectativas”, diz Rezende. “Só ficará sem celular quem desligar o aparelho.”

Tópicos

Comunicação