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O milionário mundo da vaquejada

Sensação no Nordeste, a tradicional competição se espalha pelo Brasil e movimenta uma verdadeira fortuna em eventos e nos haras de todo o País

Arenas lotadas, com média de público superior a 80 mil pessoas por noite. Premiações milionárias, que movimentam cerca de R$ 14 milhões por ano. Competidores, que podem ganhar até R$ 150 mil vencendo uma prova, tratados como celebridades. Não, não se trata de nenhum campeonato de futebol, esporte considerado a paixão nacional. Os vultosos números se referem às vaquejadas, festas que há mais de 40 anos conquistaram o Nordeste brasileiro e que a cada ano avançam para outras regiões do País. De acordo com a Associação Nacional de Vaquejadas (ANV), são mais de 600 eventos por ano, que reúnem centenas de vaqueiros de olho nos pomposos prêmios pagos. “No nordeste, esse esporte é a verdadeira paixão, que cresce cerca de 20% ao ano”, afirma o especialista na competição e responsável pelo site Portal Vaquejada, Fabio Leal. Fato é que as tradicionais festas nos últimos anos se transformaram em um negócio milionário, reunindo empresários, criadores de cavalos e empresas. Entre premiações, shows e publicidade, estima-se que as festas girem algo em torno de R$ 50 milhões por ano. “A vaquejada é uma paixão que atrai um grande público e, consequentemente, muitos investidores”, explica o empresário e criador Jonatas Dantas.

Há mais de 20 anos atuando no mundo das vaquejadas, Dantas se notabilizou como um dos principais empresários desse setor. No município de Xerém, no Rio de Janeiro, onde vive desde que saiu da cidade de Uiraúna, no sertão da Paraíba, ele ergueu o Parque Ana Dantas – área de 100 mil metros quadrados em que acontecem algumas das principais provas do País. Ele também percorre o Brasil promovendo outros circuitos. “No parque organizamos duas competições no ano, cada uma com três dias de duração, reunindo mais de 800 cavaleiros e pagando prêmios de R$ 100 mil. O investimento médio é de R$ 800 mil para se produzir o evento”, conta o empresário, que também é vice-presidente da ANV. “O retorno tem sido muito interessante”, comemora.

Dantas também atua em outra ponta milionária desse negócio: a criação de cavalos quarto-de-milha.

 

 

 

A raça possui características consideradas ideais para esse tipo de competição, por isso os animais são extremamente valorizados. O preço médio de um bom animal gira em torno de R$ 65 mil, podendo chegar a R$ 500 mil, no caso de um garanhão ou de uma égua vencedora. Dados da Associação dos Criadores de Quartode- Milha (ABQM) mostram que os leilões dos animais voltados para provas de velocidade movimentam cerca de R$ 100 milhões por ano. No caso de Dantas, ele realiza um leilão por ano, disponibilizando 50 potros para venda. A grande estrela de sua criação é o cavalo Roxão, cuja venda de filhos em leilões já soma mais de R$ 3 milhões. “Foi o primeiro cavalo a ter cotas de coberturas a R$ 1 milhão”, gaba-se.

Outro criador que reina no mundo da vaquejada é Paulo Otavio, que há 21 anos fundou em Pernambuco o Haras Monte Verde. Hoje ele mantém um plantel de 140 animais, focado em provas de velocidade. “A vaquejada é um segmento muito interessante para o cavalo quarto-de-milha, já que 90% dos animais utilizados nas provas são dessa raça. E esse tem sido um dos melhores momentos desse mercado.” Prova do otimismo do criador é a expectativa de registrar um faturamento de R$ 1,2 milhão em seu leilão anual, valor 20% superior em relação ao ao do ano passado. “A vaquejada é, de fato, uma mina de ouro.” Segundo ele, apesar de ser praticamente restrito ao Nordeste, o mercado tende a crescer. “É uma paixão como o futebol. Quem sabe um dia também vamos lotas estádios”, projeta.

Segundo Dantas, ainda há muito espaço para criadores dispostos a apresentar cavalos de qualidade e com resultado. “Mercado não falta”, diz.