Estilo no Campo

Os segredos das orquídeas

Orquidário paulista reúne algumas das espécies mais raras dessa flor e mantém um modelo diferenciado de parceria com produtores

Joia no vaso: vanda – a planta – é cultivada no carvão há 36 anos, já brotou 34 vezes e é uma relíquia com valor estimado em R$ 25 mil

A empresária Julia Meyer Pflug passou boa parte de sua infância a apreciar o desabrochar dos mais diversos tipos de orquídeas. Seu pai, Peter Pflug, foi um dos pioneiros no cultivo dessa planta no Brasil. Ele implantou, há quase 30 anos, um dos primeiros orquidários do País. Acompanhando esse trabalho, ela aprendeu desde cedo os segredos dessa cultuada flor. Julia cresceu, mas o encantamento por essas flores não diminuiu. Foi assim que ela resolveu criar, em meio à típica paisagem cinza da cidade de São Paulo, entre prédios e construções, um mundo de cores, formatos e perfumes, onde a delicadeza e a tranquilidade se contrapõem ao ritmo frenético da capital. Há seis anos, ela toca o Orquidário Morumby, um espaço dedicado à venda e ao estudo dos mais variados gêneros de orquídeas. Nos pouco mais de 400 metros quadrados do local, se concentram cerca de 200 espécies dessas flores, entre elas exemplares raríssimos que chegam a valer R$ 25 mil. “Não se trata apenas de uma loja, mas sim de um espaço para reunir apreciadores e estudiosos dessas belas flores. São poucos os locais que reúnem essa variedade de espécies”, conta Julia.

orquidário tem atraído orquidófilos de todo o País e um público seleto, apreciador dessas flores. Alguns dispostos a pagar pequenas fortunas por determinados exemplares. Socialites e esposas de grandes executivos brasileiros fazem parte da refinada clientela do orquidário. E, para atrair esse tipo de público, Julia investe não apenas em um ponto de venda diferenciado. Há alguns anos ela vem implementando um modelo de parceria com produtores, que tem permitido acesso a exemplares de qualidade superior, considerados itens de colecionador.

 

 

 

 

O nome da flor

Alguns exemplares, mesmo raros, podem ser achados em casas especializadas e fazer a diferença para admiradores dessas plantas

VANDA

Cresce de forma vertical e não precisa de nenhum tipo de substrato para viver. R$ 200

VANDA

Cultivada com suas raizes suspensas, a flor se alimenta da umidade ambiente. R$ 200

BLC. CHIALIN

Possui cores fortes e perfume forte. É bem resistente e dura até 30 dias. R$ 190

CATTELEYA WALKERIANA

Espécie do cerrado brasileiro, possui um perfume extremamente doce. R$ 200

 

Entre as “joias” do orquidário estão uma Vanda, orquídea de origem asiática que não precisa de nenhum substrato ou material para viver, com suas flores aparecendo até quatro vezes por ano. O exemplar exposto foi cultivado no carvão há 38 anos e seu valor é estimado em R$ 25 mil. Outra raridade é a Bulbophyllum, variedade com características, no mínimo, exóticas. Conhecida como “mal cheirosa”, ela exala um “perfume” semelhante ao de carne podre, é polinizada por moscas varejeiras e custa cerca de R$ 10 mil. “O que faz uma orquídea valer R$ 10 ou R$ 10 mil são características como formação da flor, perfume, a rastreabilidade e a raridade da planta. São esses aspectos que buscamos”, ressalta Julia, que conta que o modelo funciona como uma espécie de cooperativa, em que os produtores acabam usando o orquidário como seu ponto de venda. “Normalmente, o produtor dono de uma orquídea mais valorizada, tem dificuldade de levar essa flor a um público que pague quanto ela vale. Para ter esses exemplares pagamos aos produtores preço de varejo”, explica.

Para o produtor Erwin Bohnke, a parceria é vantajosa. Ele é responsável pelo Sitio das Palmeiras e produz entre 100 mil e 150 mil orquídeas por ano – desse total cerca de 25% são negociadas com o Orquidário Morumby, em um regime de consignação em que o produtor estipula o valor da planta. “É um modelo que oferece segurança para o produtor, já que ficamos com 60% da margem de lucro”, explica Bohnke. “Além disso, é uma maneira de atendermos um nicho de mercado mais refinado. Alguns exemplares não podem ser vendidos no Ceagesp”, conta.