Carreira

Um dia de presidente

A fabricante de caminhões Man América Latina adere ao projeto “CEO por um dia”, para mostrar como é a rotina de seu mais alto comandante

Um dia de presidente

Inspiração: Cortes (em pé) acredita que formar jovens, como Lee, é também uma de suas tarefas como executivo

No final de 2016, Leonardo Yun Ho Lee, 26 anos, aluno do penúltimo ano de engenharia de alimentos da Unicamp, de Campinas (SP), foi convocado para um dia de trabalho na capital paulista. Na pasta do jovem, estavam apresentações financeiras, planilhas de desempenho comercial, relatórios com perspectivas de mercado e planos estratégicos. “Para quem viveu sua primeira experiência de trabalho, acho que fui bem”, afirma Lee. “A oportunidade foi única e pude ver de perto como é a rotina do presidente de uma grande empresa.” No caso, Lee participou de diversas reuniões e atividades na sede da MAN América Latina, ao lado de seu presidente, o economista Antonio Roberto Cortes, 61 anos. A empresa, controlada pelo grupo alemãoVolkswagen, é uma das maiores fabricantes de caminhões do mundo.

Terminado o dia, Lee se despediu de Cortes e voltou para a universidade. Isso porque ele não havia se tornado funcionário da MAN. Lee fez parte de um grupo de 16 universitários selecionados para a edição 2016 do programa “CEO por um dia”, da companhia inglesa Odgers Berndtson Brasil, uma das líderes mundiais em recrutamento e seleção de executivos. A ideia desse projeto, previsto para uma nova rodada em agosto de 2017, é incentivar a formação de líderes, ao fazer com que estudantes dos últimos anos de graduação passem um dia com os principais CEOs do País. No ano passado, 700 estudantes participaram da seleção. “Vi muitas coisas, inclusive como Cortes precisa manter contato com todos, do mais alto escalão aos funcionários de operação nas fábricas”, afirma Lee. “De agora em diante, ele passou a referência do que um dia quero ser.” Luiz Wever, CEO da Odgers, diz que os estudantes escolhidos foram aqueles que demonstraram ter atributos de um líder. Entre eles o empreendedorismo, a curiosidade, a criatividade e a visão estratégica. “Encontramos jovens com bastante estrutura de liderança para ser aperfeiçoada para o futuro”, diz Wever. “Hoje, o País já é uma referência para a formação de líderes.”77

A experiência com Lee foi a primeira incursão da MAN no projeto da Odgers. “A ideia é excelente”, diz Cortes. Para o executivo, a proposta vai ao encontro das premissas obrigatórias de sua gestão: estreitar relacionamento entre líderes e liderados para compartilhar experiências, além de fomentar programas de estágio e de trainee. Formado pela Universidade Mackenzie em 1978, com pós-graduação em finanças pelo Instituto Mauá de Tecnologia em 1980, ambos em São Paulo, Cortes voltou para mais um ano de estudos em 1996, na escola de negócios Insead, em Fontainebleau, na França, uma das mais prestigiadas do mundo.

Dos seus 44 anos de vida profissional, Cortes está há duas décadas na MAN. Adepto da formação contínua de jovens lideranças, ele acredita nos resultados do serviço de mentoring, termo inglês que significa tutoria ou apadrinhamento. Trata-se de uma ferramenta de desenvolvimento profissional que consiste em uma pessoa experiente ajudar outra com menos bagagem profissional. “Gosto de me reunir com os novatos da empresa através do programa Café com o Presidente”, diz ele. “Começo a conhecer cada um, saber suas expectativas e assim posso ajudá-los no início de suas carreiras.” Por ano, Cortes recebe nesse programa cerca de 60 jovens funcionários. A empresa tem 3,5 mil funcionários na América Latina e fatura 1 bilhão na região, 7,3% da receita global de c 13,7 bilhões. Sob sua gestão estão duas fábricas: uma em Resende (RJ) e outra em Querétaro, no México, que produziram 23 mil unidades no ano passado. “Fiz a empresa ser reconhecida como líder em caminhões no Brasil”, diz Cortes. “O próximo passo é ajudar a empresa ser líder mundial”.

A MAN é uma das quatro empresas, que também atuam no setor do agronegócio, a ter participado da iniciativa da Odgers no ano passado. As demais são a fabricante japonesa de pneus Bridgestone, a rede atacadista holandesa Makro e a produtora de sucos Natural One, de Ricardo Ermírio de Moraes, um dos herdeiros do grupo Voto-rantim. De acordo com Wever, a participação do agronegócio no projeto “CEO por um dia” deve crescer ainda mais daqui para a frente. “A ideia é convidar mais empresas para integrarem o projeto, especialmente as do agronegócio”, afirma Wever. “Simplesmente porque este é um dos setores da economia que mais tem crescido no País.” O programa “CEO por um dia” nasceu em 2008. Além do Brasil, que neste ano realizará a terceira edição, ele acontece na Bélgica, Canadá, Dinamarca, Finlândia, Alemanha, Espanha, África do Sul e Inglaterra.