Neste mês, a empresária paulista Liana Baggio Ometto, diretora geral da torrefadora Baggio Café, no município paulista de Araras, está comemorando o Dia Nacional do Café em grande estilo. Liana escolheu o dia 24 de maio para marcar o início de uma nova fase da marca Baggio, que está ganhando uma identidade visual única para as suas linhas de cafés, com embalagens uniformes e mais atraentes. Hoje, a linha é composta por nove produtos que vão de blends de grãos arábica, densos, doces ou amendoados, às bebidas aromatizadas com chocolate, caramelo, amaretto, limão e açaí, produzidos com cafés cultivados em fazendas próprias. São cerca de 15 mil sacas anuais de grãos especiais. “A ideia é reforçar o que mais valorizamos na marca, como a tradição, a qualidade, a sedução e a paixão”, diz. Foi por causa de Liana que os cafés da fazenda Baggio ganharam marca própria há uma década. E junto vieram os prêmios. No ano passado, por exemplo, foram dois nos concursos da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic): o Melhores da Qualidade e o Consistência e Qualidade. Além do mercado interno, a Baggio também está exportando grãos especiais para o Uruguai, os Estados Unidos e a Rússia.

“A missão é fazer sempre o melhor café e estamos no caminho certo”, afirma Liana, hoje com 54 anos. Há cerca de 30 anos, a empresária poderia ter seguido um caminho diferente. Liana chegou a se formar no curso de letras, mas jamais atuou na área. Falou mais forte a tradição cafeeira familiar. Ela faz parte da quarta geração Baggio, que produz no interior paulista desde 1886, atividade iniciada pelo bisavô italiano Salvatore Baggio. O sobrenome Ometto vem do marido, Cesar Krug Ometto, primo do usineiro Rubens Ometto, do grupo Cosan, um dos gigantes do País no setor de bioenergia. “Eu acompanhei de perto a produção de café de meu avô e depois de meu pai”, diz Liana. “O grão é uma de minhas paixões e tinha de fazer dele a minha principal atividade.” 


Tereza Vendramini, do NFA “A qualidade da informacão leva ao aprimoramento do negócio em todas as fases de sua gestão”

A decisão de criar uma marca foi fruto de um lento processo de amadurecimento profissional de Liana, que começou atuar no setor na década de 1990. Devagar e com o objetivo de se tornar, antes de tudo, uma conhecedora de processos, ela fez uma série de cursos, dentre os quais o de marketing e planejamento estratégico na Fundação Getúlio Vargas. No ano passado, por exemplo, a empresária estava de volta ao banco escolar, desta vez para o curso de negociações internacionais na Escola Superior de Propaganda e Marketing de São Paulo. “Aprender e conhecer sempre resulta em ajustes, correções e inovações no negócio”, afirma ela.

A atitude de Liana, ao ir além do cultivo do grão, é um exemplo de como o comando feminino tem trazido algo diferente na gestão do agronegócio: um tato mais organizacional, sem atropelos e de forma planejada. É o que diz Jeffrey Abrahams, sócio da consultoria Fesap, especializada em seleção de altos executivos. Para ele, a gestão feminina dá maior ênfase a relações harmônicas perante o mercado.

Ou seja, as mulheres são assertivas e focadas no fazer acontecer. “Na gestão feminina, deixa de sobressair características como a da garantia de domínios ou da alta combatividade, como geralmente são definidas as gestões masculinas”, diz Abrahams.

O movimento feminino no agronegócio, que tem referências históricas na área de pesquisa, como é o caso da agrônoma Ana Maria Primavesi, de 96 anos, vem ganhando cada vez mais corpo com mulheres empresárias, como é o caso das 25 fazendeiras do Núcleo Feminino do Agronegócio (NFA), fundado em 2010.  Não por acaso, nos dias 25 e 26 de outubro acontece em São Paulo o 1º Congresso Nacional das Mulheres do Agronegócio, promovido pelo Transamérica Expo Center, no qual estarão algumas mulheres do NFA, entre elas a pecuarista e presidente do grupo Tereza Cristina Vendramini, da fazenda Jacutinga TC, em Flórida Paulista (SP). “É uma necessidade compartilhar conhecimento”, diz Tereza Cristina. “Porque a qualidade da informação leva ao aprimoramento do negócio em todas as fases de sua gestão”.

No caso de Liana, o que a empresária deseja é manter um negócio no qual a qualidade seja a principal referência de mercado. “Não desejamos ser grandes, queremos ser especiais como grife de café”, diz a empresária. A Baggio Café, com
15 funcionários diretos e 18 indiretos, processa 108 toneladas de grãos por ano. No ano passado, a receita foi de R$ 3,5 milhões, mas a meta de Liana para os próximos anos é duplicar a capacidade de torrefação para cerca de 216 toneladas, além de agregar novos produtos, como o café gelado pronto para beber. “Quero inovar sempre, por isso busco como meta algo diferente e de qualidade para fazer na vida”, afirma. “Acredito que muitas outras pessoas são assim como eu.”