O Campo Digital

A internet das coisas avança no campo

A internet das coisas avança no campo

Não vai demorar muito para que as máquinas e os implementos agrícolas conversem mais abertamente uns com os outros. Essa é a internet das coisas (IoT, na sigla em inglês), definida por uma rede de objetos físicos, veículos, prédios e outros aparelhos com tecnologia embarcada para coletar e transmitir dados. O futuro é ter tratores, plantadeiras, colhedoras, pivôs, drones, estações meteorológicas e até caminhões graneleiros conectados com o auxílio de sistemas de inteligência artificial em computação em nuvem. Tudo isso para garantir as melhores tomadas de decisão na produção agropecuária. A Associação Brasileira da Internet das Coisas (Abic) estima que na safra 2018/2019 sejam investidos pelo menos R$ 100 milhões nesse setor. Confira outros números dessa era tecnológica para o campo.

INVESTIMENTO
Inseto na ração

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A sul-africana Agriprotein está atraindo a atenção para o seu negócio de produção de proteína à base de insetos para servir de ração na dieta de peixes. Fundada em 2008, a startup recebeu US$ 105 milhões de um fundo de investimentos não revelado. Segundo a plataforma online de investimentos Agfunder, este foi o maior aporte já feito nesse tipo de negócio. Até então, a companhia havia recebido um aporte de capital de US$ 17,5 milhões. A Agriprotein utiliza lixo para alimentar um tipo de mosca que se transforma em ração. Por ano, a startup produz cerca de sete mil toneladas do produto.

PECUÁRIA
Alerta digital de bons negócios

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O aplicativo BeefTrader, da piracicabana @Tech, vai dar uma mãozinha ao pecuarista no momento de vender o boi. Cruzando os dados de peso, idade e cobertura de gordura, além dos preços nos mercados físico e futuro, o programa traça as melhores recomendações do momento exato para a comercialização dos animais. Colocado no mercado recentemente, o BeefTrader é uma ferramenta de pecuária de precisão, que foi desenvolvida durante três anos de pesquisa, recebendo um aporte de investimentos de R$ 1,5 milhão.

TERRAS
Registro mais rápido

Uma equipe de pesquisadores da Universidade de Campinas (SP) está tornando mais tecnológico e preciso o registro de terras no País, a partir de uma ferramenta desenvolvida pela agência holandesa Kadaster. A novidade usa tablets, aparelhos de georreferenciamento, receptor de dados e imagens de drones como método de comprovação de ocupação de terras na agricultura familiar. Desde o início do ano, a ferramenta permitiu a regularização de terras de 50 propriedades de agricultores familiares no Estado de Mato Grosso.

DELIVERY
Da fazenda para o consumidor

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Na criação de animais, o conceito de rastreabilidade tem se tornado cada vez mais abrangente. Para o consumidor, o próximo passo vai além de saber a origem exata de onde está vindo a carne que come. Ele poderá escolher a fazenda onde comprará o produto. Esse é o modelo de negócio da startup CrowdCow, de Seattle, no Estado de Washington. Os pedidos podem ser feitos no site da empresa, com opções de carnes bovina, suína, de aves e de peixes. Recentemente a startup recebeu US$ 8 milhões de investimentos do fundo Madrona Venture Group, do ator americano Ashton Kutcher.

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LEITE
Fundação Gates aposta em tecnologia indiana

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A indiana Stellapps Technologies passou a ser uma das queridinhas da Fundação Bill & Melinda Gates. Recentemente, a startup anunciou um aporte de US$ 14 milhões vindos da organização que pertence ao magnata americano da computação e criador do Windows, Bill Gattes, e sua esposa Melinda. Esta foi a primeira vez que a fundação investiu em um empreendimento na Índia. Fundada em 2011 e baseada em tecnologias de internet das coisas, a startup desenvolve aplicativos que fazem análises de dados e da cadeia de suprimentos para fazendas leiteiras. Podem ser cruzados, por exemplo, dados da produção de leite com a demanda do produto no mercado.

INOVAÇÃO
A estufa que fala do mundo

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A agtech neozelandesa Autogrow vem criando o primeiro sistema inteligente de cultivo protegido do mundo, capaz de falar com o produtor. Combinando computação em nuvem e a interface de inteligência virtual Alexa, da americana Amazon, a companhia conseguiu fazer com os produtores tenham respostas, por voz do sistema, sobre o desenvolvimento das plantas em estufas. Como, por exemplo, o nível de pH da água, a umidade, a temperatura e a iluminação. Além disso, ele poderá acionar a distribuição de adubo por água ou ar.

GENÉTICA
Celular no melhoramento animal

A Associação Nacional de Criadores e Pesquisadores (ANCP) lançou o aplicativo para consulta de avaliação genética de reprodutores. Através do aplicativo são registradas as avaliações genéticas dos rebanhos. As informações podem ser acessadas por diversos filtros, como idade, peso, entre outros. A inovação é indicada para tablets e smartphones, é gratuita e pode ser baixada nas lojas de aplicativos do Google Play ou da Apple Store.

SELEÇÃO
Nova rodada para as startups brasileiras

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O fundo BR Startups, idealizado pela americana Microsoft e gerida pelo carioca MSW Capital, investirá até
R$ 3 milhões em empresas iniciantes de inovação e tecnologia. Serão contemplados, entre outros segmentos, as agtechs. Criado em 2014 e formado por grandes corporações, como Microsoft, Monsanto, banco Votorantim, grupo Algar, Banco do Brasil Seguros, Qualcomm, ES Ventures e AgeRio, o fundo já captou R$ 27 milhões. Em 2017, a agtech TBIT, de Lavras (MG), foi uma das contempladas do BR Startups. A empresa detém uma tecnologia para avaliação de grãos de soja.