Cocheira

ABCZ à espera de Bolsonaro

Crédito: Divulgação

Foram raras as vezes em que um presidente da República deixou de participar da abertura da Exposição Internacional das Raças Zebuínas (Expozebu), que acontece em Uberaba (MG). Desde a era Vargas, nos anos 1940, quando o parque Fernando Costa foi inaugurado, apenas em duas ocasiões o mandatário da Nação não compareceu ao evento.

Agendada para começar no próximo dia 27 e terminar em 5 de maio, a feira comemorará os 100 anos da criação da Associação Brasileira de Criadores de Zebu (ABCZ) e já tem confirmadas as presenças do presidente Jair Bolsonaro e da ministra da Agricultura, Teresa Cristina. Em 2017, Bolsonaro visitou a sede da ABCZ, ainda como deputado, em busca de apoio político. E foi correspondido. Agora, de acordo com Arnaldo Manuel Machado Borges, presidente da entidade, o setor levará a Bolsonaro uma pauta com reivindicações. “Nós acreditamos que a pecuária tem muito a contribuir com o País, no desenvolvimento interno, nas exportações, na geração de empregos”, disse Borges, em março, durante a apresentação oficial da agenda
de Uberaba. “Vamos conversar com o presidente sobre esses temas.”

Soja
Papo com o governo

Istock

Um grupo de produtores liderados por Bartolomeu Braz, presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil), esteve com representantes do governo federal no mês passado, numa reunião a portas fechadas. Na pauta, estavam temas como seguro, exportação, crédito e a ameaça da extinção da Lei Kandir. A maior reclamação do setor é contundente e delicada: plantar soja está caro demais, deixando produtores endividados. “Antes, com 40 sacas por hectare, tínhamos renda. Agora, produzimos mais de 60 sacas por hectare e não temos renda”, diz Braz.

A reunião foi parte de uma agenda com uma série de encontros para discutir políticas públicas para tornar o agronegócio brasileiro mais competitivo.

Índios 
A dança das cadeiras

Mayke Toscano

Desde janeiro, a competência para a demarcação de terras indígenas passa por uma disputa de cabo de guerra. Antes, o encargo cabia à Fundação Nacional do Índio (Funai), absorvida pela pasta dos Direitos Humanos, da ministra Damares Alves. Mas o governo já sinalizou que a função das demarcações caberá ao Ministério da Agricultura, por meio do Instituto Nacional de Colonização Agrária (INCRA). Ocorre que, até agora, essa passagem não aconteceu por disputas internas de poder. Hoje, o governo possui na mesa 425 processos de demarcação parados.

Comissão europeia  
Um duro golpe na palma

Divulgação

O mundo produz 72 milhões de toneladas de óleo de palma por ano, com 80% concentradas na Indonésia e na Malásia. O Brasil produz cerca de meio milhão de toneladas em 230 mil hectares, mas também deve pagar por uma conta que acaba de ser apresentada pela Comissão Europeia: para biodiesel, o óleo de palma sai da categoria de energia renovável. A comissão decidiu que esse produto leva risco de desmatamento e que sua expansão se faz sobre áreas de floresta onde se concentram altos estoques de carbono.