O Campo em números

Altas expectativas

Crédito: BIO BAREIRA

Apesar da queda em valor e volumes nos últimos três anos, as exportações brasileiras de tabaco prometem encerrar o ano com uma alta considerável. A tendência é de um acréscimo de 6% a 10% em dólares e de 10% a 15% no volume de tabaco embarcado até o final de 2019 em comparação a 2018. O prognóstico veio de uma pesquisa encomendada pelo Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (Sinditabaco) junto à consultoria americana PriceWaterhouseCoopers (PWC). Isso pode significar até US$ 2,2 bilhões de receita por 530,1 mil toneladas de fumo exportadas. Segundo a entidade, o aumento se deve à postergação de embarques para a China que aconteceriam no final de 2018 para o início de 2019. Atualmente, o Brasil detém de 25% a 30% dos negócios mundiais de tabaco e o levantamento aponta a continuidade dessa liderança.

AGRESTE
Financiamento participativo

Istock

A comunidade de produtores rurais da região do município de Borborema (PB) está entre as oito regiões que vão ser atendidas pelo Fundo Competitivo do Projeto Innova AF. Idealizado no ano passado, o fundo é uma criação do Instituto Interamericano da Cooperação para a Agricultura e do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola. O total dos recursos é de US$ 884 mil. Além do Brasil, estão programados projetos na Bolívia, Colômbia, Equador, Guatemala, Honduras, México e República Dominicana. Cada país poderá ter até US$ 110,5 mil. A seleção dos projetos será por uma concorrência pública, sendo contemplada a instituição que mais propor inovações com ênfase no combate às mudanças climáticas.

CEPEA
Mais indicadores ao produtor

O Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq), de Piracicaba (SP), lança uma nova série de dados de referência. Trata-se do Índices de Preços ao Produtor de Grupos de Produtos Agropecuários (IPPA). De divulgação mensal, o indicador abarca a produção de grãos, pecuária e hortifruti, além de um de um índice geral, o IPPA/Cepea, de reúne todos os demais, num dado único. A ideia é fornecer uma referência das interações da agropecuária com o restante dos setores da economia e com o consumidor brasileiro.

INVESTIMENTO
Elanco vai às compras

Depois de garfar todo o negócio de saúde animal da alemã Bayer por US$ 7,6 bilhões, a americana Elanco anunciou a aquisição da Prevtec Microbia, referência no desenvolvimento de vacinas para suínos por US$ 59,5 milhões. Independente de sua controladora, a farmacêutica Eli Lilly, desde de março, a Elanco deve duplicar a sua divisão de produtos para animais de companhia só com a aquisição dos negócios da Bayer. “Unir a Elanco à Bayer fortalece e acelera nossa estratégia de inovação, portfólio e produtividade”, diz Jeffrey Simmons, presidente da Elanco. A empresa faturou globalmente US$ 3,1 bilhões no ano passado e pode chegar a US$ 4,7 bilhões com as novas aquisições, saindo da 4ª para a 2ª posição das maiores empresas do setor no mundo.

CRÉDITO
Chamariz de dinheiro internacional

Divulgação
O mercado de títulos de dívida do campo podem ganhar notoriedade internacional. Isso se deve à medida provisória batizada de “MP do Agro”, a qual vai permitir a indexação em moeda estrangeira sobre esses títulos. Entre esses papéis estão os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) e a Cédula do Produtor Rural (CPR). A iniciativa é do próprio Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). A estimativa é que essa medida possa atrair fundos de investimentos para a agropecuária brasileira de até R$ 25 bilhões, a cada safra agrícola. Pela MP, a CPR seria isenta de imposto sobre operações de crédito, câmbio e seguros (IOF) quando transformada em ativo financeiro e vendida de um credor para outro.

EXPORTAÇÃO

“Somos os grandes fornecedores de alimentos do mundo. todavia, em razão desse protagonismo, pagamos o preço de enfrentar barreiras tarifárias e não tarifárias” Tereza Cristina, ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Crédito:Marcelo Camargo/Agência Brasil)

MÁQUINAS
Cada uma para o seu lado

Nicole Pereira

A CNH Industrial mudará de cara nos próximos 5 anos. A empresa ítalo-americana montadora de máquinas agrícolas e de construção, caminhões, ônibus e motores se dividirá em duas. De um lado, ficará uma empresa com o portfólio “de estrada”, com os caminhões, ônibus e motores. Do outro, uma companhia com os produtos “fora de estrada”, como as máquinas agrícolas e de construção. A companhia anunciou esse plano recentemente na Bolsa de Nova York, nos Estados Unidos. Além da divisão, o grupo aportará investimentos de US$ 13 bilhões até 2024 e a projeção de crescimento de vendas a uma taxa 5%. Se a empresa conquistar essa meta sai de um faturamento total de US$ 29,7 bilhões, em 2018, para US$ 37,9, em 2024.

Análise do Mês
Brasil aumenta exportação de etanol para a Califórnia

“Etanol brasileiro enviado até o momento representa quase o dobro do volume exportado em todo o ano de 2018” Guilherme Nastari, diretor DATAGRO Consultoria

Mais dois navios foram programados para carregar etanol à Califórnia, em agosto, de acordo com o Line-up da Datagro. Os navios Dvina Gulf e Sadah Silver foram agendados para carregar 17.960 metros cúbicos e 40.000 metros cúbicos no porto de Santos. Com isso, o Brasil já enviou para a costa oeste dos Estados Unidos 486 mil metros cúbicos, quase o dobro do exportado em 2018. Os embarques devem permanecer aquecidos nos próximos meses, uma vez que a arbitragem continua aberta para o etanol brasileiro. Conforme estimativa da Datagro, o etanol saindo de Santos chega à Califórnia por um preço CIF em torno de 12% abaixo do praticado no mercado californiano. A janela mais favorável para exportação resulta de três fatores: a valorização do dólar, pois em um mês a moeda americana subiu 4% ante o real, mais que compensando a firmeza do preço do etanol anidro em São Paulo; o aumento do spread entre os preços dos RINs D5 e D6, já que por conta da decisão da EPA em isentar algumas refinarias do compromisso de atender as metas do RFS, o preço do RIN D6 (etanol de milho) despencou de US$ 0,22 por galão para US$ 0,17, elevando o spread com relação ao RIN D5 (etanol avançado) em 42%; e o aumento do preço do carbono no âmbito do LCFS – em um ano o preço avançou 5%, para US$ 196 por mil toneladas, o que comanda um prêmio de US$ 184 a 252 por metro cúbico sobre o etanol brasileiro.

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