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Bodas de prata na pista

A raça Brahman, originária dos Estados Unidos, completa 25 anos no Brasil

Crédito: Frederic Jean

BOAS MÃES A Casa Branca Agropastoril apostou no brahman para produzir touros no campo (Crédito: Frederic Jean)

No dia 6 de maio de 1994, a Associação Brasileira de Criadores de Zebu (ABCZ) registrou, em seus livros oficiais, os dois primeiros animais da raça de origem americana brahman. Eram apenas um macho e uma fêmea. Atualmente, no banco de dados da entidade, ha informações zootécnicas de 342 mil animais, como peso, idade e reprodução. O rebanho registrado é de 150 mil bovinos em atividade. Para marcar a data, a comemoração dos 25 anos do brahman no Brasil aconteceu na pista da Expozebu, no mês passado, em Uberaba, interior de Minas Gerais (leia mais na pág. 48). “Nós temos um desafio, porque, para qualquer raça, a maturação de um mercado demora muito tempo”, diz Paulo Scatolin, presidente da Associação dos Criadores de Brahman do Brasil. “No início, muita gente entrou na criação e acabou saindo. Principalmente no período de 2005 a 2010.” Scatolin se refere à desaceleração do cruzamento industrial à época, quando os frigoríficos passaram a exigir animais com mais cobertura de gordura. “Muitos pecuaristas não sabiam terminar os cruzados industriais para abate”, afirma. “Mas esse tempo já passou. Nos últimos três anos, o número de registro de brahman puro voltou a crescer.”

“Para qualquer raça, a maturação de um mercado demora muito tempo” Paulo Scatolin, presidente da ACBB (Crédito:Divulgação)

O mercado da raça tem sido sustentado por produtores que não desistiram de suas criações. Um deles é o empresário da indústria farmacêutica Paulo de Castro Marques, da Casa Branca Agropastoril, em Pouso Alegre (MG). A persistência fez dele o grande vencedor das pistas de Uberaba neste ano. Além de ter levado o título de melhor criador, Marques também fez os grandes campeões, macho e fêmea. “Não desistimos. Para nós, o mercado de touros nunca foi ruim”, diz a filha do pecuarista, Fabiana Marques, 32 anos.

No ano passado, a Casa Branca vendeu 70 reprodutores. O período coincide com o momento em que Fabiana passou a ser a responsável pela administração financeira da empresa. “Precisamos entender que modelo de touro o mercado demanda”, afirma ela. Hoje, o Brasil não chega a produzir um terço dos touros melhoradores de que necessita, um potencial estimado em cerca de 300 mil por safra.

Para o zootecnista Fernando Meirelles, que avaliou os 50 animais em julgamento da Expozebu, buscar pela precocidade faz a diferença para o melhoramento genético do brahman. Nos rebanhos comerciais, são os touros que passam mais rapidamente suas qualidades para a frente. “Precocidade significa dinheiro”, diz Meirelles. “No valor da arroba, quanto mais cedo chegar lá, mais barato ela é.” Puma e Party, os vencedores da Casa Branca, foram campeões aos 2 anos. Para Meirelles, é esse tipo de animal que ajudará a melhorar o gado no pasto.