As Melhores da Dinheiro Rural 2018

Cada vez mais perto do cooperado

Para garantir bons resultados, a receita da mineira Coagril e da catarinense Cooperja é ficar cada vez mais perto de quem produz

Crédito: Welismar Tavares

José Carlos Ferrigolo: o presidente da Coagril diz que os produtores têm feito a lição de casa e aumentado a produção em todas as safras (Crédito: Welismar Tavares)

Grande cooperativa

O cooperativismo é uma atividade que prevê a colaboração e a associação de pessoas ou grupos com os mesmos interesses. O agronegócio brasileiro tem um destaque muito grande nesse ramo, com grupos internacionalmente conhecidos, seja pelo seu tamanho, estrutura ou pelo trabalho que desempenham junto a seus cooperados. Cooperativas de todos os portes atuam em praticamente todo o território nacional. Com um trabalho realizado há mais de três décadas, a Cooperativa Agrícola de Unaí (Coagril), com sede nesse município mineiro, encontrou em uma demanda de produtores da região um nicho de mercado para reforçar seu protagonismo. Diferentemente da maioria das cooperativas agropecuárias, que se caracterizam por reunir donos de propriedades de pequenos portes, a Coagril tem como característica produtores com uma área média de 2 mil hectares. “Nosso projeto é diferente da média do mercado”, afirma José Carlos Ferrigolo, 59 anos, presidente da Coagril. “Temos produtores de grande porte para os padrões nacionais, que atuam de forma muito planejada e que possuem características específicas.”

A Coagril foi eleita a Grande Cooperativa do prêmio As MELHORES DA DINHEIRO RURAL, vencendo também em Gestão Corporativa. Estão ligados a ela 350 produtores que cultivam cerca de 150 mil hectares. No ano passado, a receita da Coagril foi de R$ 665,3 milhões. A predominância são as lavouras de soja e milho, mas também há outras culturas, como café, feijão, sorgo e algodão. No caso do feijão, o município de Unaí vem se tornando referência no plantio irrigado, com cerca de 80 mil hectares por safra, dos quais 30% estão no sistema.

A cooperativa nasceu em 1985 e cresceu com a estratégia de atender por completo ao produtor da região do Cerrado Mineiro, que utiliza um maior grau de tecnologias nas lavouras. Para isso, a Coagril traçou um plano para oferecer uma maior escala ao produtor no momento da compra de insumos e na venda da produção. Foi assim que ela passou a negociar junto às empresas de insumos produtos a preços mais convidativos, como fertilizantes, sementes e defensivos agrícolas. Além disso, montou um pacote de serviços logísticos e de recepção da produção que é depositada nos armazéns da cooperativa. A capacidade de estocagem é de quase 160 mil toneladas.

Vanir Zanatta, da cooperja: em 2017, os associados bateram recorde
de produção. “Foram 4,6 milhões de sacas de 50 quilos“, comemora Zanatta (Crédito:Divulgação)

Na gestão do negócio, o foco da Coagril é levar o produtor a ter no campo a maior escala possível de produção. “Nossa vantagem ao cooperado não está na distribuição das sobras”, diz Ferrigolo. “O que buscamos é o melhor preço para a produção que recebemos.” A sobra é o que seria o lucro de uma empresa privada. A estratégia da cooperativa visa atender às tradings que geralmente demandam por maiores volumes, em troca de algum tipo de benefício – no caso, os prêmios. E claro, a compra mais barata de insumos aos cooperados. “Temos de ser mais competitivos que o mercado”, afirma Ferrigolo. “Porque 90% dos nossos cooperados têm condições de negociar diretamente com os fornecedores e com as tradings, devido a seu porte.” A estratégia tem chamado a atenção de outros produtores. Neste ano, o número de associados cresceu 20%, mostrando que a gestão está na rota certa.

Outro bom exemplo vem do sul de Santa Catarina, onde fica a sede da cooperativa com a melhor Gestão Financeira na categoria Grandes Cooperativas. Com quase 50 anos de história, a Cooperativa Agroindustrial Cooperja, com sede no município de Jacinto Machado, localizado no extremo do Estado, está em uma região montanhosa e de pequenos produtores. A atuação é diversificada. São 1,8 mil cooperados que cultivam uma área de cerca de 100 mil hectares de arroz, milho, soja, fumo, maracujá e banana.

A cooperativa, que nasceu em uma região forte na produção de arroz, tem o grão como destaque no campo. Atualmente, são cultivados 32 mil hectares. Em 2017, os cooperados bateram recorde de produção, ao tirarem do campo 4,6 milhões de sacas de 50 quilos. “O arroz responde por 65% do nosso faturamento”, diz Vanir Zanatta, 54 anos, presidente da Cooperja. “Este ano, o mercado começou a ficar demandado e estávamos bem estocados para atender aos compradores”, explica.

O arroz já representou 80% da receita da cooperativa. Foi a opção pela diversidade que trouxe estabilidade e crescimento para os produtores. No ano passado, a Cooperja faturou R$ 436,4 milhões, dos quais R$ 14 milhões foram distribuídos aos produtores. “A expectativa é terminar 2018 também com crescimento e com mais resultado, para ter uma distribuição de sobras ainda maior”, diz Zanatta. Um dos investimentos em busca de melhor desempenho das propriedades rurais começou há 3 anos.
A cooperativa passou a oferecer consultoria direta às propriedades, com a contratação da MPrado, de Uberlândia (MG), uma das mais conceituadas do País em gestão corporativa. Para dar suporte técnico e de gestão aos produtores, foi criado o programa Avante, no qual consultores externos visitam as propriedades.

A ideia é que os produtores tenham um controle mais efetivo dos custos de produção, que consigam identificar as lavouras mais rentáveis e planejem com critério os investimentos em máquinas e equipamentos. “O programa foi bem interessante em 2017”, afirma Zanatta. “Este ano, tivemos uma inversão das previsões. No arroz e na soja, só levou vantagem quem comercializou na safra. No caso do milho, foi o contrário. Quem conseguiu esperar, ganhou mais“, destaca Zanatta.

A Cooperja ainda atua com três unidades industriais, uma rede de postos e de distribuição de combustível, uma unidade de beneficiamento de sementes, uma unidade de recebimento de frutas e uma fábrica de ração, além de marcas de produtos que são comercializados nos supermercados. Os supermercados, por exemplo, representam R$ 52 milhões em receita, 12% do faturamento total. Segundo Zanatta, as quatro lojas e o centro de distribuição que compõem a rede nasceram da necessidade dos associados em ter um local onde abastecer suas residências. Mas eles foram além. A rede trouxe renda para a cooperativa e se tornou um fator de desenvolvimento econômico nos municípios onde estão inseridos, por atrair consumidores do entorno. “Por isso, os investimentos em melhorias nos supermercados continuam acontecendo, atendendo a sugestões dos associados”, observa Zanatta. “Hoje, temos projeto de construção de novas lojas e ampliação das que existem, para ofertar um mix ainda maior de produtos.”