Porteira Aberta

Cerrado mais preservado

Crédito: CELSO JUNIOR

A região do Cerrado ocupa 204 milhões de hectares. Ela é o segundo maior bioma do Brasil, com metade da área ainda preservada. Em 2017, de acordo com um estudo elaborado pela Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) e pela The Nature Conservancy, houve a menor taxa de desmatamento dos últimos 16 anos. De acordo com o estudo, a soja no Cerrado poderia crescer sem necessidade de desmatamento nos próximos 50 anos, somente incorporando áreas que já foram abertas. Hoje há na região 25,4 milhões de hectares de áreas já abertas e com alta aptidão para produção agrícola. As fazendas de soja ocupam 19% da área do Cerrado, equivalente a 39,1 milhões de hectares.

Aves
Um parceiro para novos vôos

Marco Ankosqui

O Brasil não é apenas um grande produtor de frangos. O País também está entre os maiores desenvolvedores de genética animal. Até janeiro, a Embrapa recebe propostas de empresas da área de genética agrícolas, interessadas na cooperação técnica-financeira para a multiplicação e a exploração comercial de matrizes das linhagens de aves Embrapa 021 e Embrapa 051. A parceria de cinco anos renovada para mais cinco, com uma única empresa, dá direito exclusivo no País e no exterior ao uso da marca mista “Tecnologia Embrapa”. A infraestrutura de alojamento das linhagens está na unidade Suínos e Aves, em Concórdia (SC) e o parceiro, necessariamente, deve possuir um estabelecimento classificado como granja e incubatório de aves bisavós.

Orgânicos
Brasil e Chile querem mais protagonismo

O Brasil e o Chile são parceiros comerciais tradicionais, mas a relação ainda é pequena. No ano passado, o Brasil comprou produtos no valor de US$ 1,1 bilhão. A maior parte, US$ 590,9 milhões foi com 83,7 mil toneladas de pescados, seguidos por frutas e bebidas. As vendas ao Chile chegaram a US$ 991,9 milhões, sendo a maior parte em carnes, com US$ 444,4 milhões, e produtos florestais por US$ 168,7 milhões. Agora, os dois países se abriram para negociar produtos orgânicos. Em setembro, o embaixador do Chile no Brasil, Fernando Schmidt Ariztía, esteve com o ministro da Agricultura Blairo Maggi, ocasião em que foi assinado um memorando. A ideia é que seja elaborado um plano sobre as possibilidades de comércio entre os dois países. No Brasil há 16 mil produtores de orgânicos, que vão de açúcar a carnes. No ano passado, a renda com as exportações foi de US$ 150 milhões, de acordo com Organics Brasil, entidade que congrega 50 empresas do setor.

Aftosa
Fronteira protegida

José Souza

Um acordo sanitário entre o Brasil e a Venezuela, que começa a ser colocado em prática neste mês, vai proteger os rebanhos de bovinos e bubalinos da febre aftosa nos municípios de Gran Sabana e Sifontes, no país vizinho, e de Pacaraima, em Roraima. O Brasil vai vacinar todo o rebanho dessa região, com produtos bancados pela iniciativa privada brasileira. As doses necessárias serão repassadas gratuitamente. A Venezuela é o único país da América Latina declarado “não livre” em toda a sua extensão territorial pela Organização Mundial de Saúde Animal, com sede em Paris. A Venezuela possui um rebanho de 15,4 milhões de animais e não há ocorrência de febre aftosa desde abril de 2013.

Uma aliança de proteção

SHEILA GUEBARA, coordenadora da Aliança (Crédito:Gerardo Lazzari)

As indústrias de saúde e de nutrição animal, além de entidades do setor, criaram a Aliança da Proteína Animal. A ideia é desenvolver ações visando o uso adequado de antibióticos, em linha com o Plano de Ação Nacional para a Prevenção e Controle da Resistência aos Antimicrobianos (PAN-BR Agro), do Mapa. A engenheira ambiental Sheila Guebara é a coordenadora da nova entidade.

Por que o tema precisa de uma ação conjunta do setor?
Há cerca de um ano, diversas entidades foram convidadas pelo Mapa para discutir o PAN-BR. Com a criação dessa aliança podemos trabalhar de forma coordenada para garantir o alinhamento da cadeia produtiva de proteína animal.

Quais os pontos principais dessa ação?
Há seis princípios básicos: proteger a saúde e o bem-estar animal em linha com a humana; promover o uso racional e responsável de antibióticos; incentivar o desenvolvimento de novos produtos e tecnologias; promover a prevenção de doenças e o maior acesso a medicamentos, tecnologias e conhecimento; e aumentar a transparência e melhorar a comunicação, especialmente com o consumidor final.

Quais as ações já previstas?
A prioridade é o lançar o Sistema de Coleta de Informações de Antimicrobianos (SCIA), criado pela Organização Internacional de Saúde Animal (OIE). O objetivo é ter um banco de dados nacional, com informações completas sobre o uso de antimicrobianos, nos mesmos moldes de países como Dinamarca, Holanda e Estados Unidos. Outra ação é a estruturação de um programa de logística reversa de embalagens de medicamentos veterinários.

O movimento dispõe de recursos?
As ações têm sido custeadas pelas instituições parceiras. Nos próximos meses deve ser definido o modelo de governança e discutidas as diretrizes de gestão financeira da entidade.

Florestas plantadas
Árvores para a década

Shutterstock

Uma consulta pública, aberta no mês passado pelo ministério da Agricultura, pretende receber contribuições para aprimorar o Plano Nacional de Desenvolvimento de Florestas Plantadas (PlantarFlorestas). Com isso, a ideia é planejar ações para os próximos dez anos. No País, a área cultivada com árvores é de cerca de dez milhões de hectares, com destaque para o eucalipto, o pinus e a acácia. O cultivo está concentrado nos Estados de Minas Gerais, Rio Grande do Sul, São Paulo e Mato Grosso do Sul. O projeto é aumentar as florestas comercias em dois milhões de hectares, turbinando um setor que emprega 510 mil pessoas diretamente e tem um valor de produção anual da ordem de R$ 18,5 bilhões.

Angus
Produtores na estrada

DIVULGAÇÃO

No mês passado, como parte das comemorações de 15 anos da criação do Programa Carne Angus Certificada, coordenado pela associação brasileira da raça, 250 produtores se reuniram para um circuito que incluiu um série de debates e a visita a quatro propriedades gaúchas. Foram elas, a estância Tradição e granja Mangueira, no município de Santa Vitória do Palmar, a granja Quatro Irmãos, em Rio Grande, e a estância Santa Eulália, em Pelotas. Todos os anos são paridos 3,5 milhões de bezerros com sangue angus no País, 7% do total de nascimentos. “Lá no início dizíamos aos pecuaristas: acreditem, nós vamos conseguir ganhar pelo novilho de qualidade”, diz Fábio Medeiros, gerente do programa. Hoje, são certificados cerca de 500 mil animais ao ano, abatidos em frigoríficos de 12 Estados.

Exportação
Couro sem fronteira

A Câmara de Comércio Exterior (Camex), órgão integrante do conselho de governo, aprovou a retirada de alíquotas da ordem de 9% aplicadas sobre a exportação de couro. Para os produtos wet blue, ela vigora há 18 anos e para o couro salgado, há 26 anos. A medida visava a proteção dos curtumes nacionais, mas, de acordo com o ministério da Agricultura, o imposto era distorcivo. Agora, o plano é traçar uma estratégia de desenvolvimento para toda a cadeia do couro. O pedido da retirada da alíquota era uma demanda da Associação Brasileira de Frigorífico (Abrafrigo) referendada pela Sociedade Rural Brasileira, pela Confederação Nacional de Agricultura e pela Associação Brasileira de Criadores. No ano passado, o País exportou 17,8 mil toneladas de couro bovino, por US$ 337,5 milhões.

Fibria
Uma marcada internacional

A Fibria, uma das maiores empresas do setor florestal, que faturou no ano passado R$ 11,7 bilhões e que foi comprada no início deste ano pela Suzano, da família Feffer, foi selecionada para compor a carteira 2018-2019 do Índice Dow Jones de Sustentabilidade de Mercados Emergentes (DJSI, na sigla em inglês), da bolsa de valores de Nova York. Entre as empresas do setor, a Fibria foi a única contemplada. O índice é uma das principais referências do mercado financeiro internacional. Ele mostra as melhores práticas em governança corporativa, gestão ambiental, desenvolvimento do capital humano e engajamento social.

Fundo Amazônia
Mais peixe na pesquisa

Divulgação

A Embrapa Pesca e Aquicultura, com sede no município de Palmas (TO), está iniciando quatro projetos financiados pelo Fundo Amazônia, que é sustentado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). No total, a unidade da Embrapa aprovou 19 propostas a serem implantadas, visando a redução do desmatamento, a recuperação de áreas degradadas e o uso sustentável do bioma na Amazônia Legal. Eles estão em sete estados do Norte do País, além de Mato Grosso e em parte do Maranhão. O grupo entra na fila, à espera de recursos.

Nelore
Abate com grife

Divulgação

O pecuarista Fábio de Souza Almeida Filho, da fazenda Água Branca, no município de Birigui, interior paulista, abateu 43 fêmeas da raça nelore, sob a supervisão da Associação dos Criadores de Nelore do Brasil (ACNB). O abate realizado em setembro foi o primeiro de uma marca de carne, a Nelore do Golias, oficializado pela Plataforma de Qualidade da Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil, criada em março do ano passado pela entidade. Golias foi um touro importado da Índia na década de 1960, considerado entre os melhores para acabamento de gordura e peso. Para organizar seu banco genético que estava disperso pelo País, Almeida Filho vem realizando um trabalho de resgate dessa linhagem através de cruzamentos para chegar a um animal puro, desde os anos 2000. Com esse monitoramento, a ACNB entra no segmento de produtos de origem chancelados pela entidade.

Sêmen
Qualidade em alta

A central de genética Alta, com sede no Canadá e subsidiária em Uberaba (MG), começa a utilizar no País uma tecnologia inédita para avaliar a qualidade do sêmen de touros destinados à coleta na central. A citometria de fluxo, em um sistema computadorizado, analisa em dez segundos até dez mil células por amostra de sêmen. Assim, na comparação de uma célula com outra, o maior volume confere mais consistência em dados como motilidade, vigor celular e morfologia dos espermatozoides.

Sustentabilidade
AGCO na sociedade

DivulgaçãoA fabricante americana de máquinas agrícolas AGCO, dona de marcas como Massey Ferguson, Valtra e Fendt, criou a AGCO Agriculture Foundation. Com sede na Georgia, Estados Unidos, e uma receita global de US$ 8,3 bilhões no ano passado, 12% acima de 2016, a empresa se alinha às “Metas de Desenvolvimento Sustentável” da Organização das Nações Unidas. Com a fundação, a ideia da AGCO é estruturar as ações da companhia em iniciativas de capacitação de agricultores, acesso à mecanização e a projetos agrícolas em países em desenvolvimento. “Nosso objetivo é dar suporte a iniciativas sem fins lucrativos e que contribuam para a segurança alimentar global”, diz Martin Richenhagen, CEO global do grupo.