O Campo em números

Chinês de cara feia

Chinês de cara feia

No mês passado, o governo chinês abriu um processo antidumping contra a carne de frango brasileira na Organização Mundial de Comércio (OMC). A ação foi solicitada pela China Animal Agriculture Association, representante da indústria do setor, e atendida pelo Ministério do Comércio chinês. Se comprovada a venda do produto por preço menor ao praticado no Brasil, o País pode ser penalizado. A investigação da OMC levará dois anos, mas o país asiático pode começar a taxar os produtos brasileiros antes de concluir as apurações. Terceiro maior importador da carne de frango do Brasil, atrás da Arábia Saudita e do Japão, a China sempre foi considerada o maior mercado com potencial de expansão.

LEITE
Longa vida sob pressão

A indústria de leite longa vida está trabalhando com margem negativa, entre R$ 0,25 e R$ 0,50 por litro na venda ao consumo. Os dados são da Associação Brasileira da Indústria de Leite Longa Vida (ABLV). Em 2016 foram captados 23,2 bilhões de litros e a expectativa para este ano é de 34,9 bilhões de litros, segundo dados da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). A maior oferta, aliada a um ambiente econômico andando a passo lento, é a causa dos preços mais baixos no varejo. Na capital paulista, por exemplo, nos últimos meses houve oferta de leite por até R$ 2 o litro, enquanto a média de preço ao produtor era de R$ 1,38, segundo o Cepea/USP.

FRIGORÍFICO
Ceratti vendida

Divulgação

A brasileira Ceratti, fundada por Giovanni Ceratti e que está na quarta geração, foi vendida por US$ 104 milhões. O novo dono é a americana Hornel Foods, com sede em Austin. Especializada em embutidos, com destaque para a mortadela, em 2016 a Ceratti comercializou 18 mil toneladas de produtos e faturou R$ 300 milhões. Já a americana faturou US$ 9,5 bilhões em 70 países. A receita do primeiro semestre de 2017 foi de US$ 4,5 bilhões. É dona de marcas globais, entre elas a Pepperoni Hormel, Applegate, Jennie-O e Black Label, abatendo 13 milhões de suínos por ano.

Renegociação
Clealco no prumo

Albino Oliveira

O grupo sucroalcooleiro Clealco, de Clementina (SP), fechou um acordo no mês passado para reestruturar dívidas no montante de R$ 1 bilhão com seus credores, entre eles os bancos Itaú, o Rabobank e o Santander. A operação desafogará a empresa de obrigações financeiras na ordem de R$ 600 milhões que vencem nos próximos 12 meses e que foram estendidas para 2019. O grupo possui três usinas no Estado de São Paulo com capacidade para moer dez milhões de toneladas de cana-de-açúcar por safra.

TABACO
A caminho da China

O tabaco brasileiro colhido da safra 2016/2017 está pronto para embarcar à China, após ser aprovado em inspeção e quarentena exigidos pelo país asiático. De acordo com o Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco), a China foi o segundo maior comprador em 2016, logo atrás da Bélgica, país que serve de porta de entrada para o tabaco brasileiro na Europa. Do total exportado, a China levou 43,3 mil, ou 9%. Para 2017, o SindiTabaco estima os mesmos valores.

 

 

 

FINANCIAMENTO
Mais crédito no Sicredi

Divulgação

Na safra 2016/2017, o Sicredi, sistema que reúne 118 cooperativas de crédito, liberou R$ 672 milhões em 12,5 mil operações através do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), com repasses do BNDES. Os dados apresentados no mês passado mostram um crescimento de 18,5% em relação à safra anterior. A cooperativa, com sede em Porto Alegre, possui cerca de 3,5 milhões de associados e está presente em 21 Estados.

Novos negócios
Fertilizante para a JBS

A JBS, da família Batista, vai investir cerca de R$ 30 milhões para criar uma empresa na área de fertilizantes. Ela fará parte da JBS Novos Negócios, unidade criada para transformar os coprodutos e resíduos orgânicos dos confinamentos e do processamento da carne bovina, suína e de frango. A localização da fábrica ainda não foi anunciada, mas a expectativa é que em um ano comecem as operações.

ETANOL
Para cumprir a COP-21

Uma pesquisa encomendada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) sobre o futuro das usinas que processam etanol apontou a necessidade de investimentos da ordem de US$ 31 bilhões até 2030. Isso para que o biocombustível represente até 18% da matriz energética brasileira, ante os atuais 13%. A meta faz parte do compromisso do País, assinado no Acordo do Clima (COP-21), em Paris, como forma de reduzir as emissões de gases de efeito estufa e conter o aquecimento global.

Perspectivas para a safra de açúcar na União Europeia

Guilherme Nastari, economista da Datagro (Crédito:Luisa Santosa)

Após o período de estiagem que assolou boa parte da Europa entre maio e junho, as chuvas retornaram às principais regiões produtoras de açúcar, desde a segunda quinzena de julho, especialmente ao norte e oeste do continente. Como resultado, a Comissão Europeia elevou a sua projeção sobre a produtividade nas lavouras de beterraba na safra 2017/18, de 73,8 t/ha para 74,7 t/ha, índice 0,4% acima do obtido em 2016/17. Na comparação com os últimos cinco anos, o rendimento agrícola estimado para 2017/18 deve ser 3,8% maior. Na França, principal produtor de beterraba do bloco, o rendimento agrícola deve subir 6,1% em relação à safra anterior e 1,8% em comparação à média dos últimos cinco anos, para 89 t/ha.
Com o aumento de 10,3% na área cultivada, espera-se que a produção de açúcar no bloco europeu alcance 20,1 milhões de toneladas em 2017/18. Assim, fruto do fim do regime açucareiro, é esperado que as importações caiam em torno de 50%, para 1,5 milhão de toneladas, enquanto o excedente exportável pode dobrar para 2,8 milhões de toneladas. A União Europeia deverá trabalhar primeiro na recomposição dos seus estoques, que se encontram no menor nível desde 2010/11, antes de entrar no mercado de exportação, para em seguida executar exportações fixadas a preços mais elevados do que os atuais, que deram suporte à expansão do plantio, ou fazer wash-outs e colocar a diferença no caixa.