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Com menos de 10% da área plantada protegida, agricultor brasileiro está exposto a riscos climáticos

Gabriel Bruno de Lemos, head de Subscrição de Seguros Rurais da Swiss Re Corporate Solutions no Brasil

Crédito: Istock

Terra desprotegida: somente para a subsvenção ao seguro são necessários cerca de R$ 1 bilhão por safra (Crédito: Istock)

A atividade econômica com melhor desempenho no cenário brasileiro segue sendo o agronegócio, setor responsável por 23,57% do PIB do país em 2016 (R$ 1,48 trilhão, de acordo com informações da Confederação Nacional da Agricultura) e o menos atingido pela recente crise da economia brasileira. Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia Estatística) divulgados em março de 2018, o crescimento agropecuário em 2017 foi de 13%, bem acima dos números apresentados pela indústria e pelo setor de serviços.

Infelizmente, as medidas de proteção aplicadas ao agronegócio no Brasil ainda estão muito aquém da importância econômica e social do setor para o país. Hoje, apenas 8% das terras reservadas ao desenvolvimento de atividades agrícolas possuem seguro contra ocorrências climáticas, eventos capazes de impactar diretamente receitas e custos de operação do setor.

Desenhado para reparar danos causados por essas ocorrências, o seguro paramétrico de índices climáticos é baseado no comportamento de um índice de um determinado evento climático, como, por exemplo, chuva, temperatura ou vento. No momento em que o índice monitorado é superado, a cobertura é efetivada. A definição desse índice é feita pelo segurado em conjunto com a seguradora e pode tornar a contratação mais eficiente e o pagamento da indenização mais rápido.

Estações meteorológicas oficiais e satélites de alta precisão são usados para coletar os dados utilizados como parâmetro para esse tipo de seguro. Em caso de chuva, por exemplo, um dos indicadores é o volume de precipitação em uma determinada época do ano, definida entre a seguradora e o segurado. Assim como o excesso de chuvas pode atrasar colheitas, afetar a qualidade do produto ou causar a destruição da safra em certas culturas, períodos longos de estiagem podem gerar perdas de produção e atrasar o plantio. Em ambos os casos, a indenização será definida em função da variável meteorológica observada.

Cada apólice do seguro é emitida a partir de um detalhado estudo do negócio do cliente e da definição de parâmetros como volume de precipitação (milímetros de chuva), vazão de um rio, temperaturas extremas, excesso de vento, irradiação solar, variações de temperaturas e alterações causadas pelo El Niño que podem levar à ocorrência de prejuízos para a atividade agrícola de interesse.

Não faltam exemplos de culturas afetadas recentemente por eventos climáticos em todo o mundo. Em 2009, na Argentina, uma intensa seca provocou 35% de quebra na safra de soja. No ano seguinte, a Austrália registrou perdas de 40% em sua safra de grãos, com excesso de chuva da costa Leste e seca prolongada na costa Oeste. No Brasil, as regiões Sudeste e Centro-Oeste sofreram em 2014 a pior seca dos últimos 85 anos.

A importância do agronegócio no Brasil deve continuar crescendo nos próximos anos. Até 2026, o país será o maior produtor de soja do mundo, de acordo com um estudo feito pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico em parceria com a FAO, Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura. Proteger os meios de produção e os frutos dessa atividade é essencial para a saúde da economia brasileira.