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Cotação da soja e do milho deve continuar pressionada na CBOT, diz Rabobank

São Paulo, 17 – O Rabobank considera que os preços da soja e do milho, negociados na Bolsa de Chicago (CBOT, na sigla em inglês), devem continuar pressionados no curto prazo. A perspectiva foi divulgada no relatório trimestral de commodities agrícolas do banco de investimentos.

O banco estima que nos próximos meses as cotações dos futuros de soja permaneçam abaixo de US$ 9/bushel, caso a safra sul-americana ocorra dentro da normalidade. “O ambiente de incertezas decorrentes da indefinição da guerra comercial entre chineses e norte-americanos tem gerado limitações de ganhos em Chicago. Isso ocorre mesmo com a perspectiva de que os EUA produzam abaixo das 100 milhões de toneladas em 2019 devido à perdas pelo clima e redução de área, o que significaria retração superior à 25% frente ao observado no ciclo anterior”, assinalou o Rabobank no relatório.

Além do conflito comercial entre Estados Unidos e China, epidemia da peste suína africana (ASF, na sigla em inglês) também prejudicou as importações chinesas de grãos, que são utilizados para ração animal, destacou o banco. A projeção da instituição financeira é de que a China importe entre 80 milhões e 82 milhões de toneladas do grão em 2019, ante 88 milhões de toneladas adquiridas em 2018. “O principal ponto é que, sem a demanda chinesa, os estoques americanos tendem a se manter elevados nesse próximo ciclo mesmo com a menor produção”, aponta o documento. O Rabobank estima uma queda nas reservas internas de soja dos Estados Unidos, do recorde de 29 milhões de toneladas na safra 2018/19 para 21 milhões de toneladas ao fim da safra 2019/20.

Diante do cenário internacional, a instituição financeira observa que a comercialização da safra 2019/20 deve ser desafiadora para os produtores brasileiros. “A indefinição da guerra comercial e os estoques elevados na Argentina têm limitado avanços significativos nos prêmios de exportação para vencimentos próximos à colheita da safra 2019/20 no Brasil”, assinalou o banco. De acordo com o relatório, somente o câmbio, com o dólar acima do patamar doS R$ 4,10, tem contribuído para os preços da oleaginosa no mercado local. A próxima safra brasileira também tende a ser marcada por uma margem operacional mais apertada, segundo o banco de investimentos. O Rabobank estima que a margem da safra 2019/20 fique em 30%, em comparação com 35% na média das últimas cinco safras.

Para o milho, o Rabobank prevê que os preços internacionais devem ficar limitados abaixo de US$ 4/bushel, em virtude da forte competição entre países exportadores. O banco considera que a melhoria das condições climáticas nas lavouras americanas e a consolidação de produção recorde no Brasil, Argentina e Ucrânia (principais concorrentes dos EUA, como exportadores mundiais do cereal) tende a continuar segurando a recuperação dos preços no mercado internacional.

O Rabobank pondera que, apesar de parte significativa da área de milho nos EUA não ter sido realmente semeada por causa do clima, a intenção do plantio do produtor americano era maior que a prevista anteriormente pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). “Assim, a perspectiva é que a área colhida nessa safra americana seja similar à do último ciclo – aproximadamente 33 milhões de hectares”, estima o banco.

No cenário interno, o Rabobank destaca a perspectiva de exportação recorde de milho, que pode atingir 37 milhões de toneladas em 2019, com a produção superando os 100 milhões de toneladas na safra 2018/19. Sobre os preços no mercado local, o banco avalia que o dólar, acima dos R$ 4,10 ajudou a limitar a desvalorização do cereal. “Essa paridade de exportação deve seguir direcionando os preços no Brasil nos próximos meses”, projeta o banco.