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As Melhores da Dinheiro Rural 202111/01/2022

Custo pressiona, mas setor cresce

A tendência de expansão da área tratada, que alcançou 1,6 bilhão de hectares em 2021, anima os fabricantes de insumos a despeito de alguns obstáculos

(Créditos: Divulgação)
Ingrid Biasioli
Texto por:Ingrid Biasioli11/01/22 - 20h09min

As Melhores da Dinheiro Rural 2021
INSUMOS DO AGRONEGÓCIO

José Gonçalves do Amaral
Empresa: Ihara
Cargo: Presidente

Via de regra um aumento de demanda é sempre muito bem-vindo pelos executivos de empresas de todos os tipos. Mais pedidos, mais vendas e mais receita. A equação só não agrada quando foge da capacidade da companhia em atender o mercado e, para piorar, vem acompanhada de instabilidade econômica e aumento de custos. É exatamente esse o cenário enfrentado pela indústria de insumos agrícolas desde o início das ações para a contenção do coronavírus. “A crise econômica agravada pela pandemia prejudicou todos os setores e com a área de defensivos agrícolas não foi diferente”, afirmou Julio Garcia, presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg). De acordo com a entidade, a variação cambial gerou uma perda de 18,5% aos bolsos dos produtores, uma vez que mais de 80% da matéria-prima é importada, e não foi possível fazer o repasse integral do aumento dos custos.

Como resultado, o setor encolheu 10,4%. Foram US$ 12,1 bilhões em faturamento em 2020 ­— o valor mais baixo em dólares nos últimos cinco anos ­— ante US$ 13,5 bilhões no ano de 2019. “Apenas com a diminuição do câmbio seria possível pensar no crescimento do mercado em dólar”, disse Garcia.O tombo poderia ter sido maior se a área tratada com defensivos não tivesse crescido 6,9% em 2020, chegando a 1,6 bilhão de hectares, 107 milhões a mais que no ano anterior. Para 2021 está projetado novo crescimento, dessa vez de 10%. E é justamente essa tendência de expansão que faz a Ihara olhar para o futuro com otimismo, e superar todos os desafios que o setor enfrentou nos últimos meses, como disse José Gonçalves do Amaral, presidente da empresa. “Mesmo diante do cenário de aumento de custos para importação de insumos e matérias-primas, não paramos. Soubemos contornar a situação, o que nos possibilitou alcançar números recordes de produção e faturamento”, afirmou.

A empresa que venceu a categoria insumos do anuário AS MELHORES DA DINHEIRO fechou o ano passado com faturamento de R$ 3 bilhões. Para este exercício, espera chegar a R$ 4 bilhões. O caminho está sendo pavimentado com investimentos. Somente em 2020, foram aplicados R$ 76 milhões. Parte foi para a ampliação de infraestrutura com a inauguração de dois centros de pesquisa, um em Sarandi (PR) e Primavera do Leste (MT), e para uma fábrica de embalagens. “Estamos buscando novas composições para as embalagens. Isso nos permite melhorar condições de custo e garantia de qualidade”, disse o presidente. A empresa também está com novo centro de distribuição em Primavera do Leste e outro em construção em Sorriso, ambos em Mato Grosso.

São os lançamentos de novos produtos, porém, a grande estratégia da empresa para crescer. Nos últimos anos, foram lançadas mais de 20 novas soluções, reforçando o portfólio que conta com mais de 60 produtos para diversas culturas. Para 2021, a lista é robusta. Entre as novidades estão o Chaser EW, com ação inseticida e fungicida para a cultura do algodão; o Convence FS, para o tratamento de sementes; o Romeu SC, fungicida biológico que age de forma preventiva na plantação da soja; o Sonda, herbicida seletivo com ação sistêmica no combate das principais plantas daninhas do milho; e o Hayate, inseticida para o controle das lagartas da soja e do milho. O resultado não poderia ser melhor. “Vendemos tudo que produzimos e teríamos vendido mais se tivéssemos mais produtos”, afirmou Amaral.

Para aproveitar o aquecimento do mercado, o executivo já pensa em 2022. “Estamos prevendo o lançamento de pelo menos nove produtos, fora as extensões de bula para novas culturas e alvos”, afirmou. A principal promessa é para um fungicida que, segundo as palavras do presidente, “vai revolucionar o mercado da soja”. Os desafios, porém, estão impostos. Ainda não há nenhum sinal de que o dólar se acomode em um patamar mais estável. Já os juros básicos da economia brasileira continuarão a crescer e o agronegócio começa a sofrer retaliações da União Europeia e da China por questões ambientais e sanitárias. Nada disso, porém, assusta o presidente da Ihara. “O agro não para, nós também não”. Talvez essa seja a mais sólida certeza de uma indústria que tem a instabilidade como parte inerente do negócio.