Carreira

De Botucatu para o mundo

Por que o agrônomo Gerhard Bohne aceitou ser o terceiro nome na hierarquia global da Bayer CropSciense

De Botucatu para o mundo

"É preciso ir além do que a empresa pede" Gerhard Bohne Divulgação

N o mês passado, depois de uma viagem de 14 horas de avião, partindo de São Paulo, o agrônomo Gerhard Bohne desembarcou em Monheim, na Alemanha, cidade onde deverá viver pelos próximos três anos. No dia 4, uma segunda feira, pela manhã, Bohne assumiu o comando da diretoria global de operações de marketing da Bayer CropScience, braço agrícola da Bayer, que no ano passado faturou E40 bilhões, o equivalente a R$ 136 bilhões. Formado no campus de Botucatu (SP), da Universidade Estadual Paulista, ele diz que nunca imaginou, durante a sua vida de estudante, que um dia chegaria a um posto dessa envergadura. Bohne passou a ocupar uma posição qual acima dele estão apenas o CEO mundial, Liam Condon, e o diretor global de marketing da Bayer CropScience.  “Meu sonho de universitário era trabalhar numa empresa multinacional e o máximo que queria era ser diretor de pesquisa e desenvolvimento, antes de completar 40 anos de idade”, afirma. O sonho de empregar-se numa multinacional foi realizado aos 23 anos, em 1986,  quando, recém formado, foi recrutado pela Bayer para ser técnico de registro de produtos. O segundo sonho, virou realidade, aos 39 anos, ao ser nomeado diretor de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) da subsidiária brasileira do grupo alemão.

Nas últimas três décadas, o agrônomo de Botucatu, hoje com 53 anos de idade, recebeu vários convites para deixar a empresa. Recusou todos, embora ao ingressar na Bayer pensasse que permaneceria ali por, no máximo, cinco anos. “Eu não mudei de emprego por acreditar que o dono de minha carreira sou eu mesmo, nunca foi a empresa”, diz Bohne. “Todas as vezes em que tive vontade de sair da Bayer recebi tarefas nas quais eu precisava me superar.” Além da área técnica, Bohne passou pelo marketing internacional no setor de herbicidas, assumiu a direção da área de P&D e se tornou, em 2007,  diretor de operações no Brasil, o posto número um da divisão de agrociências no País. “Sempre fui ao encontro do que a empresa queria de mim, embora seja preciso querer mais do que a função exige”, diz Bohne. “É preciso ir além do que a empresa pede.”

Para Jeffey Abrahams,  sócio-diretor da Fesap, consultoria de agronegócio, um dos atributos mais cobrados dos profissionais que chegam a postos de comando é a flexibilidade. “No caso das carreiras internacionais, essa característica é ainda mais valorizada”, diz Abrahams. “A flexibilidade leva o profissional mais rapidamente às soluções para os desafios em seu dia a dia, e a cultura brasileira tem muito disso.” Na Alemanha, Bohne terá exatamente esse desafio: ser flexível para realizar mudanças estruturais na divisão, em termos globais.

A empresa alemã, que sempre foi considerada um corpo fechado hermeticamente, à prova de mudanças, está se abrindo. “Anos atrás, me perguntavam qual seria a chance de trabalhar na Bayer, caso o candidato não fosse agrônomo”, diz Bohne. A possibilidade era pouco mais do que zero. “Nos últimos anos essa cultura vem mudando, as equipes são cada vez mais multidisciplinares.”  O executivo fez exatamente esse movimento em direção à diversidade, quando assumiu a diretoria de operações no Brasil. À frente de uma unidade com 700 funcionários, montou uma equipe mais elástica na formação profissional. “Evidentemente, para funções técnicas ser agrônomo é uma necessidade, mas em departamentos como o de marketing, posso ter administradores, advogados, engenheiros e publicitários”, afirma Bohne.

Na Alemanha, o executivo comandará uma equipe de 60 pessoas escolhidas por ele – condição apresentada para aceitar o convite que vinha sendo feito insistentemente pelos executivos da matriz. “Mas eu me questionava qual seria minha função, fazer o que na Alemanha?” A resposta veio justamente do que deve acontecer com o marketing da companhia e com o seu grupo de escudeiros. O executivo, reconhecido como um formador e gestor de equipes, tem como missão empacotar para a companhia uma série de políticas que passam por uma maior excelência em vendas, acesso a mercados, precificação competitiva, construção de marca e prestação de serviços aos clientes. Para que isso ocorra, Bohne terá de lidar com profissionais de países como a Índia, China e Estados Unidos, além de seus conterrâneos no Brasil.  “Nesse ambiente diverso, que tanto aprecio, é fundamental montar uma equipe que seja flexível, mas disciplinada”, diz Bohne. Para ele, apesar das mudanças, nada mais alemão do que isso. “É preciso acreditar que as culturas mudam”, diz Bohne. “No caso da Bayer as vagas desafiadoras estão sempre abertas.”

Planejamento estratégico
Eldorado Brasil tem novo gestor

O ex-diretor de política econômica e de assuntos institucionais do Banco Central, Hamilton Vasconcelos Araújo, assumiu, no início de junho, a diretoria de Planejamento e Estratégia da Eldorado Brasil. A contratação faz parte dos planos da companhia do grupo J&F, dos irmãos Wesley e Joesley Batista, de reforçar sua política global de crescimento no setor de celulose. Segundo José Carlos Grubisich, presidente da Eldorado Brasil, o projeto de construção do maior complexo industrial de celulose do mundo precisava de reforços. “Com o início da implantação de uma nova linha de produção, os desafios são ainda maiores”, afirma Grubisich. A Eldorado Brasil, dona de uma unidade para produzir, anualmente, 1,7 milhão de toneladas de celulose, vai dobrar essa capacidade nos próximos anos.

Fertilizantes
Vozes novas na Yara

A subsidiária da empresa de fertilizantes norueguesa Yara Brasil, importou dois agrônomos de sua equipe global. O italiano Sandro Pippobello, há 16 anos na Yara, com passagem por vários países, assumiu o posto de diretor de marketing. Já o venezuelano Luís Torres, que ultimamente trabalhava na Alemanha, assumiu a gerência agronômica.

Logística
Inteligência para crescer

A Algar Agro, braço agrícola do grupo Algar, de Uberlândia (MG), contratou Rodrigo Gonçalves para ser seu novo diretor de Logística. Gonçalves atua no setor há 15 anos, dez deles como executivo do Grupo Vale. A Algar Agro, que se dedica à produção, processamento e comércio de soja, nos últimos tempos vêm expandindo seu raio de ação, antes concentrado no Sudeste e no Nordeste, para outras regiões.

Marketing e vendas
Dose dupla na Dow

Como parte de sua estratégia para alavancar o crescimento no Brasil, a Dow AgroSciences renovou a direção das áreas de vendas e marketing, consideradas vitais para a companhia especializada em sementes e proteção de cultivos. Axel Labourt, que está há 14 anos no grupo americano e já atuou nos setores de pesquisa de mercado e de marketing, assumiu a diretoria de vendas. Para a diretoria de marketing, a empresa recrutou o agrônomo Christian Pereira, que ocupou cargos de liderança em algumas concorrentes como a Basf.

Confesso que vivi
por
Stefan Mihailov,presidente da Phibro no Brasil

Desde 2010, o veterinário e administrador de empresas Stefan Mihailov comanda a subsidiária da empresa americana do setor de saúde e nutrição animal Phibro, no Brasil. Aos 48 anos de idade, dos quais 22 no setor, Mihailov já trabalhou nos Estados Unidos e na Itália, antes de assumir seu atual cargo.

Qual é o grande acontecimento de sua carreira?
Considero importantes dois momentos. O primeiro foi a oportunidade de liderar o início de uma tecnologia inédita no País, em 2002, quando trabalhava na Fort Dodge. Na época, a  empresa colocou no mercado um produto que preserva na natureza o besouro conhecido como “rola-bosta”, que se alimenta de excremento animal e, por isso, higieniza as pastagens. Mais recentemente, liderei o movimento de expansão do uso de uma molécula, a virginiamicina, na nutrição de bovinos
                               
Por quê?
Porque o “rola bosta” foi um grande case de sucesso. Pecuaristas de todo o País passaram a conhecer melhor os benefícios desse aliado no controle biológico da mosca do chifre, uma praga da pecuária, e na qualidade do pasto. No segundo caso, foi gratificante fazer parte do lançamento de uma nova tecnologia.

Como eles repercutiram?
Em um primeiro momento, as oportunidades de carreira no exterior surgiram a partir de campanhas inovadoras. No segundo caso, me ajudou a colocar a Phibro como uma empresa de destaque.

 

 

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