Melhores da Dinheiro Rural 2017

Dívida não, muita inovação

Prestes a completar 70 anos, a paulista Jacto mira em tecnologia e planeja crescer 15% em 2017

Crédito: Istock

Máquinas e implementos agrícolas

Nascido em 1911, em Kyoto, o imigrante japonês Shunji Nishimura chegou ao Brasil em 1932, com cem dólares no bolso, uma Bíblia e um diploma de técnico em mecânica. Seis anos depois de aportar em Santos, embarcou em um trem na Estação da Luz e desceu no ponto final. Era a cidade de Pompéia, a 497 quilômetros de São Paulo. Longe da capital, o município abrigava uma grande comunidade de imigrantes japoneses dedicados à agricultura. Durante anos, Nishimura viveu de consertar os equipamentos agrícolas dos vizinhos. Importadas, as máquinas eram caras e sua manutenção, difícil. Isso complicava a vida dos patrícios, em sua maioria produtores de algodão, um cultivar muito suscetível a pragas. Em 1948, usando peças improvisadas, Nishimura inventou uma pulverizadora para espalhar pesticidas nas plantações. Ao observar o jato branco emitido pela máquina, ele surpreendeu-se com a distância alcançada. Entusiasta da aeronáutica, pensou nos aviões a jato. O vapor d’água liberado por suas turbinas congela instantaneamente ao entrar em contato com a atmosfera, deixando um efêmero rastro branco no céu. Foi a inspiração para o nome de sua empresa, a Jacto.

Nishimura estava ciente do potencial de sua invenção, a primeira pulverizadora nacional. Não demorou a encomendar peças novas e dar iniciou à produção em escala. Sua empresa tinha duas premissas: aperfeiçoar sempre o produto e jamais fazer dívidas. A fórmula deu certo. A Jacto é líder no segmento dos chamados pulverizadores costais, equipamentos que lembram uma mochila presa aos ombros do operador. A empresa também produz adubadores e equipamentos para agricultura de precisão. Em 1979, após sete anos de pesquisa, foi lançada a Jacto K-3, a primeira colheitadeira de café do mundo. Nishimura faleceria em 2010, com 99 anos. Seu legado confunde-se com a cidade de Pompéia. Fundou três escolas, e uma avenida recebeu seu nome. A Jacto, prestes a completar 70 anos, é uma das principais fabricantes de máquinas agrícolas do Brasil. O endividamento baixo garantiu-lhe o primeiro lugar em Máquinas e Implementos Agrícolas no prêmio As Melhores da Dinheiro Rural 2017. “Encerramos 2016 com um faturamento de R$ 1,07 bilhão, uma alta de 13% na comparação anual”, diz Fernando Gonçalves, presidente da Jacto. “Pretendemos crescer 15% em 2017, com o lançamento de uma nova linha de pulverizadores, mais ágeis e econômicos.”

Sem contar a produção de tratores, o mercado de máquinas agrícolas brasileiro movimenta R$ 13,1 bilhões por ano. Os principais clientes cultivam itens de exportação, como soja, milho e café. A Jacto visa atender principalmente o mercado nacional, mas as exportações já respondem por cerca de 30% da receita. A maioria dos compradores está na América Latina, com destaque para Chile, Bolívia, Paraguai e México. Uma fatia menor destina-se à África do Sul e a mercados do Leste Europeu. Para reduzir custos, a Jacto internacionalizou sua produção. Além da fábrica principal, localizada em Pompéia, a Jacto implantou uma unidade na Tailândia em 2008 e deve e inaugurar sua terceira fábrica no ano que vem, na Argentina.

Gonçalves não revela quanto a empresa está investindo na nova unidade, mas diz que o empreendimento está sendo bancado com capital próprio. A regra de Nishimura continua valendo. “Contamos com recursos provenientes do crescimento orgânico da empresa para possibilitar novos investimentos”, diz. Com receita de R$ 1,07 bilhão, o total de não chega a R$ 107 milhões.

A outra premissa de Nishimura, a do aperfeiçoamento constante do produto, também continua a vigorar. A Jacto investe um percentual fixo, não revelado, em tecnologia, todos os anos, para enfrentar os concorrentes. “Hoje temos mais de 12 concorrentes somente no mercado doméstico. Então focamos em inovação para manter nosso diferencial”, diz Valdir Martins, diretor comercial. Um dos principais lançamentos de 2017 é um robô, denominado Omni 700. Acoplado às máquinas agrícolas, ele consegue operá-las de maneira automática. “Uma das vantagens do Omni é que ele consegue gravar e repetir a operação. Assim conseguimos ter exatidão na aplicação de pulverizadores”, diz Martins.

A expectativa para os negócios em 2018 é positiva. “Observamos uma recuperação no cenário econômico de forma geral, o que se traduz pelo aumento no volume de negócios. Viemos encontrando, especialmente nos últimos dois anos, as bases necessárias para apoiar nosso crescimento”, diz Gonçalves. O segmento de máquinas agrícolas segue forte na esteira da safra recorde de grãos deste ano, de acordo com projeção de Pedro Estevão Bastos, presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas, da Associação Brasileira de Máquinas Agrícolas (Abimaq). “Esperamos um aumento de 5% nas vendas em 2018”, diz ele.

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