As Melhores da Dinheiro Rural 2018

Do campo ao copo

Como a Ambev se relaciona com 1,5 mil parceiros agricultores para garantir qualidade e produtividade dos insumos essenciais à produção de suas bebidas

Crédito: Mauricio Pisani

Time vencedor: Maurício Soufen, vice-presidente da Ambev, com produtores rurais: exemplo de gestão em cadeia produtiva (Crédito: Mauricio Pisani)

Gestão da cadeia produtiva

Quem degusta uma cerveja gelada das diversas marcas da Ambev, num dia de calor, tem poucos motivos para pensar no longo caminho que o líquido dourado percorre para chegar até a sua boca. Mas a companhia, líder do mercado brasileiro de cervejas, tem um grande trabalho para garantir que isso aconteça de acordo com os seus padrões de gestão e de qualidade. “Somos pioneiros no Brasil em fazer a gestão inteira da cadeia produtiva, do campo ao consumidor”, afirma Maurício Soufen, vice-presidente industrial e de logística da Ambev. “Controlamos desde a produção e, em alguns casos, fazemos até a venda direta”, destaca. O início do processo é um dos pontos essenciais de toda a cadeia e está ligado ao correto cultivo dos ingredientes da cerveja. “O trabalho no campo é fundamental. É na seleção da semente, no relacionamento com agricultores e na gestão das plantações que está a qualidade dos produtos”, diz. Essa visão tornou a companhia a vencedora da categoria Gestão da Cadeia Produtiva do prêmio AS MELHORES DA DINHEIRO RURAL 2018.

Na disputa pelo primeiro lugar da categoria, estavam outras grandes empresas do setor, com trabalhos destacados na arte da costura de colaboração entre os elos da cadeia, como Cargill e Bayer, que ficaram em segundo lugar, e a cooperativa Coagril, em terceiro.

Na Ambev, 1,5 mil agricultores brasileiros fornecem matéria-prima para as fábricas. Três ingredientes caracterizam uma cerveja: a cevada, o malte e o lúpulo. A Ambev compra cevada de produtores do Sul do País, mas o Brasil não é autossuficiente na cultura, e precisa importar da Argentina e do Uruguai. A companhia também é a única produtora brasileira a ter maltarias no País, nas cidades gaúchas de Passo Fundo e Porto Alegre. Já o lúpulo vem da Alemanha.

Esse ingrediente, inclusive, é protagonista de um dos principais lançamentos recentes da empresa, a cerveja Skol Hops, que busca se diferenciar do seu portfólio por ser puro malte e produzida com uma mistura de quatro tipos de lúpulos aromáticos. Essa formulação, um diferencial em relação ao restante da linha Skol, está no centro do marketing do novo produto, numa iniciativa quase inédita para a empresa destacar os ingredientes dos seus produtos. “Foi uma solução superdifícil para nós. Testamos uma combinação enorme, até chegarmos a um tipo de lúpulo exclusivo, que permite combinar o amargor com
a leveza característica da marca Skol”, explica Soufen.

A transparência em torno dos ingredientes utilizados na produção de um novo rótulo é cada vez mais uma exigência dos consumidores. “A produção de cerveja é um assunto cada vez mais presente na sociedade”, afirma o executivo da Ambev. “Isso traz relevância ao nosso negócio e cria um consumo bem mais educado”, destaca. A empresa criou um programa para aprimorar a gestão junto a seus fornecedores, com um objetivo bem claro: dar estabilidade, saúde financeira e produtividade a seus parceiros do campo. Por meio desse projeto, a companhia acompanha a situação financeira de todos os agricultores parceiros, garante o preço da safra e fornece subsídios para a compra de fertilizantes, suplementos agrícolas e sementes. “O nível de risco financeiro diminui bastante e fidelizamos o nosso produtor”, declara Soufen. Com isso, se espera mais qualidade e rendimento da cevada plantada, para que as colheitas sejam melhores a cada ano.

O projeto com os produtores de cevada lembra a relação da Ambev com os produtores de guaraná no município amazonense de Maués, em plena Floresta Amazônica. A fruta plantada em um manejo integrado com as áreas de selva nativa é o ingrediente básico de seu clássico refrigerante Guaraná Antarctica. A cada safra, a empresa compra cerca de 300 de toneladas da fruta, e investe numa relação de longo prazo com os agricultores locais. “Há pouco tempo, esse tipo de relação não acontecia. Hoje, os conglomerados têm uma efetiva parceria com os produtores”, afirma José Américo, presidente do Instituto Universal de Marketing em Agribusiness (I-Uma).

Segundo ele, o ponto essencial de todo o êxito nesse sentido é aumentar a qualificação da gestão. “O Brasil compreendeu que, para ser um dos maiores produtores de alimentos do mundo e atender às regras internacionais de sustentabilidade, é preciso haver um bom relacionamento das grandes empresas com o campo”, diz Américo.

Em 2017, a Ambev abriu um centro de inovação em tecnologia cervejeira, ligado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), na Ilha do Fundão. A expectativa é fazer cruzamentos de tipos de cevada para criar novas sementes. De acordo com a empresa, são necessários até 12 anos para se desenvolver uma nova variedade de cevada.

Em cadeia: da plantação de guaraná, na Floresta Amazônica, aos engradados de cerveja, todos os passos são minuciosamente gerenciados na Ambev. “É preciso haver um bom relacionamento da empresa com o campo“, diz o vice-presidente, Maurício Soufen

Na Ambev, o projeto estratégico para os próximos anos será ampliar a fronteira agrícola da cevada no Brasil. A companhia estuda o desenvolvimento de variedades que sejam adaptadas a outros climas, diferentes do Sul do País. As regiões que podem receber essa variedade ainda não são reveladas pela Ambev. “Essas novas localidades podem se tornar uma ótima alternativa durante a entressafra da região Sul”, diz Soufen. Tudo para garantir uma cadeia ainda mais bem gerenciada e que faça o trajeto do campo ao copo cada vez mais rápido e eficiente para o consumidor. E também mais rentável para a empresa e para os agricultores.