Geral

Dyun Kimura: de desconhecido a postulante a vaga olímpica

Estrear junto com a modalidade no programa olímpico já seria especial para qualquer karateca. Mas fazer isso justamente na casa dos fundadores do esporte, o Japão, deixa a ocasião ainda mais marcante. É claro que esse é o sonho do paulista Dyun Kimura. ” Antes, o nosso esporte não era tão profissional. Agora todo mundo quer melhorar, evoluir. O pessoal procura uma nutricionista, um preparador físico uma psicóloga, treinar com os melhores … Tudo para estar lá. Eu também estou nesse grupo”, diz.

E todo esse trabalho já trouxe frutos para o paulista, que disputa as competições no “kata” (espécie de luta contra um adversário imaginário). Ele foi a maior surpresa das Seletivas à Seleção Brasileira e para o Pré-Olímpico realizadas em São Paulo recentemente.

“Na Seleção Brasileira, só entrava o melhor da seletiva. Mas, os dois primeiros iriam para a outra classificatória, “a Pré-olímpica”. Antes mesmo da primeira final, eu já estava super feliz. E quando vi a minha nota, foi aquela festa. Ninguém me conhecia. E, do nada, eu era da Seleção Brasileira. Depois, na briga pela vaga no Pré-Olímpico, eu, sinceramente, não imaginava que seria tão fácil. Vim “por fora” e os outros nem me viram”, lembra Dyun Kimura.

Rogério Saito, técnico da Federação Paulista de Karatê, reconhece que os resultados vieram mais rápido do que o esperado, mas agora que o atleta chegou, é possível sonhar. ” Não posso dizer que não surpreendeu. O trabalho vem sendo feito há bastante tempo. Mas esses resultados anteciparam o nosso cronograma de preparação. Aquilo que estava previsto para o próximo ciclo de competições internacionais, que era um training camp no exterior, nós vamos antecipar para o mês que vem. O Dyun vai ficar em torno de 21 dias lá no Japão fazendo uma imersão com os melhores atletas do mundo. A intensão é colocá-lo mais próximo dos melhores e do ambiente olímpico. Estão deixando a gente sonhar. Agora queremos a vaga olímpica”, completa.

O Pré-Olímpico será entre os dias oito e 10 de maio, em Paris, com três vagas em jogo por categoria. “É praticamente a última chance de todo mundo sem o ranking internacional. Por estar fora da Seleção, até agora, eu não viajo o mundo participando das etapas do circuito. Então, como não estou com o nome no ranking da Federação Mundial de Karatê, preciso ir até Paris e ficar entre os três melhores para conseguir essa vaga”, explica o lutador.

Demais classificados na seletiva

No Kata Feminino, a vaga ficou com Nicole Motta, que já é titular da Seleção Brasileira. No Kumitê, que é a luta propriamente dita, a regra é um pouco diferente. Mesmo classificados na seletiva, os atletas precisam aguardar até o fechamento do ranking mundial de abril. Se algum outro brasileiro, estiver à frente e entre os 30 primeiros do mundo, ele assume automaticamente essa vaga. É o caso da Sabrina Pereira, que venceu a final contra Érica Santos, na categoria “até 61 kg”. Ela só irá a Paris se Stephanie Trevisan, perder a sua posição entre as trinta melhores do mundo.

“Acima de 61 kg”, a melhor foi Brenda Padilha. Entre os homens, o maior campeão do Karatê nacional, Douglas Brose (bicampeão mundial na categoria “até 60 kg”) disputou a seletiva “até 75 kg” e foi campeão. A ideia do lutador foi se garantir no Pré-Olímpico, já que no seu peso habitual (“até 60 kg”), Brose precisa ultrapassar o também brasileiro Vinícius Figueira para à França. Nesse caso, Alisson Sobrinho, vice-campeão “até 75 kg” brigará pela vaga em Tóquio no Torneio da capital francesa.

Fechando os classificados da seletiva brasileira, Filipe Alberto (“acima de 75 kg”) também superou alguns favoritos como Adam Ramos e Diego Moraes e está “com um pé” no Pré-Olímpico .

Sistema de classificação para Tóquio

O karatê será dividido em quatro categorias diferentes. O kumite (que é a luta propriamente dita) terá as cinco categorias disputadas nos outros eventos transformadas em três. E será disputado também o kata (espécie de luta contra um adversário fictício), competição que não tem divisões por peso.

Os lutadores do Kumite serão divididos da seguinte forma: “até 67 kg” (que une as tradicionais “até 60 kg” e “até 67 kg”), “até 75 kg” e “acima de 75 kg” (que vai unir a “até 84 kg” e “acima de 84 kg”). O torneio do kumite feminino terá três categorias: “até 55 kg” (integrando as “abaixo de 50 kg” e “menos de 55 kg”), “menos de 61 kg” e “acima de 61 kg” (juntando “até 68 kg” e “acima de 68 kg”).

Cada categoria terá 10 lutadores, com o limite de um por país por categoria (totalizando no máximo 8 atletas no geral). O Japão, anfitrião, tem direito a uma vaga em cada categoria. Serão quatro as possibildiades de classificação:

1 – Ranking olímpico:

Diferentemente do ranking internacional, para essa lista valem apenas as competições indicadas pela Federação Mundial de Karatê. Em cada uma das categorias, os quatro melhores, no dia 6 de abril, estarão garantidos (respeitando o limite de um por país).

2- Torneio classificatório de Paris (de 8 a 10 de maio):

Cada país pode ter um atleta por categoria (desde que o país já não tenha classificado algum atleta pela regra anterior). Serão três vagas em cada categoria.

3 – Torneios continentais:

Com um total de 12 vagas (6 para o masculino e 6 para o feminino). A escolha dos lutadores nesse critério é bastante complexa. Os campeões continentais melhor colocados na classificação internacional vão brigar pelas vagas (independentemente da categoria) desde que os seus países já não tenham outro atleta na mesma categoria. Se todos os campeões já estiverem classificados (ou se os países já tiverem representantes), os medalhistas de prata concorrerão pelas vagas. E depois, os medalhistas de bronze.

Sempre respeitando a ordem determinada pela Federação Mundial de Karatê: a Oceania é a primeira Federação a poder pegar uma vaga (uma no masculino e uma no feminino); na sequência, duas vagas (uma em cada gênero) para os africanos; duas vagas (uma em cada gênero) para a Federação Pan-Americana, duas vagas (uma em cada gênero) para os asiáticos; duas vagas (uma em cada gênero) para a Federação Europeia, uma vaga (para qualquer um dos gêneros) para a Federação Africana e uma vaga para a Federação Pan-Americana (essa vaga será do gênero oposto da vaga anterior dada à federação africana). Vale lembrar que Valéria Kumizaki, da categoria até 55 kg, foi campeã dos Jogos de Lima e é uma forte candidata a pegar umas das vagas das Américas.

4 – Convite:

Depois de todas as vagas anteriores preenchidas, serão oferecidas outras quatro vagas (duas no masculino e duas no feminino). As respectivas federações nacionais devem fazer os requerimentos para seus atletas. E o Comitê Olímpico Internacional definirá os escolhidos.

Dyun Kimura: de desconhecido a postulante a vaga olímpica