Melhores da Dinheiro Rural 2017

Eles são os donos da bola

Com planejamento e gestão, empresas como DSM Tortuga e Ihara, uma da área de nutrição animal e outra de defesa vegetal, vão mostrando que, no agronegócio, o jogo é coletivo

Crédito: Marco Ankosqui

Atacantes: linha de frente da DSM Tortuga (da esq. para a dir.): Túlio Ramalho, do comercial; Ariel Maffi, vice-presidente de Ruminantes Brasil; Luís Fernando Monteiro Tamassia, da pesquisa, e Juliano Sabella, do marketing (Crédito: Marco Ankosqui)

Agronegócio indireto | grandes empresas

Há uma regra não escrita no futebol. Um bom ataque ganha jogos, mas uma boa defesa ganha campeonatos. A regra pode até valer nos verdes gramados dos estádios, mas nos campos de lavouras e pastagens ganha o jogo quem for craque tanto em atacar quanto em defender. Isso porque, na arena da produção de alimentos, não há tempo determinado: o jogo nunca acaba. A regra vale como método de trabalho na DSM Tortuga, empresa de origem holandesa, com foco na nutrição animal, e também na nipo-brasileira Ihara, de agroquímicos. “O pecuarista precisa ter métricas, ele necessita de uma cultura de gestão do rebanho”, diz o veterinário Ariel Maffi, vice-presidente de Ruminantes Brasil DSM Tortuga. “Nós preferimos uma visão de longo prazo.

Temos hoje cerca de 50 produtos em desenvolvimento”, afirma Julio Borges Garcia, presidente da Ihara. No prêmio AS MELHORES DA DINHEIRO RURAL 2017, essas empresas estão cruzando caminhos. A DSM Tortuga é campeã da categoria Agronegócio Indireto – Grandes Empresas e também ficou com o prêmio de Melhor Gestão Corporativa nessa categoria. Já a Ihara ficou com o prêmio de Melhor Gestão Financeira na categoria e no setor de Agroquímicos e Fertilizantes.

As duas empresas têm baseado sua filosofia de gestão na pesquisa científica. Na DSM Tortuga, por exemplo, que fatura R$ 1,8 bilhão por ano, o trabalho da equipe de 800 funcionários está lastreado pelo conhecimento desenvolvido nos centros de pesquisa. Túlio Ramalho, diretor comercial, afirma que os resultados financeiros têm crescido mesmo em tempo de pouco dinheiro na praça. “Em 2016, por exemplo, não tiramos o pé dos investimentos em confinamento, na ampliação de fábricas e no suporte ao produtor”, diz ele. “Neste ano, estamos colhendo os frutos dessa estratégia e vamos crescer em receita.” Nos últimos dois anos foram investidos R$ 100 milhões para ampliar a capacidade da fábrica de Mairinque (SP), uma das principais unidades de produção de nutrientes. Com foco na América Latina, o investimento para a expansão da área de ruminantes foi de cerca de R$ 65 milhões. Para Juliano Sabella, diretor de marketing, a área de desenvolvimento e pesquisa no Brasil ganha importância a cada dia. “São esses centros que geram o conhecimento que toda a equipe leva para o campo”, diz ele. A pesquisa de moléculas é realizada por cerca de mil cientistas ligados à DSM. Apenas na Holanda são 400 pesquisadores.

São eles que desenvolvem vitaminas, enzimas e eubióticos, uma classe de medicamentos que está substituindo os antibióticos. “Essa é uma demanda global”, afirma Sabella. “A pesquisa mostrou que podemos substituir esse produto com a mesma eficácia”.

A pesquisa no Brasil é conduzida pelo médico veterinário e nutricionista Luís Fernando Monteiro Talassia, diretor de Inovação para a América Latina. Na área de bovinos, a DSM possui um centro de pesquisa na China, outro na França e um no País, no município de Rio Brilhante (MS). No centro brasileiro estão cinco doutores. São eles os responsáveis por desenvolver produtos específicos para o País. Por exemplo, composições de betacaroteno, uma molécula desenvolvida pela DSM, formulada com os minerais da DSM Tortuga. “Nós fazemos esse casamento de ciência”, afirma Talassia. “Temos outro grande pilar que é promover ao máximo a utilização dos nutrientes, porque cada grama de alimento que a gente coloca na frente de um boi ou uma vaca custa muito dinheiro. Então tem que ser aproveitado ao máximo.” Para Maffi, é essa integração da equipe que tem sustentado o trabalho de campo até o pecuarista. “Nós estamos muito otimistas e acreditamos na virada do consumo em 2018, principalmente na demanda de carne vermelha e em produtos lácteos”, diz Maffi. “O País vai ser melhor.”

Pronto para agir: Julio Borges Garcia, presidente da Ihara, planeja nos detalhes os passos da empresa (Crédito:Felipe Gabriel)

A Ihara, que faturou R$ 1,1 bilhão no ano passado, investiu R$ 350 milhões em pesquisa e na indústria nos últimos seis anos. A empresa pertence a acionistas japoneses, entre eles Nippon Soda, Sumitomo Corporation e Kumiai Chemical. Em seu portfólio estão cerca de 60 produtos, entre herbicidas, inseticidas, fungicidas, defensivos biológicos, adjuvantes e reguladores de crescimento, para 80 diferentes culturas, como soja, milho, cana-de-açúcar, algodão, arroz, café e trigo. Neste ano foram lançados 15 novos produtos e no próximo ano serão mais 15. Com os lançamentos, a empresa quer se aproximar de alguns mercados nos quais a participação não é tão forte, como a cana-de-açúcar, por exemplo. “Estamos conscientes de que o Brasil vive um momento conturbado nas áreas política e financeira, com problemas estruturais importantes para serem resolvidos”, diz Borges. “Não vamos abrir mão de inovações para o campo e não vamos expor a empresa a riscos financeiros.”

 

TECNOLOGIA São as inovações da Ihara que vêm garantindo os planos de sustentação para a empresa crescer no País. Hoje, toda a tecnologia desenvolvida pela companhia sai do Centro de Pesquisas, em Sorocaba (SP), e em mais cinco bases de pesquisa nas principais regiões produtoras do país. São elas: Santa Maria (RS), Uberlândia (MG), Ponta Grossa e Maringá (PR), e Primavera do Leste (MT). “As pesquisas vão nos ajudar a sustentar o crescimento nos próximos anos”, afirma Borges.

Dos 16 ativos em estudo neste ano, 10 já em desenvolvimento e seis estão em avaliação. Os acionistas da empresa também se caracterizam com um braço forte na área de pesquisa e desenvolvimento da Ihara, pelo fato dessa atividade estar cada vez mais cara. “No geral, as empresas do setor de agroquímicos estão tendo dificuldades porque a cada dia fica mais caro produzir inovações tecnológicas para o campo”, diz. “Pelo fato de a Ihara ser uma associação de empresas de tecnologia, não temos esse problema”.

É justamente por causa desse encarecimento que o setor tem mudado com tantas fusões e aquisições, entre elas, a própria aquisição da americana Monsanto pela alemã Bayer e a venda de ativos da Bayer para sua conterrânea Basf. Segundo Borges, isso representa um movimento já esperado no mercado e que ainda não terminou. “Não acabou essa onda”, afirma Borges. “Devemos ver ainda mais algumas fusões e aquisições nos próximos anos.” O executivo revela o interesse em portfólios tecnológicos e está no radar da companhia essa movimentação do mercado. “Vemos isso com um olhar de oportunidades.”

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