Estilo no Campo

Em busca do lúpulo brasileiro

Crédito: Divulgação

O Brasil ocupa um lugar de destaque no mercado global da cerveja. É o terceiro maior produtor da bebida, atrás apenas da China e dos Estados Unidos, e é conhecido por grandes cervejarias com presença em diversos outros países. Um ingrediente essencial para a fabricação, no entanto, ainda não é produzido por aqui. Ao menos não em quantidades suficientes para dar conta da demanda. Trata-se do lúpulo, planta responsável pelo amargor e aroma. Quase tudo é importado de países com grande tradição no cultivo, como a Alemanha e a República Tcheca, de onde vem variedades como Hallertau e Saaz, usadas em lagers, e os Estados Unidos, responsáveis pela produção de variedades como Cascade e Amarillo, populares em receitas de IPAs. Um levantamento feito em 2019 pela Associação Brasileira de Produtores de Lúpulo (Aprolúpulo) indica que foram importadas 3,6 milhões de toneladas naquele ano.

Mas a situação está mudando. E grandes cervejarias estão dando passos importantes para viabilizar a plantação de lúpulos no Brasil. Um exemplo é o Grupo Petrópolis, dono de marcas como Itaipava, Petra e Black Princess. Em 2017, a empresa investiu R$ 2,5 milhões no projeto e plantou 12 variedades em uma propriedade na cidade de Petrópolis (RJ). Foi a primeira iniciativa a receber o termo de conformidade emitido com o aval do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Hoje, a parceria com o Viveiro Ninkasi conta com 13 mil mudas em quase oito hectares e o investimento já está em torno de R$ 5 milhões. A meta é fechar o ano com 20 mil mudas, com foco em variedades que se mostram mais adaptadas, como o Cascade argentino e o Chinook americano.
“O Brasil é protagonista na história da cerveja do mundo. Queremos criar uma cultura de engajamento com produtores para fomentar o cultivo do lúpulo no País”, afirmou Diego Gomes, diretor industrial do Grupo Petrópolis. “É claro que é bom deixar de pagar imposto de importação, mas economizar na produção nunca foi nosso objetivo com essa iniciativa”, disse. Os lúpulos cultivados entram em diversas receitas, e no ano passado o grupo lançou a Braza Hops, preparada exclusivamente com a planta brasileira.

NO BRASIL Grupo Petrópolis investiu R$ 2,5 mi na produção local, segundo o diretor Diego Gomes (Crédito:Divulgação)

A autossuficiência ainda está distante, já que é preciso enfrentar dificuldades de plantio, como a necessidade de 15 horas de incidência solar por dia, no caso de algumas variedades. A solução passa pelo melhoramento genético. “Conversamos com pesquisadores da Embrapa para trabalhar com cruzamentos que apresentam a melhor performance. É um projeto para cinco anos”, disse Gomes.

Fomento A iniciativa do Grupo Petrópolis não é a única. Em abril, a Ambev inaugurou em Lages, Santa Catarina, a primeira linha completa de processamento de lúpulo no Brasil. O plantio terá início em setembro e a previsão da empresa é alcançar a marca de 60 mil mudas. Cerca de 500 famílias de produtores da região serão beneficiadas pela iniciativa. A primeira colheita deve acontecer em março de 2022, mas a planta demora três anos para atingir a qualidade necessária para que o lúpulo seja utilizado em cervejas.