Porteira Aberta

Energia mais verde

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Neste ano, 60 usinas de cana-de-açúcar empresas como a Balbo, a Biosev, a Raízen e a São Martinho, já receberam o Certificado Energia Verde, emitido pelo Programa de Certificação de Bioeletricidade. A iniciativa foi lançada em 2015 pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar, em parceria com a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica, órgão colegiado que regula esse mercado. As unidades certificadas devem produzir 15,7 mil gigawatt-hora em 2018, sendo 5,3 mil gigawatt-hora para as usinas e 10,4 mil gigawatt-hora para o Sistema Interligado Nacional. Esse volume equivale a 16% do que foi gerado pela hidrelétrica Itaipu em 2017 e é suficiente para abastecer 60% do consumo anual de uma cidade como São Paulo, de 12 milhões de habitantes.

LEGISLAÇÃO
Mais tempo para aderir ao CAR

Até dia 31 de maio, os produtores poderão fazer a inscrição no Cadastro Ambiental Rural (CAR). O prazo, que era até 31 de dezembro de 2017, foi prorrogado. Isso ocorre pela terceira vez, porque o governo federal decidiu conceder mais tempo aos pequenos agricultores que estão com dificuldade de acessar o sistema de cadastro. Segundo o Ministério do Meio Ambiente, até o dia 29 de dezembro do ano passado, 460 milhões de hectares haviam sido incluídos no CAR. A partir de junho, a liberação de crédito pelas instituições financeiras ao setor estará vinculada ao cadastramento.

PROTOCOLO SANITÁRIO
De braços com o Iraque

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As exportações brasileiras para o mercado iraquiano devem aumentar a partir deste ano. Ainda no primeiro semestre, o Iraque e o Brasil vão assinar um protocolo sanitário para regulamentar e dar mais transparência ao comércio entre os dois países. Segundo a Secretaria de Comércio Exterior, em 2017 a agropecuária respondeu por 98,5% da receita das vendas a esse país do Oriente Médio, que foi de US$ 810,7 milhões. “O protocolo é a referência para o comércio entre os dois países”, afirma Jalal Chaya, presidente da Câmara Brasil Iraque. “O exportador terá em mãos dados com total transparência.” Além de itens agropecuários, a lista inclui tubos sem costura para a indústria de petróleo e gás, papel kraft, xampus e condicionadores para cabelos, tratores e máquinas de construção.

INVESTIMENTO
A Itaueira vai às compras 

Produtora do famoso melão rei e da mini melancia magali, a Itaueira Agropecuária, empresa familiar brasileira, fundada em 1984, comprou 75% da cearense Cearosa Vegetais, que é especializada no cultivo protegido de rosas e de pimentões coloridos da variedade blocky. “A proximidade entre as duas companhias contribuiu para realizarmos esse investimento”, afirma Carlos Prado, presidente da companhia. A Itaureira, com fazendas nos Estados do Ceará, Piauí e Bahia, é referência em produção, exportação e distribuição nacional de frutas de alta qualidade. “A aquisição resultará em maior eficiência da logística.” O executivo não revelou o valor do negócio nem o faturamento da empresa.

MORATÓRIA DA SOJA
Amazônia monitorada

Greenpece/ Alberto Cesar Araujo

O relatório Monitoramento por Imagens de Satélite dos Plantios de Soja no Bioma Amazônia Safra 2016-2017, divulgado em janeiro pelo Ministério do Meio Ambiente, confirma o que produtores e entidades do setor têm falado, sem cessar: o cultivo do grão não é um vetor relevante de corte da floresta. Nos últimos 11 anos, os plantios da oleaginosa corresponderam a 1,2% do total desflorestado no bioma. Dos Estados monitorados, o Mato Grosso teve a maior participação de cultivo em áreas desmatadas, com 36,1 mil hectares (76,2%), seguido pelo Pará, com 7,4 mil hectares (15,7%). Nesse período, a área de soja no Bioma Amazônia passou 1,1 milhão de hectares na safra 2006/2007, para 4,5 milhões na safra 2016/2017, o equivalente a 13% da área total da cultura em todo o País. Os dados são do Grupo de Trabalho da Soja, responsável pelas ações de uma moratória criada há 11 anos pela Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais, a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais e empresas associadas. Desde 2008, o grupo tem como compromisso não adquirir ou financiar soja cultivada em desmates ilegais nesse bioma.

TRANSPORTE
Por um meio ambiente melhor

A gigande na comercialização e no processamento de produtos agrícolas, a Louis Dreyfus Company (LDC) tornou-se membro da Sustainable Shipping Initiative (SSI), instituição formada por empresas multinacionais de transporte marítimo que pretendem criar um setor mais sustentável até 2040. Uma das metas de melhorias ambientais das atividades operacionais da LDC é o incentivo ao uso de embarcações mais eficientes em consumo de combustível. “A SSI pode nos ajudar a enfrentar os desafios no transporte anual de 81 milhões de toneladas de produtos agrícolas”, afirma Sebastien Landerretche, diretor de frete da LDC. “Queremos trabalhar em conjunto, por operações mais sustentáveis.” A LDC está no Brasil desde 1942, onde opera cerca de 60 unidades logísticas e industriais. Seu portfólio inclui grãos, café, algodão, açúcar, sucos, laticínios e fertilizantes.

TABACO
No topo do ranking

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Desde 1993, o Brasil é líder mundial em exportação de tabaco em folhas e no ano passado manteve a escrita: faturou US$ 2,1 bilhões com a venda de 462 mil toneladas do produto. De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, o tabaco brasileiro foi enviado para 94 países e respondeu por 30% das vendas globais. Segundo do ranking mundial na produção, atrás apenas da China, o País produziu 686 mil toneladas na safra 2016/2017. O resultado foi de R$ 6,09 bilhões em receita para os fumicultores e de R$ 13,9 bilhões em impostos. No período, 150 mil agricultores cultivaram 299 mil hectares de tabaco, em 566 municípios brasileiros.

DEFESA SANITÁRIA
BID entra em campo

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O Banco Interamericano de Desenvolvimento liberou US$ 200 milhões para o Programa de Modernização e Fortalecimento da Defesa Agropecuária (Prodefesa). O anúncio foi feito em Brasília, no final de janeiro, no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Lançado em 2015, o programa busca acelerar as estratégias de combate a pragas e doenças nas lavouras e nos rebanhos brasileiros. Até 2020, o governo deve introduzir um novo modelo de gestão para fortalecer a fiscalização sanitária nas esferas federal, estadual e municipal. Além disso, diversas normas deverão ser atualizadas.

SUSTENTABILIDADE
Mais boi com lavoura

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A Rede de Fomento ILPF, criada em 2012 para incentivar a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta no Brasil, encerrou 2017 com 11,5 milhões de hectares nesse sistema. O projeto inicial envolveu a Embrapa, a cooperativa Cocamar, e empresas como a Dow, a John Deere, a Parker e a Syngenta. Cada empresa investiu R$ 500 mil por ano para financiar ações de transferência de tecnologia e comunicação. Em janeiro, a Rede ILFP começou um novo ciclo, com a meta de captar US$ 1 bilhão para financiar projetos de pesquisa e de transferência de tecnologias, e abrir a entidade a novos parceiros. O Banco Bradesco, a fertilizantes Yara e a japonesa do ramo de aviação IHI Corporation estão negociando as suas participações.

NELORE
Evolução da produção no pasto

O Circuito Boi Verde de Julgamentos de Carcaças, da Associação dos Criadores de Nelore do Brasil (ACNB), tem contribuído para a evolução da produção de carne bovina no País. No ano passado, foram abatidos seis mil animais, a maior parte jovens, pesados e com acabamento de gordura ideal. Do total, 5,4 mil animais tinham mais de 18 arrobas, 3,9 mil apresentaram escore mediano em acabamento de gordura e 4,4 mil possuíam até dois dentes incisivos permanentes. Os abates são realizados desde 2003, na forma de campeonato. O objetivo é mapear o perfil de carcaça de nelore, incentivar a produção eficiente e valorizar os produtores. O ponto de partida para o circuito foram os abates técnicos e avaliações de carcaças, idealizados pela ACNB, em 1999, com uma metodologia criada pelo professor Pedro de Felício, da Unicamp, referência em qualidade da carne e dos processos industriais.

AGROINDÚSTRIA
Uvas de alta qualidade

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Produtores e indústrias do Rio Grande do Sul estão otimistas com as lavouras de uvas neste ano. Depois de registrar a maior colheita da história em 2017, antecedida pela quebra de 57% no ano anterior, o Estado se prepara para a volta da normalidade da safra, prevista em 600 mil toneladas, o que significa uvas com boa concentração de açúcares. Em 2017 foram 753 mil de toneladas, ante 300 mil toneladas em 2016 . “As condições climáticas e o manejo adequado estão proporcionando a boa qualidade da fruta e os altos níveis de açúcar ”, afirma Oscar Ló, presidente do Instituto Brasileiro do Vinho. “Isso deverá resultar em ótimas bebidas.” Segundo o Cadastro Vitícola, no Estado são cultivadas uvas viníferas para a produção de vinhos finos e espumantes, e uvas americanas e híbridas para a elaboração de vinhos de mesa e sucos. Os gaúchos respondem por 90% da produção nacional.

CARNE BOVINA
Parceria de peso

Rodrigo Paiva

O Masterboi, frigorífico pernambucano com unidades em Tocantins, Paraíba e Pará, e o grupo Adir, que pertence ao pecuarista Adir do Carmo Leonel (foto) e seu filho Paulo Leonel, com propriedades em Ribeirão Preto (SP) e em Nova Crixás (GO), criaram o Programa de Qualidade de Carne Bovina Nelore. O objetivo é diminuir a idade de abate para até 20 meses, com ganho de peso e aumento do rendimento e da qualidade das carcaças, parâmetro para o pagamento de bônus aos produtores. O Masterboi abate 500 mil bovinos por ano. Para enquadrar todos os animais no programa, dois milhões de vacas serão inseminadas com a genética de gado Adir, que há 57 anos faz o melhoramento do nelore no pasto.

GENOMA DO IPÊ-ROXO
Beleza desvendada

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Cientistas da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, de Brasília, e da Universidade Federal de Goiás conseguiram, pela primeira vez, sequenciar o genoma do ipê-roxo, espécie nativa do Cerrado. Além da beleza das flores, a árvore fornece madeira de alta qualidade e resistente ao ataque de insetos e à ação do fogo. Por isso, tornou-se conhecida como o novo mogno, sendo utilizada para pisos, decks e assoalhos, principalmente nos Estados Unidos. Como boa parte da sua exploração madeireira ocorre de forma clandestina, no Brasil, a genotipagem pode auxiliar os órgãos ambientais a rastrearem as árvores exploradas ilegalmente.

LARANJA
Transgênica

ALESSANDRA ALVES DE SOUZA, pesquisadora do Instituto Agronômico de Campinas (Crédito:Divulgação)

O Instituto Agronômico de Campinas (SP) desenvolveu a primeira laranja transgênica do mundo, com resistência simultânea a duas pragas: o amarelinho e o cancro cítrico. Elas são doenças causadas por bactérias que comprometem a produtividade e podem levar a planta à morte. Alessandra Alves de Souza fala sobre a descoberta.

O que representa essa nova variedade de laranja para a citricultura?
O desenvolvimento da espécie transgênica é uma nova possibilidade de combater doenças nos pomares, com sustentabilidade. A citricultura ainda é pouco sustentável do ponto de vista ambiental, porque está centrada no uso de inseticidas e de compostos à base de cobre para o controle das principais doenças, como o greening e o cancro cítrico.

Qual o seu potencial produtivo?
Ainda não foi possível avaliar o potencial de produção dessas plantas em condições de campo. Até o momento, sabemos que elas são 60% mais resistentes a essas doenças, que são recorrentes.

Em que fase está a pesquisa?
As mudas modificadas ainda estão em estufas, em ambiente controlado. O próximo passo será levá-las ao campo, onde frutificarão e gerarão os resultados científicos necessários, antes da comercialização.

Quando as primeiras mudas estarão disponíveis para o mercado?
As pesquisas começaram há sete anos e o prazo para a comercialização de mudas ainda está indefinido. Isso porque a laranjeira demora algum tempo para a produção dos frutos, para as posteriores análises quanto a sua produtividade e a qualidade.