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‘Estava na melhor fase da vida dela’, diz pai de grávida morta em operação no Rio

Alegre, expansiva, afeita a abraços, sonhadora e vivendo o melhor momento de sua vida. Essas são algumas das formas que amigos e familiares usaram para definir a jovem Kathlen Romeu, de 24 anos, que morreu na tarde de terça-feira, 8, após ser atingida por um disparo no Complexo do Lins, na zona norte do Rio.

Grávida de quatro meses, Kathlen havia postado três dias antes uma sequência de fotos no Instagram para registrar sua felicidade com a gestação. A família também estava animada com a espera de um novo integrante. “Eu brincava com minha filha: o meu neto vai nascer com os pais formados”, disse nesta quarta o pai da jovem, Luciano Gonçalves, da porta do IML. “Minha filha era a coisa mais especial da minha vida. Cheia de sonhos. Uma pessoa do bem, inteligente. Ela tinha o sonho de ser blogueira, modelo. Estava na melhor fase da vida dela.”

Quem convivia com Kathlen também era só elogios. “Ela é luz. Amava praia, festa e ter quem gosta por perto. Doce, amiga, uma pessoa insubstituível”, definiu a amiga Carolina Gomes.

“Ela era muito do toque, do abraço, do contato. Sempre muito abraço a qualquer momento, vindo do nada, sempre falando que amava todo mundo”, contou outra amiga, que pediu para não ter o nome citado. “Era alegre e expansiva. Trabalhamos juntas por um ano e dali surgiu a amizade. Ela tinha várias clientes (na loja onde trabalhava, na zona sul da cidade) que só compravam com ela. Sempre recebia todo mundo bem, sorrindo e de bom humor. Acho que nunca a vi estressada. Todo mundo era só elogio pra ela.”

Kathlen tinha se mudado havia um mês. “Eu tirei ela de lá (do Lins) por causa da violência”, afirmou o pai. “Noventa e nove por cento da comunidade são pessoas de bem. A mesma operação que tem constantemente lá, esse tiro ao alvo na nossa área, na zona sul não tem.”

A mudança de endereço veio na esteira de uma série de esforços e conquistas da jovem. “Ela trabalhava como vendedora há muitos anos para ter dinheiro pra estudar e pagar as contas todas”, explicou a ex-colega de trabalho.

A avó de Kathlen, Sayonara Fátima de Oliveira, também estava desolada. “Aquela minha rua está muito perigosa. Eu não queria ter perdido minha neta e perdi desse jeito estúpido. Uma garota que trabalha, que estuda, formada. Só isso que eu tenho a dizer. Eu não tenho mais nada. Perdi minha neta num tiroteio bárbaro que a gente não tem culpa de nada”, lamentou.

Segundo a Polícia Militar, Kathlen foi encontrada ferida logo após um confronto entre policiais e criminosos, ocorrido na localidade conhecida como Beco do 14, no Complexo do Lins. A Delegacia de Homicídio da Capital apura de onde partiu o disparo que matou a jovem.

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