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Estudo propõe calendário para evitar perdas com El Niño e La Niña

São Paulo, 19 – Pesquisadores latino-americanos, entre eles da Embrapa, avaliaram os efeitos dos eventos climáticos El Niño e La Niña em regiões produtoras de grãos do Brasil e criaram um calendário de cultivo para reduzir os riscos de estresse hídrico e perdas de produção. O trabalho utilizou tecnologias de Big Data para avaliar a variação e a distribuição das chuvas em 50 municípios de Rondônia, Mato Grosso, Goiás e Tocantins, responsáveis por 39% da produção de grãos no Brasil, segundo informações da Embrapa.

Uma das fontes do trabalho foram dados sobre precipitação diária (de 1980 a 2013) de 50 estações meteorológicas nesses Estados, reunidos pelo Instituto Brasileiro de Meteorologia (Inmet), segundo um dos coordenadores do trabalho, o pesquisador Alexandre Heinemann, da Embrapa Arroz e Feijão (GO). Essas informações foram associadas a outras, da Agência Nacional de Águas do Brasil (ANA) e da agência de Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA). Todos os dados fora processados por recursos de Big Data (ferramentas tecnológicas estatísticas e computacionais que cruzam e analisam grandes volumes de informações, com rapidez e qualidade, para gerar dados novos).

“Um dos objetivos desse estudo foi aprimorar os calendários de cultivo já existentes e desenvolver opções estratégicas de gestão do período de semeadura, a fim de diminuir riscos de estresse hídrico que acarretem perdas na produção”, explicou Heinemann. Os novos calendários trazem indicações do período inicial, ótimo e final de semeadura para cada um dos municípios. No trabalho, computadores simularam as necessidades de crescimento, desenvolvimento e produção de lavouras.

“Usamos os melhores dados disponíveis para avaliar o impacto do El Niño e La Niña sobre a dinâmica da estação chuvosa para os cultivos de grãos, soja, milho e arroz, em Rondônia, Mato Grosso, Goiás e Tocantins”, afirmou o pesquisador.

Geralmente, o início do período chuvoso e da semeadura da safra de verão vai do fim de setembro ao começo de novembro. Contudo, de acordo com a pesquisa, pode haver a necessidade de ajustes pela ocorrência de El Niño e La Niña. No município de Alta Floresta (MT), por exemplo, as fases divididas entre inicial, ótima/ideal e final para cultivo sofrem alteração. Em anos de El Niño, o início do plantio pode ser feito mais cedo, entre 16 e 20 de setembro; no caso de La Niña, os trabalhos podem começar entre 11 e 15 de setembro. Além disso, conforme o estudo, em anos com El Niño a janela de plantio acaba mais cedo, de 26 a 30 de outubro, enquanto com La Niña a semeadura pode ser estendida até meados de novembro (dias 16 a 20).

Outro resultado da pesquisa, apontado por Heinemann, é que El Niño e La Niña acarretam perdas de produção principalmente na segunda safra – cultivada a partir de fevereiro – em todos os Estados pesquisados. “A dupla safra, especialmente as rotações de soja e milho, comuns em Mato Grosso, Rondônia e regiões de Goiás, trazem risco de perda por falta de água durante a fase de enchimento de grãos. Nesses casos, uma opção é plantar na safrinha culturas menos suscetíveis a déficits hídricos, como o sorgo ao invés do milho, ou escolher variedades precoces de ciclo mais curto”, diz.

Ele lembra que, de acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), El Niño e La Niña são partes de um mesmo fenômeno atmosférico e oceânico que ocorre no Oceano Pacífico Equatorial, denominado El Niño Oscilação Sul (Enos). O Enos refere-se às situações nas quais o Oceano Pacífico Equatorial está mais quente (El Niño) ou mais frio (La Niña) do que a média normal histórica. A mudança na temperatura do Oceano Pacífico Equatorial acarreta efeitos globais na temperatura e nas precipitações.

Heinemann destaca que o estudo pode contribuir para a tomada de decisão não somente de agricultores, mas também de governos, seguradoras e outros segmentos envolvidos na produção agrícola. Ele avalia que o trabalho poderá pode ser estendido a outros Estados brasileiros e diz que, futuramente, a pesquisa deverá estar conectada a sistemas de assistência técnica rural que auxiliem produtores a diminuir potenciais riscos às lavouras.

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