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‘Eu me acostumei a correr de máscara’

Eu, como todos que puderam e não “flexibilizaram” antes da hora, fiquei 120 dias direto em casa. Saí umas poucas vezes para ir à farmácia e olhe lá. Sou praticante de corrida de rua e ficar enfurnada em casa tanto tempo no início beirava o insuportável. Mas temos que ter prioridades e, como disse minha mãe, “melhor ficar em casa do que no hospital”. Concordo, mas ficar sem correr me tirou um pouco do prumo, porque era nos exercícios que eu aliviava o estresse e a ansiedade. Portanto, estava contando os dias para voltar aos treinos.

Em julho, com a flexibilização, foi surgindo uma vontade maior de sair correndo pela rua. Procurei me informar sobre como voltar aos treinos na rua com tranquilidade. Li tudo que encontrei e a conclusão que cheguei é que não há 100% de segurança. Mas algo que também li foi que a atividade física ao ar livre no momento é mais recomendável do que no ambiente fechado da academia.

Fui criando coragem e lá fui eu. Primeiro numa longa caminhada para me reconectar com a rua. Fui de legging e blusa de manga longa, para que o coronavírus não encostasse em mim de jeito nenhum. E estava de máscara, claro, de tecido, que logo ficou úmida e incômoda e teve de ser trocada.

Depois disso, encomendei uma máscara de corrida, com filtro que aumenta a proteção e com tecido que absorve a umidade. Enquanto ela não chegava, testei correr um trote leve com uma bandana balaclava. Ficou menos úmida e o ar circula melhor, mas ela escorrega.

Quando a máscara chegou, retomei os treinos de vez. Eu, que corria uns 15 km, recomecei com 5 km para sentir como seria e, para ser sincera, é bem difícil correr de máscara. Você só consegue respirar pela boca e tem que puxar o ar com força para que ele atravesse o tecido. É incômodo sim, mas depois de uns dias você se acostuma. Mas não me acostumo com a quantidade de corredores que ainda vejo sem máscara. Atravesso a rua para me proteger e acho uma pena que eles não possam ver minha cara de desaprovação.

Para evitar esses encontros, saio bem cedo para correr. E sempre evito correr no “vácuo” de alguém. Sabe, quando você até sente o deslocamento de ar causado pela pessoa que passa? Tem outro cuidado muito importante: retomar os treinos lentamente. Eu não fiquei parada nesse tempo, fiz fortalecimentos, aulas de pilates e muita bicicleta ergométrica, mas o impacto da corrida é muito maior. Corri esse trecho que me propus num tempo muito mais longo do que faria normalmente, mas isso não me incomodou. E resisti à tentação de continuar correndo. Quem corre sabe que quando você se empolga vem aquela vontade de correr só mais um quilometrozinho… Mas parei nos 5k e voltei caminhando feliz pra casa.

Tenho feito isso umas 3 vezes por semana e até me inscrevi num desafio virtual para me animar a treinar. Agora tem de ser assim: devagar e sempre.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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