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Inovar para crescer

Líderes do agronegócio se encontram para debater temas, como a gestão de carreira, pesquisa, inovação e o futuro da tecnologia, em evento realizado em parceria da DINHEIRO RURAL com a Flow Executive Finders

Crédito: Divulgação

O futuro da inovação tecnológica no campo é um tema cada vez mais recorrente dentro e fora das fazendas brasileiras. Mas como as lideranças vêm gerindo os talentos para que suas empresas sejam os protagonistas desse movimento? No mês passado, a revista DINHEIRO RURAL e a Flow Executive Finders, empresa de recrutamento de talentos, convidaram um grupo de 60 executivos para o 3º Encontro de Líderes do Agronegócio, realizado em São Paulo, com a missão de discutir esse e outros temas. Na ocasião, também foi apresentado os resultados da pesquisa “Inovação Tecnológica: competitividade para empresas e carreiras”, coordenada pela Flow. “No estudo, conseguimos discutir com as empresas quanto elas estão investindo em tecnologia”, diz Igor Schultz, diretor da Flow. “Os investimentos globais vêm aumentando, mas o que ficou claro é que o Brasil tem ganhado mais importância no setor de desenvolvimento de pesquisas inovadoras.” Participaram do estudo 98 empresas. Como resultado, 64% tiveram um alto impacto no negócio, após investimento em inovação tecnológica, e cerca de 30% dos projetos receberam mais de R$ 12 milhões, nos ultimos dois anos.

Milton Gamez, diretor de núcleo da Editora Três, que coordenou o debate, diz que nos últimos três anos a parceria com a Flow tem trazido um conteúdo diferenciado para a revista de agronegócio do grupo. “A DINHEIRO RURAL é a primeira revista do setor que trata com regularidade a questão de carreiras”, afirmou Gamez. Na mesa de debate, participaram Ariel Maffi, vice-presidente de Ruminantes da DSM Brasil, a maior companhia de nutrição animal do País; Gerhard Bohne, diretor de operações da Bayer Crop Science no Brasil, segmento de biotecnologias da farmacêutica alemã Bayer; Pedro Lima, presidente do Grupo Três Corações, empresa que nasceu na década de 1970 e que atualmente é uma das maiores no setor de cafés, e Marcello Brito, diretor executivo da Agropalma, empresa do Grupo Alfa, que pertence ao empresário e banqueiro Aloysio de Andrade Faria.

Foi consenso no debate de que a evolução do agronegócio somente acontecerá com largo investimento em pesquisa e desenvolvimento, para dar chance ao surgimento constante de inovações. De acordo com Bohne, da Bayer, a palavra de ordem no agronegócio é a sustentabilidade e as tecnologias digitais devem ser empregadas com esse fim. Sobre gestão de carreiras, deu uma dica preciosa: “o executivo do futuro deve ter um olhar holístico sobre o setor”, afirmou. Lima, da Três Corações, apresentou quatro ondas de inovação no setor de café. “Elas são o aumento do prazo de validade do produto, explosão do número de cafeterias, valorização dos cafés especiais e a identificação da origem”, afirmou o executivo. Também disse que foi o investimento em recursos humanos que fez a Três Corações ganhar mercado no segmento de cápsulas. “Um dos nossos pilares foi selecionar quem sabe gerenciar pessoas.”

 

 

Para Maffi, é a cultura da DSM em investimentos para inovação a responsável pela atração de talentos. “Na América Latina são gastos R$ 15 milhões, somente para a equipe de pesquisa trabalar”, afirmou o executivo. “O mais importante aos nossos funcionários é ser curioso, olhar fora da caixa.” Além dos investimentos no Brasil, a DSM inaurugou na Holanda um centro de pesquisa em biotecnologia no valor de E 100 milhões.

Na Agropalma, maior produtora de óleo de palma do País, o discurso hoje é da presença feminina em cargos de destaque. Para ele, quanto maior o número de mulheres em um campo de inovação, maior será a eficiência. “As mulheres são 90% da nossa área de pesquisa e desenvolvimento”, disse. “O agronegócio passará pela maior mudança que já ocorreu na história, de modificação de visão, de postura, de gestão e lideranças mais próximas aos anseios da sociedade.”

Ao fim das apresentações, uma rodada de perguntas aqueceu o recinto e serviu aos executivos de diferentes setores mostrarem os seus pontos de vista. Para César Borges, vice-presidente da Caramuru Alimentos, empresa que no ano passado faturou R$ 4 bilhões, os exemplos em inovação estimulam a refletir sobre o próprio negócio. “São exemplos que ficam”, afirmou Borges. As questões levantadas pelo público passaram por processos na gestão de talentos, perfil profissional, os impactos da logística e os gargalos da infraestrutura no Brasil, a tecnologia digital e a preocupação com os sistemas de gerenciamento de informações. A reportegem completa, com dados da pesquisa, pode ser acessada no endereço dinheirorural.com.br