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Ipea: soja e milho devem manter cotação em alta com demanda e incerteza climática

Crédito: Arquivo/Agência Brasil

Pesquisadora avalia que os estoques de passagem globais da oleaginosa estão relativamente baixos e que há um aumento na comercialização (Crédito: Arquivo/Agência Brasil)

São Paulo, 30 – Os preços da soja no Brasil devem se manter em nível elevado, segundo análise do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). “A demanda internacional aquecida, que favorece as exportações americanas e brasileiras (os embarques de março foram os maiores da história) e as incertezas sobre a produção argentina devem manter os preços em patamar elevado no Brasil”, diz o Ipea em nota de conjuntura sobre Mercados e Preços Agropecuários, que passará a ser publicada trimestralmente.

A pesquisadora associada do Ipea, Ana Cecília Kreter, afirmou que os estoques de passagem globais da oleaginosa estão relativamente baixos e que há um aumento na comercialização. “Existe demanda maior e os estoques estão baixos e devem permanecer baixos”, disse ela na quinta-feira, 29, durante o webinar.

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Milho

O Ipea fez também uma avaliação sobre o mercado de milho. Conforme o Instituto, se a segunda safra de milho, responsável por mais de dois terços da oferta brasileira do cereal, tiver problemas devido à seca, a tendência é de que os preços do grão se mantenham em patamares altos no País. “Apesar de a Conab prever recorde na produção, a seca pode impactar negativamente a produtividade da segunda safra, tendo em vista a restrição hídrica no Cerrado brasileiro a partir de maio e as baixas temperaturas no Sudeste, no Paraná e em Mato Grosso do Sul”, diz o documento. “Se confirmado, esse ambiente contribui para a manutenção da tendência de alta dos preços.”

Ana Cecília acrescentou que os estoques de passagem globais estão baixos – pela terceira safra consecutiva – e o consumo deve ser maior do que a produção, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

De acordo com o Ipea, os altos preços no Brasil até o momento, mesmo com a colheita da primeira safra, se devem à relutância do produtor em vender por causa do atraso do plantio da safrinha e dos baixos estoques no primeiro semestre.

Trigo

No mercado de trigo, os baixos estoques nesta entressafra devem sustentar os preços do grão no Brasil, mas os moinhos parecem estar suficientemente abastecidos para atender à baixa demanda por derivados, segundo perspectiva do Ipea. “Além disso, agentes estão acompanhando o crescimento nas áreas de produção da safra 2021-2022 na Argentina e nos Estados Unidos”, informa a nota de conjuntura sobre Mercados e Preços Agropecuários da entidade.

Segundo o documento, as negociações de trigo no Brasil foram menos intensas no primeiro trimestre deste ano porque produtores estavam mais focados na colheita e armazenagem das safras de soja e milho. Isso colaborou para que o preço do trigo aumentasse durante o período de entressafra.

A pesquisadora associada do Ipea Ana Cecília Kreter destacou no evento que, no mundo, a China tem sustentado a demanda pelo trigo. “O estoque mundial aumentou em 6% porque a China busca formar estoques de reserva”, disse ela.

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