Estilo no Campo

Joias fio-a-fio

A criadora de mangalarga Ruth Villela se une ao joalheiro Renato Guelfi para produzir peças inspiradas no amor pelos cavalos

Joias fio-a-fio

Homenagem: Ruth de Andrade encontrou nas joias um meio de eternizar os cavalos que cria no haras Los Cardos, em São Paulo Divulgação

A paixão de Ruth Villela de Andrade pelos cavalos vem de berço. Além de ser filha e neta de selecionadores de equinos da raça mangalarga, ela trouxe para o Brasil a metodologia de coaching assistido por esses animais, para trabalhar com grupos ou pessoas aspectos como liderança e comportamento. Hoje, os cursos destinados especialmente a empresários são a principal atividade do haras Los Cardos, em Tietê (SP). “Sempre acreditei que os cavalos tinham uma função mais relevante que ganhar troféus em competições”, diz Ruth. “Eles podem nos ajudar a encontrar nossos caminhos.”

Os cavalos também serviram de inspiração para algo inusitado: com o amigo e joalheiro Renato Guelfi, Ruth apresentou,  no mês passado, em São Paulo, as primeiras peças de uma coleção confeccionada com ouro e a crina dos animais. Entre as peças estão brincos, pulseiras e gargantilhas.  “A ideia nasceu da possibilidade de ter uma lembrança e levá-la sempre comigo”, diz Ruth. A coleção completa das joias será apresenta em agosto, quando ela lançará em São Paulo um livro intitulado “Minha vida com os mestres cavalos”.

As joias desenvolvidas por Guelfi, joalheiro paulista com 35 anos de experiência, são delicadas e elegantes. Ele diz que para manipular as crinas dos animais foi necessário um processo cuidadoso e muita pesquisa. “Eu jamais havia trabalhado com esse material”, diz ele. “Foi preciso conhecer bem o que é um pelo animal e estudar as suas possibilidades.”  O primeiro passo foi coletar amostras de crinas de 15 animais de diferentes cores e idades no haras de Ruth.  A intenção era descobrir como transformar o material áspero em algo maleável, agradável ao toque, impermeável e que não causasse alergias. Para encontrar as respostas, ele buscou o apoio de Sérgio Carinhato, diretor comercial da Nazca Cosméticos, empresa brasileira do setor.

A equipe de Carinhato analisou as amostras em laboratório e desenvolveu um produto exclusivo para o tratamento das crinas, além de elaborar uma sequência de cuidados para o uso dos fios, com produtos como óleo de argan e silicone. “O pelo seco e as pontas duplas não deixavam que eu desse forma aos fios”, diz o joalheiro. “Com o tratamento, pude manter o brilho e a resistência da crina, eliminando a aspereza e a falta de maleabilidade.” Vencida esta etapa, Guelfi teceu os fios, incorporando a eles bases em ouro e pedras preciosas. Foram criadas 15 peças, com valores entre R$ 500 e R$ 5 mil. “Queria algo diferente, que traduzisse de fato o amor que as pessoas sentem por seus animais”, diz Guelfi. Os donos de cavalos que desejarem também podem encomendar peças utilizando a crina de seus próprios animais.

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