O Campo Digital

Lavouras europeias mais digitais

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Com a total absorção dos ativos da americana Monsanto pela alemã Bayer, a empresa anunciou em setembro o início das atividades da The Climate Corporation no mercado agrícola da Europa. A plataforma de monitoramento de máquinas agrícolas e com mapas de produtividade já estavam à disposição de produtores nos Estados Unidos, Canadá e Brasil. A iniciativa reforça o compromisso da Bayer em tornar-se cada vez mais digital. A empresa também está focada em projetos de digitalização para a agricultura familiar na Índia. A Climate está testando, com um projeto piloto, o aplicativo FarmRise, o qual leva informações e dicas agronômicas a pequenos produtores diretamente no celular. Além da Índia, o plano é difundir esse aplicativo aos demais países asiáticos, mais os africanos e os sul-americanos.

BLOCKCHAIN
Suco naturalmente rastreado

O blockchain chegou aos pomares de laranja. A mais poderosa tecnologia de registro digital de dados na internet levará informações como a origem, o dia de colheita, o padrão de qualidade e o grau de doçura da fruta brasileira para consumidores europeus. Pela primeira vez, o consumidor acompanhará a cadeia da fruta dessa maneira. A iniciativa é da rede de supermercados holandesa Albert Heijn e de sua conterrânea Refresco, fabricante de sucos e bebidas. O suco de laranja da Refresco é fornecido pela produção brasileira da Louis Dreyfus Company (LDC).

Futurismo nas rédeas do campo

Divulgação

A palestrante e publicitária Beia Carvalho, presidente da consultoria Five Years From Now, foi um dos destaques na agenda de palestras do SAP Fórum Brasil, realizado em setembro, em São Paulo, pela alemã SAP. O evento reuniu grandes personalidades para debater as inovações no meio empresarial. Foi a primeira incursão de Beia no setor agropecuário e ele vê muitas transformações pela frente.

Qual o futuro do agronegócio?
Olhando para o futuro, mesmo não sendo uma verdade absoluta, vejo uma tendência: a grande parte das fazendas não serão mais controladas por fazendeiros, mas por grandes grupos de investimento.

Onde isso se fundamenta?
É um paralelo que faço com o setor de educação. Ele tem semelhanças com o agronegócio. Ambos os setores têm a origem de seu controle em pessoas que tinham a ver com a área. Os donos de escolas eram professores, hoje não mais. Quem dá as cartas são multinacionais inglesas. Vejo que essa mudança de comando possa acontecer nas fazendas.

Como a sra. vê o agronegócio?
O mais emocioante e incrível é o tamanho desse setor. Porque quando se fala em agronegócio, estamos falando de um mundo inteiro. Tudo praticamente esbarra nele. É um mar de oportunidades.

Onde estão essas oportunidades?
As oportunidades estão na solução dos problemas da cadeia do agronegócio. Estamos em uma era de muita produção de dados. A necessidade será ter, cada vez mais, pessoas capazes de interpretá-los e indicar os rumos para o setor.

VALIOSA
O unicórnio da agricultura fica mais forte

Liderança: David Perry (à esq.), CEO da Indigo, e Geoffrey von Maltzahn, seu diretor de inovação (Crédito:Divulgação)

A agtech americana Indigo Agriculture anunciou em setembro mais uma rodada de investimentos. Desta vez foram levantados US$ 250 milhões, completando um total de US$ 650 milhões, desde a fundação da empresa em 2014. Com o aporte, a startup passou de US$ 1,4 bilhão para US$ 3,5 bilhões de valor de mercado, o que a consolida como o maior unicórnio entre as agtechs do mundo, segundo o levantamento da consultoria americana CB Insights. Com sede em Boston, nos Estados Unidos, a empresa desenvolve um sistema inovador de tratamento de sementes e, recentemente, abriu uma plataforma online para que os produtores possam negociar a sua própria produção.

PESQUISA
O prato cheio do desperdício

Se por um lado, a busca no campo é por tecnologias de produtividade, na cidade o sentido é oposto. O deperdício de alimentos ainda é grande, segundo uma pesquisa da Embrapa, com apoio da Fundação Getúlio Vargas. No ranking dos alimentos mais desperdiçados estão o arroz (22%), a carne bovina (20%), o feijão (16%) e a carne de frango (15%). Foram analisados o consumo de alimentos e o seu desperdício em 1.764 famílias de diferentes classes sociais de todo o País. Ações de comunicação e educação nutricional são fundamentais para conscientizar e conectar o consumidor com o alimento, o que pode reduzir esse tipo de perda.

INVESTIMENTO
Em busca da genética da produtividade

A startup americana Benson Hill Biosystems ganhou mais fundos para investir no melhoramento genético de plantas produtivas e que consumam menos recursos, como água e fertilizantes. A companhia anunciou, em setembro, um aporte de US$ 60 milhões. A rodada é liderada pela empresa de capital de risco americana GV, controlada pela Alphabet, que também tem o Google como uma de suas subsidiárias. Além GV, fizeram parte desse levantamento as americanas Activant Capital, a Collaborative Fund e a Tao Capital Partners. Fundada em 2012, em Saint Louis, nos Estados Unidos, a companhia usa a inteligência artificial e ferramentas de computação para identificar a genética de variedades mais produtivas.