Cocheira

Mais milho no tanque dos americanos

Crédito: SCOTT OLSON

Um anúncio feito pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, abre uma possibilidade de preços internos mais altos para o mercado de etanol brasileiro. A demanda por cana-de-açúcar no Brasil poderia aumentar. No mês passado, Trump sinalizou para os produtores de milho de seu país que a mistura de etanol na gasolina pode subir de 10% para 15% do volume, elevando a demanda pelo cereal em 200 milhões de toneladas. Hoje, o etanol americano demanda 141,6 milhões de toneladas de milho. Para os produtores brasileiros, um consumo maior por lá poderia ajudar a brecar a importação crescente de etanol americano. No ano passado, o País gastou US$ 897,8 milhões com a compra de etanol, valor 127% acima de 2016. Neste ano, as importações continuam em disparada desde janeiro. No mês passado, a previsão era de 220 milhões de litros de etanol importado, o dobro do mesmo período de 2017.

Contra-ataque
JBS aciona Justiça nos Estados Unidos

Divulgação

Uma disputa árdua foi colocada em marcha no mês passado. A JBS, controlada pela holding J&F, da família Batista, ajuizou nos Estados Unidos uma ação indenizatória contra os escritórios de advocacia Trench, Rossi & Watanabe. Segundo a JBS, o escritório não agiu corretamente ao contratar o procurador da República Marcelo Miller como sócio enquanto ainda estava ligado ao Ministério Público Federal. O fato complicou a defesa dos irmãos Batista, Joesley e Wesley, presos após as delações firmadas em 2017 sobre propinas pagas a políticos.

Luto
Morre um dos principais historiadores do zebu

Francis Pradoo

Faleceu no mês passado, aos 100 anos de idade, o agrônomo e professor Alberto Alves Santiago, um dos maiores conhecedores de raças zebuínas no País e referência internacional em pesquisas na área. Em 1969, Santiago foi o primeiro diretor do Instituto de Zootecnia, em São Paulo, quando ainda era chamado de Departamento de Indústria Animal. Como escritor, deixou várias obras, entre elas “O Zebu: sua história e evolução no Brasil”, uma das mais prestigiadas no setor da pecuária. Era, também, membro do colégio de jurados e do conselho técnico da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu.

Frango para os europeus
Brasil vai à OMC, mais uma vez

SERGIO LIMA

No setor do agronegócio, o Brasil já entrou em contenciosos na Organização Mundial do Comércio algumas vezes. E se deu bem em disputas como a do açúcar e do algodão. Agora, chegou a vez do frango. As exportações de carne in natura para a Europa estão em queda contínua desde 2007, ano em que o Brasil vendeu para esse continente 417 mil toneladas. No ano passado foram 201 mil toneladas. Mas, por conta da Operação Carne Franca, no ano passado, e da Operação Trapaça, em 2018, que investiga desvios de conduta da BRF, as compras correm o risco de serem ainda menores. “Desde março 2017, o Brasil vem enfrentando uma série questões técnicas e políticas”, disse Blairo Maggi, ministro da Agricultura. “As políticas nós não aceitamos.”

Indicação geográfica
Um selo para o guaraná do Amazonas

A espera foi longa, mas finalmente terminou. O guaraná produzido por cerca de 150 produtores de Maués, município do Estado do Amazonas, agora possui Registro de Indicação Geográfica (IG) conferido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial. Maués, a 270 quilômetros de Manaus, acessível apenas por barco ou avião, responde por metade das 700 toneladas da fruta produzida no Estado. O selo pode se tornar um incentivo ao aumento do cultivo. Por safra, apenas o polo industrial de Manaus demanda oito mil toneladas da fruta.