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Mercado agrícola deve ter um 2020 positivo

Crédito: Cleverson Beje

Colheita de soja, um dos setores que devem contribuir para o fortalecimento das vendas dos produtos nacionais (foto Cleverson Beje) (Crédito: Cleverson Beje)

Da Redação

28/12/2019



Safra, exportações, mercado interno… As expectativas para o agro brasileiro, segundo dados levantados pelo Estadão Conteúdo, apontam um 2020 com promessas animadoras. Há algumas variáveis que podem mudar o cenário, como  o desfecho da guerra comercial entre EUA e China — disputa que se encaminha para um acordo mas que ainda tem repercussão nos mercados do mundo todo –, e o esperado impulso nas relações bilaterais do Brasil com eventuais parceiros, como Mercosul, Estados Unidos, China e União Europeia.

Para começar, a projeção para safra 2020 é 2,4 milhões de toneladas maior que previsto em diagnóstico anterior. A revisão na produção de soja esperada para 2020, divulgada no começo do mês, puxou a melhora na expectativa da safra agrícola brasileira no segundo Prognóstico para a Produção Agrícola, elaborado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O Brasil deve colher um recorde de 240,9 milhões de toneladas no ano que vem, 33,6 mil toneladas a mais em relação ao desempenho de 2019.

“Uma melhora de estimativa para a soja puxou essa revisão de 2020, com alta de 2,1% ante o primeiro prognóstico”, explicou na época Carlos Alfredo Guedes, analista da Coordenação de Agropecuária do IBGE.

A safra de soja em 2020 deverá ser 6,7% superior à de 2019. Também são esperados aumentos para a produção de algodão (2,0%) e de arroz (1,0%). Por outro lado, o IBGE prevê recuos na produção de milho 2ª safra (-9,8%), milho 1ª safra (-0,8%) e feijão 1ª safra (-0,3%).

As estimativas preveem uma redução de 7,5% na produção total de milho, 7,5 milhões de toneladas a menos, totalizando 92,7 milhões de toneladas.

Com relação à área a ser colhida, houve expansão para o algodão (6,4%), soja (1,8%), milho 1ª safra (0,5%) e milho 2ª safra (0,3%). Por outro lado, estão previstas reduções de área no feijão 1ª safra (-0,3%) e no arroz (-2,1%).

INICIATIVA PRIVADA  As exportações de grão foram apontadas pela Bayer como um dos pontos favoráveis para o agro brasileiro em 202. A empresa, segundo o presidente da divisão Crop Science no Brasil, Gerhard Bohne, espera que 2020 garanta vendas aquecidas de soja e milho e demanda firme por esses grãos para produção de carnes destinada à exportação em almoço de fim de ano da empresa.

O executivo destacou ainda a perspectiva de crescimento da economia em 2020, o que deve puxar o consumo interno de alimentos. “Pelas projeções externas e internas, acreditamos que vamos ter mais um ano positivo no mercado agrícola”, disse. “Acreditamos que a exportação (de grãos) se mantém ou aumente devido à produção de carnes no mundo, o consumo interno de soja e milho cresce por causa da necessidade de produção de carnes para exportação e, com a recuperação da economia, aumenta a demanda por alimentos e por investimento em tecnologia e inovação.”

Na avaliação do executivo, 2019 foi um ano favorável ao mercado agrícola, uma vez que a alta demanda por soja, milho e carnes e a desvalorização do real aumentaram a rentabilidade dos produtores. “Na hora em que o nosso agricultor vê possibilidade de ganho de rentabilidade, ele investe em tecnologia”, disse. “É um ano positivo para a Bayer no Brasil.”

INTERNACIONAL Sobre os mercados internacionais, um ponto de atenção é o preço do açúcar. A Dow Jones divulgou estudo da Fitch Solutions que aponta preços em média um pouco mais altos em 2020, embora devam ficar substancialmente abaixo das máximas históricas. Isso em decorrência da ampla oferta. A Fitch espera que o preço médio do açúcar fique abaixo dos 14 centavos de dólar por libra-peso nos próximos cinco anos. “Três anos consecutivos de superávit na produção global levaram ao acúmulo de estoques de açúcar que continuam pesando no mercado”, apontou a agência.

O consumo do adoçante, no entanto, pode aumentar nos próximos anos, impulsionado pela maior demanda em mercados emergentes onde a renda por capita está crescendo e vendas de alimentos estão subindo, diz a companhia.

Com informações do Estadão Conteúdo