Economia

Mercado aposta em subida de preços de grãos e China mantém compras

Crédito: Arquivo/Agência Brasil

Os futuros de soja, milho e trigo de inverno vermelho duro - do tipo utilizado para fazer pão - já subiram cerca de um terço desde agosto (Crédito: Arquivo/Agência Brasil)

Nova York, 16 – O tempo seco em áreas produtoras, manutenção das compras da China para engordar o rebanho de suínos e o elevado consumo de pães e massas em casa estão puxando os preços dos grãos norte-americanos. Os futuros de soja, milho e trigo de inverno vermelho duro – do tipo utilizado para fazer pão – já subiram cerca de um terço desde que a escalada teve início, em agosto 10.

De acordo com a estrategista de commodities agrícolas do JPMorgan, Tracey Allen, a pandemia do novo coronavírus lançou dúvidas sobre a demanda e, em junho, os investidores mantiveram uma grande posição vendida em futuros de commodities agrícolas dos Estados Unidos, apostando que os preços cairiam. “Agora eles se acumularam em uma aposta historicamente grande de que os preços vão subir”, afirma a analista.

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“Esses mercados podem se estender em patamar muito mais alto”, disse Allen. “Reduzimos um estoque considerável ao mesmo tempo em que o apetite da demanda da China aumentou.”

O tempo seco nas Grandes Planícies dos EUA, Argentina, Rússia, Ucrânia e Brasil reduziu a produtividade e as expectativas para o que se previa ser uma safra abundante.

Enquanto isso, a China tem reabastecido seus estoques de grãos e reconstruído seus rebanhos de suínos, depois de abater milhões de animais no ano passado para combater um surto de peste suína africana, apontam analistas.

As compras da China têm sido particularmente benéficas para a soja. As vendas de soja dos EUA dobraram desde que os países assinaram um acordo comercial no início deste ano. Embora a China tenha comprado mais de US$ 23 bilhões em produtos agrícolas dos EUA, o país asiático ainda tem bilhões para gastar para cumprir os termos do acordo da fase 1 entre os países, de acordo com o Escritório do Representante de Comércio dos EUA.

Analistas também apontam que os pedidos da China estão abrindo outros mercados para os produtores americanos, como o Brasil. De acordo com o analista da Jefferies, Randy Giveans, a China comprou tanta soja do Brasil, que o maior exportador mundial está com pouca quantidade em casa. No mês passado, o Brasil cortou as tarifas de importação de soja e milho. No início deste mês, um navio carregado com 38 mil toneladas de soja deixou os EUA com destino ao Brasil, seguindo uma rara rota comercial, apontou a Jefferies.

Em casa, o alto consumo de trigo ajudou a compensar o fechamento de navios de cruzeiro, hotéis e restaurantes nos EUA, que compram farinha. De julho a setembro, 7% a mais de trigo foi comprado no segundo trimestre deste ano e 1% a mais que no terceiro trimestre de 2019, de acordo com a pesquisa trimestral da indústria moageira do Serviço Nacional de Estatísticas Agrícolas. “São literalmente pessoas em casa, cozinhando”, disse o presidente da Teucrium Trading, Sal Gilbertie, que opera fundos negociados em bolsa que compram futuros de commodities agrícolas.

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