O Campo em números

Monsanto finalmente é da Bayer

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A multinacional alemã Bayer, com sede em Leverkusen, concluiu a compra da americana Monsanto, no mês passado. Com um detalhe: a aprovação do Departamento de Justiça dos Estados Unidos foi condicional. Ela será definitivamente concluída após a venda de US$ 9 bilhões em ativos. O negócio de US$ 63 bilhões vinha sendo costurado desde 2016. Agora, a expectativa é que o processo de integração comece em agosto. Em 2017, a receita global da Bayer foi US$ 42,7 bilhões e a da Monsanto, US$ 14,6 bilhões.

Orgânicos, naturais e afins
Korin vai à luta

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A Korin, empresa paulista de alimentos orgânicos e livres de antibióticos, parte para uma nova estratégia comercial de reposicionamento de mercado. Ela, agora, também vai apostar na agricultura natural. O nicho é mais amplo e inclui pesquisa e comércio de insumos. Para isso, a empresa fundada em 1994 pela igreja Messiânica Mundial, foi dividida em três unidades de negócio sob a holding Korin: agropecuária, agricultura e meio ambiente, e administração de franquias. O novo arranjo deve dar maior agilidade às ações da Korin, que no ano passado faturou R$ 138 milhões. A reorganização operacional visa racionalizar a área fiscal e reduzir os custos com impostos, já que ela possui cerca de dois mil pontos de franquias em São Paulo, Rio de Janeiro e Distrito Federal.

SOJA
ADM sem medo de investir

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A ADM Brasil, subsidiária da americana Archer Daniels Midland, inaugurou uma fábrica de proteínas de soja em Campo Grande (MS), no mês passado. Com capacidade anual para processar 50 mil toneladas, ela é a maior da América Latina na elaboração de matérias-primas de soja à indústria alimentícia. A ADM, que em 2017 faturou globalmente US$ 60,8 bilhões, investiu cerca de US$ 250 milhões em um mercado que promete crescer 6% ao ano.

Protecionismo

“A guerra está declarada contra nosso agronegócio. é algo que está muito claro para a empresa. Isto se dá porque somos líderes na Europa, na China, na Rússia
e na Arábia” Jorge Lima, CEO da BRF para o Cone Sul (Crédito:Divulgação)

Seca
Menos trigo no mundo

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O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulgou relatório sobre a produção mundial de trigo para a safra 2018/2019, com previsão de 744,7 milhões de toneladas. O volume é 1,8% menor que o do ciclo 2017/2018. Entre os maiores produtores globais, o tempo seco que prejudica o cultivo do grão na Rússia foi determinante para a expectativa de redução do volume. Para a safra 2018/2019, o país deverá produzir 68,5 milhões de toneladas de trigo, uma queda de 19,4%. As exportações russas devem ser de 35 milhões de toneladas do grão, 5,5 milhões de toneladas inferior ao período de 2017/2018. Além da Rússia, a Europa e os Estados Unidos também devem ter uma safra menor. O déficit da oferta fará com que os estoques globais caiam 2,3% no fim da safra 2018/2019, para 266,2 milhões de toneladas do grão.

Milho
A culpa é da safrinha

A mais recente estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento para a produção de milho na segunda safra do ciclo 2017/2018, a safrinha, caiu para 58,2 milhões de toneladas. O volume é 13,6% inferior ao ciclo anterior. A queda é resultado de muita chuva e depois seca na região Sul. No Pará houve seca. A safrinha contribuiu para a queda da safra total, encerrada em junho, em 13,1%.Foram colhidas 85 milhões de toneladas de milho. O grão também foi o que mais contribuiu para a queda da safra geral, que inclui outros 14 tipos de grãos e de fibras. Agora, ela está estimada em 229,7 milhões de toneladas, 3,4% abaixo.

CRA
Coruripe conclui captação

A Usina Coruripe, uma das grandes sucroalcooleiras do País, captou R$ 255 milhões com a sua terceira emissão pública de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA), no mês passado. Com isso, superou em cerca de 25% o objetivo inicial de captação. Com sede em Coruripe (AL) e controlada pelo grupo Tércio Wanderley, a empresa possui capacidade de moagem de 14,4 milhões de toneladas de cana-de-açúcar e faturamento de R$ 2,3 bilhões.

Frigorífico
National Beef é da Marfrig

A brasileira Marfrig Global Foods, uma das maiores empresas de proteína animal do mundo, recebeu as autorizações necessárias para a compra de 51% da americana National Beef, frigorífico com sede em Kansas, por US$ 969 milhões. Com a negociação, a Marfrig se torna a segunda maior companhia global de carne bovina, com receita consolidada de R$ 43 bilhões e capacidade de abate de 35 mil bovinos por dia. No total, serão 40,2 mil funcionários dispostos em 36 unidades fabris.

Análise do Mês
Produção de açúcar na Tailândia surpreende o mercado e fica acima do esperado

Luisa Santosa

Com todas as 54 usinas em operação, a Tailândia terminou a safra 2017/2018 com uma moagem recorde de 134,9 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, um crescimento de 45,2% sobre a safra anterior. Devido à melhor concentração de sacarose, a produção de açúcar alcançou um recorde de 15 milhões de toneladas em 2017/2018, aumento de 45,9% sobre o período precedente.

O resultado ficou acima do esperado pelo mercado, que no início da safra não acreditava que a Tailândia produzisse mais do que 11,5 milhões de toneladas de açúcar. Bons índices de produtividade agrícola, acompanhados por condições favoráveis à colheita, permitiram um melhor aproveitamento da moagem. As condições climáticas em 2017 foram adequadas ao desenvolvimento dos canaviais tailandeses, com chuvas abundantes e mais distribuídas. O bom ritmo das chuvas tem se repetido neste ano, beneficiando igualmente as lavouras de cana-de-açúcar para o ciclo 2018/2019.

Ainda no ano passado, a Tailândia finalmente decidiu eliminar o controle sobre os preços do açúcar no mercado interno, política que destinava subsídios aos produtores. Assim, desde a safra 2017/2018, os preços do açúcar no mercado tailandês começaram a flutuar livremente.