Especial

Na frequência certa

A conectividade no campo é um desafio ao agronegócio, que espera por soluções para entrar com mais força na agricultura 4.0

Na frequência certa

Vida em rede: infraestrutura básica, como torres, energia e fibra ótica, precisa ganhar escala para acompanhar a atual demanda

Especial inovação – Conectividade

A implantação efetiva da agricultura 4.0, com base no conteúdo digital e na conectividade, ainda enfrenta alguns obstáculos no campo. O conteúdo digital já está em máquinas e softwares no campo, mas é necessária uma eficiente conectividade para que decole. Segundo uma pesquisa do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), no meio rural, 71% dos donos de microempresas e 85% de empresas de pequeno porte usam a internet via celular para realizar transações comerciais ou para divulgar seus produtos e serviços. Para Vinicius Dalben, vice-presidente de Estratégia da Ericsson Brasil, multinacional sueca de telecomunicações, o principal desafio à expansão da conectividade no campo é a pouca viabilidade comercial para cobrir grandes áreas de pequena demanda, se comparado com a alta densidade populacional das cidades.

Valor: Eduardo Navarro, da Vivo, diz que a baixa frequência será um facilitador para o campo (Crédito:Divulgação)

“Há um déficit em infraestrutura, como torres, energia, fibra, etc., e com a sua manutenção”, diz ele. Para solucionar esse desafio, grandes empresas do agronegócio estão criando redes de conectividade locais. As fornecedoras de maquinários agrícolas também já vendem sistemas de conectividade embarcadas nos veículos. Mas, segundo Sergio Barbosa, gerente-executivo da EsalqTec, incubadora tecnológica da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (Esalq/ USP), essas ações também esbarram nos custos. “O problema de se criar uma rede de conectividade local é o alto custo”, diz Barbosa. Por isso, uma das tendências desse mercado é que as empresas de telefonia, como Vivo, Claro e Tim, passem a atuar no segmento de serviços de dados, através de parcerias.

É caso da parceria entre a Vivo, Ericsson, EsalqTec e Raízen, joint venture entre a anglo-holandesa Shell e a brasileira Cosan. Neste mês, começa a funcionar na região de Piracicaba (SP), um projeto-piloto para utilizar a faixa de frequência 450 MHz em rede 4G. “Essa frequência, mais baixa do que a utilizada nas grandes metrópoles, de 750 MHz, será um facilitador para a conexão no campo”, diz Eduardo Navarro, presidente da Vivo. “A faixa oferece velocidades elevadas e maior estabilidade, uma vez que necessita de menos torres de frequência.” No campo, a faixa de 450 MHz pode atingir até 80 quilômetros, ante 30 quilômetros da faixa de 750 MHz.