O Campo Digital

Nasce uma gigante na América Latina

O setor de agtechs no País ganhou mais musculatura este ano. A holandesa Koppert Biological Systems comprou a brasileira BUG Agentes Biológicos de Piracicaba (SP). Ambas são especialistas em inovações em controle biológico de pragas e doenças na lavoura. Apesar de não revelar os números, a empresa afirma ter se tornado a líder do mercado brasileiro de biológicos, estimado em US$ 200 milhões. Na safra 2017/2018, por exemplo, mais de 1,5 milhão de hectares no País serão tratados com manejo biológico. A Koppert deve fechar uma receita global de € 200 milhões.

PASTAGEM
Sementes com chip

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Uma plataforma digital inédita permitirá a rastreabilidade de sementes de forrageiras no Brasil. A tecnologia saiu de um acordo entre a Associação para o Fomento à Pesquisa de Melhoramento de Sementes Forrageiras (Unipasto) e a Ceptis Agro. Todo o lote de sementes receberá uma etiqueta com oito características de segurança, sendo algumas visíveis a olho nu e um código único rastreável. A inovação permitirá que os produtores diferenciem as sementes certificadas das piratas.

INOVAÇÃO
Integração em realidade aumentada

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Quem tiver em mãos um celular ou tablet, com sistema iOS ou Android, poderá acompanhar o desenvolvimento de uma fazenda adota a integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF). A Associação Rede ILPF, da Embrapa, lançou recentemente o aplicativo Maquete Virtual de ILPF em Realidade Aumentada. A ferramenta é gratuita e mostra ao usuário todas as etapas do sistema interagindo com o ambiente da fazenda. Pode-se escolher, por exemplo, iniciar o processo em um ambiente de pastagem fraca e ir percebendo os benefícios da integração com o cultivo de grãos, a produção de florestas plantadas e a condução com o gado.

GESTÃO
Inteligência na nuvem

De olho na crescente demanda por sistemas digitais de gestão e planejamento em fazendas, a paulista Mega Sistemas lançou o MobAgro. Com a ferramenta, o agricultor pode fazer apontamentos no campo sem depender do acesso à internet. O aplicativo sincroniza os dados coletados com o sistema, fazendo com que as tomadas de decisão sejam mais rápidas e assertivas. Com esse software, a companhia amplia a linha de sistemas de gestão para o campo. Em 2017, a Mega Sistemas investiu cerca de R$ 12 milhões em novas soluções e melhoria no sistema de transmissão de dados.

ACELERAÇÃO
Santander quer investir em startups

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As inscrições para o Programa Radar Santander podem ser feitas na página www.santander.com.br/radar até 26 de fevereiro. É a segunda edição do programa de aceleração para empresas iniciantes de inovação e tecnologia. Além de soluções para o mercado financeiro, o banco está de olho em tecnologias para o agronegócio. “O Radar Santander não busca somente as fintechs, mas empresas que estão no ponto de inflexão para seu crescimento”, diz Angel Santodomingo, vice-presidente executivo e CFO do Santander Brasil. “As agtechs são muito bem-vindas, já que é uma área de negócio estratégica para o banco.”

IMERSÃO NO VALE DO SILÍCIO

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Um seleto grupo de 40 pessoas, entre empresários, executivos, investidores de agtechs e produtores rurais, vão passar uma semana, em abril, visitando o Vale do Silício, nos Estados Unidos, além de conhecer outros ambientes importantes no desenvolvimento de tecnologias e inovações para o agronegócio. Quem conta os preparativos e a programação dessa viagem é o engenheiro químico José Tomé, diretor e co-fundador do Agtech Garage, de São Paulo, um importante centro de conexão entre investidores e empresas iniciantes de tecnologia para o campo.

É a primeira vez que o evento acontece?
Sim. Começamos a planejar essa viagem em abril do ano passado, quando participamos de uma missão parecida. Fomos ver o que realmente é relevante e o que vale a pena conhecer.

Qual a agenda da viagem?
Além do Vale do Silício, o epicentro da inovação mundial, a viagem proporcionará visitas para a região de Saint Louis, que vem se consolidando como uma potência na indústria de tecnologia agrícola e atrai empresas de todo mundo. Além disso, vamos conhecer a pequena cidade de Salinas, que está a 96 quilômetros do Vale do Silício e abriga uma indústria agrícola de mais de US$ 8 bilhões. Essa cidade está se posicionando para assumir o título de “A capital da tecnologia da agricultura mundial”.

Quais tecnologias estarão na mira do grupo?
Tecnologias disruptivas, ou seja, aquelas que de fato vão promover mudanças profundas nos seus mercados. Nosso foco vai desde soluções digitais para a agricultura e a pecuária de precisão, passando por biotech e foodtech. Estas, por exemplo, destacam-se por serem novas ferramentas para a edição genética, o uso de biológicos como fertilizantes e o manejo de pragas.

A ideia é promover essas viagens todos os anos?
A ideia inicial é fazer pelo menos uma missão, por ano, visitando cada vez um ecossistema de inovação de um país que se destaca. Em 2019, ano o plano é visitar Israel, a chamada “Nação Startup”.