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Brasil inicia exportação de sêmen para a Índia

ABS Pecplan é a primeira empresa a realizar o procedimento, enviando mil doses da genética brasileira para melhorar o rebanho do país berço do zebu

Brasil inicia exportação de sêmen para a Índia

Depois de cinco anos de negociações de protocolos sanitários, a ABS Pecplan conseguiu autorização para exportar material genético para a Índia. Na primeira remessa, foram enviadas mil doses de sêmen de zebu brasileiro para o país que é o berço da espécie. O embarque do material foi feito no Aeroporto de Viracopos, de onde seguiu para Nova Deli, capital indiana. Os produtos foram enviados para a ABS Índia, que ficará responsável pela comercialização do sêmen por lá.

“Foi um primeiro passo modesto, mas, com toda certeza, o mais importante foi a abertura de um mercado fantástico, muito promissor para a genética zebuína de nosso país. Logo após o primeiro embarque já tivemos solicitação para prepararmos novas remessas”, comenta o gerente de produção da ABS Pecplan , Fernando Vilela Vieira, ressaltando que a Índia tem um volume de inseminações cerca de 10 vezes maior que o Brasil, atingindo mais de 120 milhões de doses /ano.

As mil doses enviadas são de dois dos principais touros provados da bateria Leite Tropical da ABS, Diamante de Brasília e Castelo TE Kubera, ambos da raça Gir leiteiro. “A Índia, apesar de ter sido o berço do zebu, não teve a mesma competência em fazer uma seleção como a que fizemos no Brasil, animais leiteiros foram cruzados com raças de corte e grande parte desta genética se perdeu ao longo do tempo. Para recuperar, seriam necessários muitos anos e gastos elevados. É muito mais simples, rápido e mais econômico buscarem nossa genética”, afirma Vilela, destacando a dedicação dos criadores brasileiros neste processo, especialmente os de Gir Leiteiro, que investiram em programas de seleção e melhoramento genético, assim como em ferramentas como o teste de progênie da Embrapa- ABCGIL e os controles leiteiros. “Hoje temos um animal que funciona como uma máquina altamente eficiente de produção de leite a um baixo custo”, completa o gerente. 

De acordo com Vilela, a comprovação do impacto da genética brasileira no rebanho indiano aparecerá em três anos, quando as fêmeas estiverem paridas e produzindo leite. “Temos que nos preparar para esta época, porque, com certeza, vão demandar ainda mais material, já que um grande desafio do governo indiano é produzir alimento de qualidade para mais de um bilhão de habitantes”, ressalta.

O início das exportações de sêmen marca um novo e importante capítulo da história do zebu brasileiro. Os primeiros animais da espécie chegaram ao Brasil há mais de 100 anos, importados da Índia, de onde foram trazidos até a década de 60, quando as importações foram proibidas. Recentemente, foi autorizada nova importação, desta vez de embriões.

Quanto as exportações de sêmen bovino, foram necessários cinco anos entre negociações de protocolos e a realização de todos os testes sanitários que envolvem o processo. “Genética de qualidade, biossegurança e tecnologia de ponta foram fundamentais para alinharmos esta primeira exportação. Que venham as próximas”, comemora.

Conheça mais sobre a genética brasileira que chegou a Índia:  

Diamante de Brasília – Uma das mais completas genéticas da bateria Leite Tropical da ABS Pecplan. Filho de Meteoro Bras x Luzíada (Fabuloso), Diamante de Brasília é o touro número 1 para Leite, com PTAL 699 Kg, pelo sumário Embrapa/ABCGil.  “Observamos que o Diamante tem não só a capacidade de transmissão de alta produção leiteira, como também é muito bem avaliado por outras características, como capacidade de locomoção, qualidade do úbere, estrutura corporal e temperamento. Isso vai ao encontro do que tudo o produtor busca e precisa”, descreve Fernando Rosa, gerente de Produto Leite Tropical da ABS Pecplan.

Castelo TE Kubera – Um dos líderes de venda da bateria Leite Tropical da ABS Pecplan. O animal, que morreu aos 13 anos em dezembro de 2014,  apresenta PTAL de 530,6kg (ABCZ/Unesp).  Castelo é pai de matriarcas como Calha Boa Fé, com lactação de 18.862kg; Bixia (17.025 kg) e Duda Kubera (10.353 kg). Segundo Fernando Rosa, as filhas do touro são conhecidas pela qualidade do úbere, facilidade de locomoção e temperamento.”Características diretamente econômicas”, garante. Castelo foi adquirido em 2001, ainda bezerro, pela ABS Pecplan, sendo toda sua vida produtiva dentro da Central em Uberaba (MG).