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Com maior oferta, preço da melancia deve se enfraquecer

Alta de 34% registrada em janeiro, não deve se manter

Com maior oferta, preço da melancia deve se enfraquecer

Os preços da melancia, que estavam firmes até primeira quinzena de fevereiro, devem começar a se enfraquecer com o aumento da oferta. Segundo pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, a colheita da safrinha na região de Oscar Bressane (SP) e de novas lavouras em Teixeira de Freitas (BA) deve começar nesta semana. Em março, são as regiões paulistas de Presidente Prudente e de Itápolis que começam a enviar a fruta ao mercado. Além disso, a colheita da melancia segue no Sul do País e em outras praças da Bahia até pelo menos o início de abril.

Neste início de ano, as frutas do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina predominaram na Ceagesp – entreposto da Grande São Paulo. A baixa oferta no período, atrelada à demanda firme, mantiveram a fruta valorizada. Em janeiro, por exemplo, o preço médio da melancia graúda (com mais de 12 quilo) comercializada na Ceagesp foi de R$ 1,18 quilo, 34% superior à média de dezembro. Na primeira quinzena de fevereiro, os preços ainda estavam altos, até o dia 13, a melancia estava a R$ 1,38 quilo, 17% maior que o de janeiro.

Durante o mês de janeiro, a demanda pela fruta foi suprida basicamente pela oferta da região de Encruzilhada do Sul (RS), pois a safra de Arroio dos Ratos (RS) terminou no início do ano. Em fevereiro, começou a colheita de melancia na praça gaúcha de Bagé, com previsão de se prolongar até abril. Segundo agentes locais, a temporada 2015 no Rio Grande do Sul tem sido marcada pela elevada incidência de doenças (principalmente antracnose e bactérias), em razão do excesso de chuvas ocorridas no estado. “A produtividade das lavouras ficou cerca de 30% abaixo do esperado. Além disso, as elevadas temperaturas intercaladas com as precipitações ocasionaram queimaduras e manchas na casca de algumas frutas”, explica a pesquisadora do Cepea Larissa Gui Pagliuca.

Com parte da produção gaúcha teve sua qualidade bastante comprometida, a oferta de melancias em bom estado diminuiu e impulsionou as cotações. A média da fruta graúda ao produtor do Rio Grande do Sul em janeiro foi de R$ 0,52 quilo, aumento de 24% em relação à média de dezembro. Apesar da valorização, as perdas no campo foram elevadas, limitando a rentabilidade do produtor. Em fevereiro, com o aumento da oferta nacional, as altas começaram a se enfraquecer. A melancia graúda estava em média a R$ 0,52 quilo até o dia 13 de fevereiro, estável em relação ao mês anterior.

Análises

Neste ano, a o Cepea começou a divulgar análises econômicas sobre o mercado de melancia nas principais regiões produtoras e de comercialização do Brasil. As pesquisas sobre o mercado desta fruta se iniciaram em março de 2014, com visitas de campo para se conhecer o sistema de produção e a comercialização da fruta e também para o cadastramento de colaboradores. A coleta dos preços, informações sobre a produção e outros aspectos do mercado começaram em agosto nas regiões de Marília e Itápolis (SP), Uruana (GO), Lagoa da Confusão (TO), Teixeira de Freitas (BA) e nas praças gaúchas de Arroio dos Ratos, Encruzilhada do Sul e Bagé. Nesta etapa inicial dos trabalhos, estão sendo coletados os preços das melancias graúda (maior de 12 quilo), média (10 a 12 quilo) e miúda (7 a 10 quilo), obtidas em cultivo convencional. Participam do grupo de colaboradores produtores, agrônomos e comerciantes das regiões abrangidas, além de atacadistas da Ceagesp. Mensalmente, a revista Hortifruti Brasil (distribuição gratuita, disponível no site do Cepea) divulga uma seção com preços e análise desse mercado, bem como de outros 12 hortifrutícolas. Fonte Cepea/Esalq