Uma nova espécie de “sapinho-pingo-de-ouro” foi descoberta na Mata Atlântica. O animal é o sexto de um grupo específico deste tipo de sapo e foi batizado de Brachycephalus ibitinga. O estudo foi desenvolvido por pelo menos 7 anos, envolveu diversos pesquisadores e foi liderado por Thais Condez, da Universidade do Estado de Minas Gerais (UFMG). A descrição do vertebrado reforça a importância das Unidades de Conservação.

A espécie foi encontrada no trecho paulista da Serra do Mar, o entorno de uma das maiores regiões metropolitanas do mundo. “[Isso] mostra o quanto a gente ainda tem a descobrir a respeito da nossa biodiversidade, mesmo com o avanço das cidades, mesmo com as dificuldades todas de conservar, de proteger a biodiversidade, a gente ainda tem boas surpresas”, apontou o biólogo Leo Malagoli, gestor de Unidades de Conservação da Fundação Florestal de São Paulo e co-autor do estudo.

Características da nova espécie

O animal possui a região da cabeça e do dorso cobertas por placas ósseas fluorescentes. De acordo com os pesquisadores, isso deve ser importante para a comunicação, seja entre eles ou com predadores. O sapo descoberto tem menos de 2 centímetros quando adulto. “As placas ósseas são diferentes das outras espécies, porque possuem margens irregulares, é meio recortado, e tem uma linha muito tênue que margeia essas placas e é uma linha mais pálida, dá pra gente chamar de esbranquiçada”, descreve o biólogo.

O DNA também foi um aspecto analisado pelos cientistas para descrever o novo animal. Além disso, observou-se diferença na vocalização, a forma como o sapinho coaxa. “Você se lembra de relógio de corda? Pensa quando está dando a corda no relógio, é meio parecido com o canto dessa espécie. Baixinho, mas com atenção você consegue ouvir.”

Malagoli explica que, na floresta, ele habita o folhiço ou a serrapilheira, que são as folhagens que ficam no chão da mata. “É uma espécie que você não enxerga andando na trilha. Você tem que agachar, revolver parte da serrapilheira para poder encontrar”, explica. Ainda não há estudos sobre a densidade populacional do novo sapinho, mas o pesquisador adianta que ele ocorre em baixa densidade.

Habitat

A nova espécie pode ser encontrada em diversas Unidades de Conservação localizadas no entorno das Regiões Metropolitanas de São Paulo e da Baixada Santista, como Parque das Neblinas, Parque Natural Municipal Nascentes de Paranapiacaba, Reserva Biológica do Alto da Serra de Paranapiacaba, Núcleos Bertioga, Caminhos do Mar, Itutinga-Pilões e Curucutu do Parque Estadual Serra do Mar, além do Parque Natural Municipal Varginha. 

“São espaços protegidos que essas espécies novas costumam sofrer menos esses impactos humanos”, aponta. Ele avalia que a descoberta mostra as oportunidades do que ainda pode ser descoberto, mas, ao mesmo tempo, “acende um alerta: bom, a gente precisa conservar”. 

O pesquisador destaca os benefícios para o meio ambiente e para os seres humanos. “Eles fazem o controle de inúmeros insetos, fazem parte da cadeia alimentar e essa espécie de sapinho, assim como outras, tem um verdadeiro arsenal químico na pele”, enumera. Malagoli explica que novas descobertas permitem encontrar compostos químicos que podem contribuir para, por exemplo, produção de medicamentos.