Sustentabilidade

Instituto ATÁ convida Embrapa para ser parceira do projeto Fruto

Instituto ATÁ convida Embrapa para ser parceira do projeto Fruto

O Instituto ATÁ, do chef Alex Atala, está lançando a iniciativa “Fruto – As Possibilidades de Alimentar o Mundo”, um evento internacional e multidisciplinar para discutir a alimentação e gerar subsídios para a sustentabilidade do sistema agroalimentar. “Nenhum lugar do mundo pode falar melhor de alimentação em grande escala do que o Brasil, e não podemos falar de alimento no Brasil sem envolver a Embrapa”, comentou Atala durante reunião com o pesquisador Maurício Lopes, presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), na segunda (9) em Brasília (DF).

O Fruto está previsto para acontecer nos dias 26 e 27 de janeiro, em São Paulo (SP), e a ideia envolve bem mais do que o congresso em si. Para o evento, que deve contar com 100 participantes internacionais e outros 200 convidados do Brasil, Atala pretende reunir “as mais variadas correntes” envolvidas com o tema alimentação para pensar em alternativas que possam valorizar a produção dos pequenos produtores e reconectar a população urbana com o alimento, entre outras ações para utilizar mais a biodiversidade brasileira na alimentação. “Queremos discutir alimentação em grande e pequena escala, e transmitir para o mundo inteiro ver pela internet”.

Atala pretende que o Fruto seja um grande acontecimento anual e consiga ser referência global em discussões sobre alimentação. “Austin, no Texas, faz anualmente um grande festival de tecnologia e criatividade”, comenta. “O Brasil pode fazer o mesmo com alimentação”, enfatiza o chef, para quem o País tem potencial para ganhar mercado valorizando e posicionando melhor os sabores de sua biodiversidade.

Para Lopes, “a conexão alimentação, cultura e biodiversidade representa uma riqueza fabulosa” para a agricultura brasileira avançar ainda mais em sustentabilidade e também conseguir ofertar produtos alimentícios únicos derivados de suas milhares de espécies endêmicas com possibilidades de uso na alimentação. “A Embrapa tem uma visão contemporânea de agricultura e alimentação. Não é colocar cerca de arame farpado em torno da biodiversidade o que queremos. É preciso valorizar, caracterizar e usar a biodiversidade”, salienta. Por isso, segundo ele, a Embrapa está disposta a discutir a parceria com o Instituto Atá, com foco na busca de novos sabores e aromas, na valorização dos produtos da biodiversidade, na pesquisa de novos ingredientes, dentre outras frentes de atuação. “Tudo em linha com o objetivo estratégico da Empresa, de promover a integração dos conceitos de alimentação, nutrição e saúde, explorando a ligação do alimento com a cultura e as tradições, além do prazer e bem estar associados a uma gastronomia contemporânea, ligada à riqueza biológica do nosso país”, afirmou.

Centro de Gastronomia e Biodiversidade

Os representantes do Instituto ATÁ e da Embrapa discutiram também as possibilidades de fortalecer as pesquisas com espécies nativas da Amazônia e o potencial de ações conjuntas a partir da criação do Centro Global de Gastronomia e Biodiversidade, em Belém (PA). O projeto do centro inclui o museu do alimento, escola superior , restaurante, laboratório de alimentos e feira do produtor, no âmbito de um parque temático do alimento a ser localizado no Parque Estadual do Utinga, uma área de 5 mil hectares de floresta urbana, localizado ao lado da Embrapa Amazônia Oriental.

“O mundo inteiro tem uma imagem mental da Amazônia, mas ninguém conhece o sabor, e biodiversidade quando a gente prova, ganha valor”, enfatiza Atala. Para Atala, o Cerrado também merece um centro nos mesmos moldes. “O ideal seria um centro de gastronomia e biodiversidade para cada bioma”, comenta.

“A maioria da população desconhece cupuaçu, bacuri e outros frutos da  Amazônia, mas isso não me causa estranheza. Assustador é a população desconhecer um pé de laranja sem frutos”, salienta. Segundo o chef, a reconexão do ser humano com o alimento é necessária para a sustentabilidade de toda a cadeia e traria impactos positivos tanto na valorização dos alimentos produzidos em pequena escala quanto contribuiria para a redução do desperdício de alimentos. “Tenho a convicção que a maior rede mundial de conexão com as pessoas não é a Internet, é o alimento”, setenciou Atala.

Desperdício de alimentos

Ao tomar conhecimento da campanha Sem Desperdício, iniciativa conjunta da Embrapa, WWF Brasil e FAO, o chef Alex Atala comentou que o consumidor precisa aprender a “comer, cozinhar e servir como cidadão”. Atala defende, entre outras ações, envolver crianças e jovens em aulas de culinária e fortalecer programas de educação nutricional.

Participaram também do encontro Roberto Smeraldi, presidente do Instituto Atá; Luiz Camargo, coordenador do projeto Atá; Lidio Coradin, diretor nacional do projeto Biodiversidade para a Alimentação e Nutrição (BFN); Cleber Soares, diretor-executivo de Transferência e Tecnologia da Embrapa; Adriano Venturieri, chefe-geral da Embrapa Amazônia Oriental; Warley Nascimento, chefe-geral da Embrapa Hortaliças; Renato Rodrigues, presidente do Conselho Gestor da Rede ILPF e pesquisador da Embrapa Solos; além de assessores e representantes de Unidades Centrais.

Alex Atala

Mais do que um chef reconhecido internacionalmente e dono do premiado restaurante D.O.M, Atala é um empresário dedicado à gastronomia brasileira que tem se destacado como liderança comprometida com a sustentabilidade, a defesa da natureza e da Amazônia e à valorização dos ingredientes da biodiversidade nacional. O Instituto Atá foi criado em 2013, fundado por Atala e uma equipe multidisciplinar que reúne fotógrafos, empresários, publicitários, um antropólogo e um jornalista. Tem como proposta reunir projetos para estruturar cadeias produtivas e buscar ingredientes de uma cozinha que não seja somente boa de comer, mas saudável para quem faz, para quem come e para quem produz.

Outro passo em sua busca pela valorização dos ingredientes nacionais foi a criação da linha de produtos Retratos do Gosto, voltada ao consumo consciente. Uma variedade inédita de miniarroz produzida em parceria com o rizicultor Francisco Ruzene do Vale do Paraíba, feijão-guandu, granolas brasileiras e farinhas especiais já estão à venda em mercados e empórios de todo o Brasil.