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O Brasil só tem a ganhar com a liberação do cultivo do cânhamo

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“Precisamos fornecer dados, provocar debates e abastecer governantes e sociedade de informações. O fim do preconceito pode ser o início de um novo País” (Crédito: Divulgação)

O cultivo da cannabis no Brasil pode virar realidade e proporcionar muitos benefícios ao nosso País, se deixarmos de lado o desconhecimento e o preconceito.

O primeiro empecilho para o avanço da questão é a falta de entendimento sobre as diferenças na família da planta Cannabis sativa.

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O cânhamo, também conhecido como hemp, contém no máximo 0,3% de tetrahidrocanabinol (THC) e, devido a essa composição, não apresenta qualquer princípio psicoativo. De sua semente, caule e folha tudo se aproveita e se transforma em matéria-prima para diversos setores: construção civil, alimentício, vestuário, biocombustível, cosmético, entre tantos outros. Explicado isso, sigamos adiante.

O agronegócio brasileiro ocupa merecido lugar de destaque no desenvolvimento econômico de todo o País. Conquistamos novos mercados, investimos em tecnologia e, aos poucos, estamos conseguindo segurar o jovem no campo. Observamos grandes empresas se debruçando em estudos promissores para o campo e, ainda, startups com projetos inovadores e prontos para serem lançados. Temos clima favorável e disponibilidade de áreas agricultáveis. Nesse setor o Brasil é gigante. Ainda assim, tão imensas quanto as oportunidades são as desigualdades sociais que persistem no campo ou fora dele.

A partir de boa semente, treinamento e solo de qualidade será possível desenvolver trabalho sério junto aos pequenos, médios e grandes agricultores para o cultivo do cânhamo. Tudo acompanhado de perto pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e Embrapa. O cultivo de cânhamo pode ajudar a acelerar a saída do País da recessão econômica pós-pandemia, gerar empregos e divisas. Áreas subutilizadas pela agricultura poderão dar espaço a uma nova cadeia produtiva do agronegócio.

Na legalidade – Nos Estados Unidos, a cannabis é uma commodity de alto valor. A expectativa é de que os negócios ultrapassem US$ 30 bilhões por ano, a partir de 2025 (Crédito:Kimberly Delaney)

Nos Estados Unidos, a cannabis é uma commodity de alto valor. A expectativa que os negócios ultrapassem US$ 30 bilhões por ano em 2025. Tudo na legalidade. Como em vários estados norte-americanos a produção de remédios à base de cannabis é permitida, o cultivo totaliza mais de 31 milhões de hectares para fins industriais. Em Porto Rico, o Departamento de Agricultura anunciou que haverá pelo menos 10 mil acres de cânhamo cultivados para fins comerciais este ano.

Na nossa vizinha Colômbia, por sua vez, a plantação ilegal foi se tornando legal e o país, com clima propício para o cultivo, colhe excelentes resultados com a exportação da matéria-prima da cannabis. Uma referência importante para países em desenvolvimento como o Brasil que, em 2019, teve 1 milhão de pés de maconha apreendidos pela Polícia Federal. No ranking dos maiores mercados aparecem China, Estados Unidos, França e Canadá. Temos tudo para ocupar quinta posição em curto espaço de tempo.

É preciso dar um passo de cada vez. O primeiro deles: a liberação do cultivo do cânhamo, planta da qual podem ser desenvolvidos mais de 25 mil produtos destinados a diversos setores econômicos. Assim, aos poucos, a sociedade passará a entender melhor esse universo e a classe médica e científica ganhará tempo para se aprofundar nas questões relacionadas ao uso medicinal da planta.

Com a produção local e controlada, laboratórios farmacêuticos terão disponíveis produtos melhores e mais baratos, resultando em medicamentos acessíveis a boa parcela da população. Pouco adianta a liberação da Anvisa de produtos à base de Cannabis se os insumos e o produto final são importados. Com o dólar no patamar atual, os medicamentos ficam em torno de R$ 2 mil nas prateleiras — o que possibilita o acesso a bem poucos brasileiros.

O percurso é longo, mas a discussão precisa ser feita urgentemente. A bancada ruralista formada por deputados e senadores tem debatido o assunto em Brasília, mas encontra pela frente uma ala bastante conservadora e desinformada. Precisamos fornecer dados, provocar debates e abastecer governantes e sociedade de informações. O fim do preconceito pode ser o início de um novo Brasil.

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