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Entrevista

“O Brasil tem um dos melhores modelos de agricultura tropical do mundo”

Divulgação

“O Brasil tem um dos melhores modelos de agricultura tropical do mundo”

Dez perguntas para Manuel Otero, diretor-geral do Instituto Interamericano de Cooperação para A agricultura (IICA)

Fernando Barbosa, de Berlim
Edição 10/03/2019 - nº 167

Há 26 anos, o veterinário argentino Manuel Otero trabalha no Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA). A entidade tem como principal função monitorar as políticas agrícolas nas Américas, do Sul, Central e do Norte. Há pouco mais de um ano, ele assumiu o cargo de diretor-geral da instituição, cuja sede fica na Costa Rica e que é o braço agrícola da Organização dos Estados Americanos (OEA). Otero é um grande especialista em políticas para o campo. Já foi adido agrícola em Washington, nos EUA, vice-presidente do Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária da Argentina e representante do IICA no Brasil, entre 2011 e 2015. No mês passado, durante a Fruit Logística, na Alemanha, ele concedeu entrevista exclusiva à DINHEIRO RURAL.

Qual a sua visão sobre o que está acontecendo na Venezuela?
A Venezuela tem se transformado em um problema de todos. É um caso extremo, onde se tem quebrado a ordem institucional. Do ponto de vista agropecuário e rural, existe um problema muito sério de abastecimento. Pessoas e crianças não podem ser alimentadas e isso tudo representa uma ameaça para países vizinhos. Por exemplo, o caso da aftosa para um país como o Brasil, que tenta ser livre de aftosa sem vacinação. Temos trabalhado para ajudar na vacinação contra a aftosa no rebanho venezuelano e para que isso não afete o Brasil.

Como o senhor avalia uma possível saída do Brasil do Acordo de Paris, como tem ameaçado o presidente eleito Jair Bolsonaro?
O IICA tenta não ter opinião sobre as decisões políticas dos governos. Independentemente disso, o que está claro é que os eventos climáticos extremos são cada vez mais frequentes. No Sul da Argentina, perto do Polo Sul, já há registro de temperaturas acima dos 30 graus. Temos de reconhecer a gravidade desse assunto. Isso vai afetar o mapa produtivo e promover a chegada de novas pragas e doenças. Será necessário agir no âmbito dos países, das regiões e também nos acordos multilaterais.

O senhor tem acompanhado a catástrofe da barragem de Brumadinho. De que forma isso afeta a imagem da agricultura brasileira?
Evidentemente, haverá repercussão nas produções das regiões afetadas. Sobretudo com as toxinas que têm ido para os rios. Infelizmente, isso afeta a rentabilidade dos produtores, tem custado muitas vidas e muitos prejuízos econômicos. É preciso aprender as lições que vêm de Brumadinho, porque, definitivamente, afeta também a imagem do Brasil como produtor de alimentos.

O rompimento de uma barragem da Vale em Brumadinho (MG) causou mais de 300 mortes e enormes danos ambientais (Crédito:Pedro VILELA)

Que medidas do IICA poderiam beneficiar a agricultura dos países em desenvolvimento?
O IICA já tem uma agenda internacional de cooperação técnica, com foco em negociações e na transformação das demandas dos ministros da Agricultura de vários países, em projetos concretos. No caso do Brasil, tentamos fazer com que o setor agropecuário tenha melhores instituições, com pessoas ainda mais capacitadas e com boas estratégias. Esse é o segredo da cooperação técnica. Para órgãos como o IICA, é fundamental ter sinais de que o que a gente propõe se transforma em projetos.

As cadeias do agronegócio estão realmente preocupadas em preservar o meio ambiente e ter uma produção mais sustentável?
Ao longo dos últimos 20 anos, têm acontecido mudanças significativas. Hoje, vejo uma preocupação crescente e a necessidade de gerar negócios agropecuários que sejam sustentáveis do ponto de vista social e ambiental. Os novos obstáculos no comércio internacional vão estar sempre ligados a novas técnicas ambientais.

Quais os desafios mais comuns  para a América do Sul?
Os países têm de continuar fazendo investimentos nas áreas de tecnologia e inovação. No caso do Brasil, isso está bastante claro com o papel da Embrapa e das universidades. A Argentina também tem feito o mesmo. Mas há outros países nos quais os esforços e os investimentos em pesquisa são inexpressivos, quase nulos. Um país que não faz investimentos nessa área, depois terá de importar toda a tecnologia. E isso gera dependência.

No caso do Brasil, o que ainda  precisa ser melhorado?
O Brasil tem um dos melhores modelos de agricultura tropical
do mundo e que não foi copiado de outros países. Isso está baseado no sucesso da Embrapa e de outras instituições. Mas, na agricultura familiar e de subsistência, ainda há algumas lições que devem ser aprendidas. Além disso, o País deve seguir insistindo com o tema da recuperação de solos.

Como o senhor analista a situação dos pequenos agricultores nos países latinos?
Nossos países têm um sério problema de produtividade. É aí que está o grande caminho do incremento da agricultura familiar. Por uma questão de sobrevivência, muitas vezes esses produtores não conseguem utilizar os poucos recursos dos quais dispõem para comprar melhores adubos e sementes, por exemplo. Mas não estamos falando de transferir recursos ou subsídios. Estamos falando de criar as condições certas para que os pequenos agricultores tenham acesso a crédito, tecnologia e programas de extensão. Para que eles possam ser treinados em boas práticas.

Como as nações podem compartilhar resultados e evitar doenças no campo?
O café e o cacau são exemplos de cadeias onde há muitos pequenos produtores. Para nós, é fundamental tentar ajudar a modernizar essas cadeias. Temos um grupo chamado Promecafé, uma rede de países liderada pelo setor privado, buscando avançar na modernização da cadeia do café. Se eu tenho um problema e você tem o mesmo problema, é preciso compartilhar
e trocar informações. Juntos, teremos muito mais possibilidades de enfrentar essa praga.

Em dezembro do ano passado, o IICA assinou uma parceria com Chile, Peru e México. Como o senhor pretende ajudar esses países?
A ideia é que as regiões dialoguem entre si, incentivando o comércio. O IICA está bem posicionado nesses países. Temos a Secretaria do Fórum dos Ministros do Conselho Agropecuário do Sul e, na América Central, a Secretaria do Conselho Agropecuário Centro-Americano. Faltava criar o Fórum de Ministros da Aliança do Pacífico, integrando Chile, México, Colômbia e Peru.

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